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Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Falta de subsídios prejudica seringueiros

Falta de subsídios prejudica seringueiros

Texto: Márcia Buzalaf

Há mais de quatro meses sem receber o subsídio governamental, os seringueiros da região estão sendo prejudicados em uma época favorável à produção e exportação. A desvalorização do real fez com que o preço da borracha natural brasileira tenha ficado mais atrativo do que a que vem da Malásia. O mercado também oferece oportunidades. As chances de crescimento são grandes.

Em um tipo de plantação que começa a mostrar resultados no 10.ª ano de plantio (quanto mais espesso o tronco, mais fácil a retirada de látex), as seringueiras requerem alto investimento de tempo e pouca preocupação com a terra.

De acordo com o médico do laboratório da Beneficência Portuguesa e produtor de seringueiras, Dr. João Batista Bórsio Neto, 58 anos, a terra não precisa ter muita qualidade e pode até ser arenosa. "Não precisa ser uma terra de baixa fertilidade. E a planta dá-se muito bem aqui na região de Bauru", completa. Em Avaí e em Reginópolis, Bórsio Neto afirma, existem duas plantações grandes de seringueiras.

A idéia de iniciar uma plantação que, hoje em dia, é composta de 20 mil árvores, surgiu em 1982, época em que os subsídios governamentais para o investimento em borracha natural estavam crescendo, conta Bórsio Neto. "O governo falava que o Brasil importava 90% da borracha que consumia e, por isso, o incentivo", diz Bórsio Neto.

Juntamente com este incentivo, estava a idéia de que a borracha natural iria se desenvolver rapidamente no país.

Os preços da borracha natural estão caindo diariamente, diz Bórsio Neto, puxados para baixo pelos não-competitivos preços da Ásia. Atualmente, o produtor vende o quilo da borracha por R$ 0,64 centavos, sendo que R$ 0,32 é pago pela usina e a outra metade é pago pelo governo, através da usina.

Cerca de 50% do preço do látex é composto pelo custo de mão-de-obra. Em uma plantação, cada trabalhador deve cuidar de 500 árvores para fazer a sangria duas vezes por semana.

Usina

O processo trabalhoso e exigente da transformação do látex em borracha natural que as usinas de transformação fazem exige um padrão de qualidade compatível com a esfera de crescimento que avista. De acordo com César Augusto Bettini, 30 anos, gerente da Usina de Processamento de Borracha Natural que compra a produção de Bórsio Neto, a Hofig Jr. Ltda, localizada na cidade de Lupércio, região de Gália, o nível de qualidade da borracha que está sendo exigido pelas grandes indústrias de auto-peças, calçados e da automobilística está sendo um fator decisivo na seleção dos fornecedores.

Bettini afirma que, assim como a laranja, existem vários tipos de borracha natural, que fazem a diferença na hora de atender grandes clientes. Ele conta que a Hofig Jr. vende o GEB (Grânulo Escuro Brasileiro) n.º 1, que indica o mais alto padrão de qualidade. Para se chegar a este tipo de borracha, Bettini conta que o melhor caminho é acompanhar de perto como a produção está sendo feita.

Para receber um produto mais padronizado e para ter produção suficiente para atender a demanda das indústrias, a Hofig Jr. fornece assistência técnica personalizada aos seringueiros.

Nas visitas, os técnicos verificam como é feita as sangrias nas árvores e a forma com que ela é processada para a obtenção do látex coagulado, que é como o insumo chega às usinas.

Sempre separadas, por terem diferentes origens, os coágulos passam por uma blindagem, que é um tipo de tratamento para que o produto vá para o setor de homogeneização, onde é lavado e misturado.

Uma máquina processadora aglutina o látex e monta mantas de borracha. Passando de equipamento para equipamento, as mantas vão afinando até que vão para a seção de pré-secagem, onde permanecem por duas horas.

Já a seção de secagem é feita em uma estufa, onde passa por 19 estágios de 20 minutos cada. Depois de passada pela prensa, a borracha está pronta para ser comercializada.

Desvalorização

A desvalorização da moeda trouxe uma perspectiva mais positiva para o crescente mercado da borracha natural. Bettini conta que a borracha sintética - que sofre processo químico

- está perdendo espaço na indústria nacional.

A elevação do dólar faz com que a borracha da Malásia tenha preço muito menos atrativo do que a brasileira. O número de usinas no Brasil, segundo Bettini, não suprem a demanda de borracha da brasileira.

A tecnologia no látex

De acordo com Bórsio Neto, a produção da seringueira era feita de forma diferente na Amazônia. No passado, o látex era colhido em uma caneca - por isso o formato com o qual ele é entregue à usina - e, depois, era colocado em cima de uma fogueira, para defumar. O cheiro da borracha natural exalava por toda a região causava mau cheiro para a região.

Atualmente, uma substância química - o ácido acético - é adicionada durante a sangria da árvore que faz com que a coagulação do látex seja mais rápida.

Dessa forma, ela toma a forma da caneca sem a necessidade de exposição ao calor. "Conforme vai caindo o leite, ele coagula em cerca de uma hora", explica.

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