Geral

Emancipação

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 5 min

Distrito de Rubião quer se emancipar

Distrito de Rubião Jr. quer se emancipar

Texto: Marcos Zibordi

Único vereador de Rubião Júnior na Câmara Municipal de Botucatu lançou a proposta. Prefeitura já se manifestou contra

Rubião Junior - Rubião Junior, distrito com cerca de um terço do tamanho de Botucatu, quer se emancipar politicamente. A proposta é do vereador Ademir Lopes Dionísio

(sem partido), 34 anos, que já usou a tribuna da Câmara Municipal para fazer a proposta e promete levá-la adiante. Seu principal argumento é o crescimento do distrito nos

últimos anos e o descaso das administrações em relação à infra-estrutura de Rubião Júnior, cuja população estimada no Censo de 96 era de cerca de seis mil habitantes.

Segundo Dionísio, a idéia de emancipação nasceu em Rubião há muito tempo. O vereador Nélson de Souza, na gestão 72-76, já havia proposto a separação, quando Rubião era praticamente a avenida, a Universidade e a Igreja. De acordo com Dionísio, outro impulso na discussão ocorreu a partir de 1990. O Distrito começou crescer bastante, principalmente porque o preço do lote de terra era mais barato em relação aos outros bairros de Botucatu, o que fez aumentar cada vez mais as construções de casas e a população.

O vereador afirma que a discussão é constante entre os moradores mais antigos do local e também entre os novos moradores, principalmente os que chegam de outras cidades. Segundo ele, a população o procura desde o ano passado para discutir sobre a possibilidade de emancipação. "Fui procurado tanto pelos moradores antigos, tradicionais do local, como os que vieram, por exemplo, de São Paulo".

Segundo o vereador, as administrações em Botucatu não têm dado devida atenção ao Distrito, que sofre por falta de galerias pluviais de água, asfalto e melhorias de ruas em geral. Segundo Dionísio, Rubião tem 16 vilas. "Em sua grande maioria são de terra mesmo. A população está cobrando investimentos nessa área".

Atualmente, Rubião tem um contingente eleitoral de 1,3 mil eleitores. Dionísio acredita que muitos eleitores que moram no distrito votam em Botucatu, além dos moradores que vieram de outras cidades e que ainda não transferiram seu título eleitoral. Somados esses eleitores dispersos ao contingente da cidade, Dionísio acredita que o número de eleitores em Rubião Junior possa chegar perto de dois mil.

Segundo o vereador, a posição da Câmara Municipal de Botucatu sobre o assunto ainda não foi divulgada oficialmente. Ele admite que o pedido de emancipação também

é uma forma de pressionar politicamente a Prefeitura para que preste maior atenção aos problemas do distrito.

Potencial econômico

Dionísio esclarece que a população está aberta ao diálogo com o prefeito. Segundo o vereador, uma alternativa à emancipação seria a Prefeitura destinar uma verba específica para o distrito, prevista em orçamento, para que a população tenha uma garantia.

Com 40 anos de criação, Rubião comporta a maior parte das faculdades da Unesp na cidade, além de empresas como a Duratex, Eucatex e Caio. O vereador acredita que a cidade possa ser mantida com o que gera em recursos econômicos, que seriam aumentados com os repasses de verbas estaduais e federais.

O turismo é outra possibilidade de geração de renda. O vereador não tem cálculos sobre quanto esse ramo poderia gerar para a cidade em termos econômicos, mas acredita na sua potencialidade. Ele cita como exemplo o Museu do Tropeiro que recebe até visitas internacionais. Esse museu conta boa parte da história das tropas de animais que iam até Sorocaba e passavam por Botucatu. É um retrato da economia do período que também guarda suas particularidades em Botucatu. "Até o próprio proprietário foi tropeiro". O clima e a geografia do local também são propícios à instalação de hotéis e similares, o que seria facilitado pela beleza natural da região, com montanhas e muito verde, que seriam utilizados para o Turismo Ecológico.

Dionísio promete levar a bandeira da emancipação até onde puder. Ele diz que está fazendo uma pesquisa sobre a história de Rubião (que se chamava Capão Bonito até 1915) para ter embasamento histórico sobre o assunto. Além disso ele está entrando em contato com deputados para expor a idéia e até já pediu documentos informativos sobre o processo de emancipação.

Prefeitura de Botucatu não quer separação

Apesar de grandes empresas estarem instaladas em Rubião, autoridades botucatuenses alegam que o distrito passaria por dificuldades

O prefeito de Botucatu, Pedro Losi Neto (PSDB), já se manifestou na imprensa de Botucatu sobre a tentativa de emancipação de Rubião Junior. O prefeito é contrário ao pedido. Extra-oficialmente, alguns vereadores também se manifestaram contrários à emancipação. Segundo um deles, a renda de Rubião é muito pequena e a cidade não teria como se manter. Além disso, seria necessário muito dinheiro para criar a infra-estrutura administrativa da cidade. O vereador pergunta: como criar a estrutura, como manter uma Câmara, uma Prefeitura, escolas, hospitais? Ele destaca também que Rubião Junior, apesar de ser um distrito, culturalmente é muito ligado a Botucatu, sendo considerada mais um bairro da cidade do que uma cidade separada dela. Muitas pessoas que trabalham em Rubião, como a grande maioria dos funcionários da Unesp, moram em Botucatu.

Segundo o assessor de imprensa da Prefeitura, Hélio de Souza, 51 anos, o posicionamento do prefeito é "totalmente contra o projeto, por considerá-lo inviável". Segundo o assessor, "o vereador está simplesmente fazendo o papel dele, de pedir em nome da população. Mas ele já está sentindo que é difícil".

O assessor disse que, também pelo fato de grandes empresas de Botucatu estarem em Rubião Junior, o prefeito se coloca contrário ao projeto. "O momento não é para criar mais despesas. É de economizar. No caso de Botucatu nós estaríamos empobrecendo a cidade e estaríamos criando um outro município já pobre".

O assessor admite que a idéia surgiu porque os moradores de Rubião Júnior perceberam que, com o crescimento do distrito, o prefeito não está olhando com o devido cuidado para aquela região. "Eles estão pensando de modo muito simplista. Eles estão achando que separando, ficando sozinhos, vai dar certo. Mas com que dinheiro?", pergunta. Ele finalizou dizendo que até o ICMS das grande empresas de Rubião retornarem aos cofres da cidade, existiria um tempo muito difícil sem areacadação, podendo causar sérios problemas.

Comentários

Comentários