Economista analisa as novas perspectivas
Economista analisa as novas perspectivas
Texto: Luciano Augusto
Neste final de milênio, as perspectivas mudaram. Crise, deste momento em diante, deverá ser sempre constante. Crise no sentido de transformação, de mudança, de alteração do ambiente, de um novo cenário econômico. Novas idéias estão surgindo e antigos paradigmas estão caindo em desuso.
No momento atual, crise é um estágio permanente do cenário brasileiro e mundial daqui para frente. Com ela podem surgir grandes oportunidades. E é preciso estar atento para não perder o bonde da história e aproveitar as novas tendências que estão surgindo.
Conforme o economista Carlos Sette, a grande tendência hoje
é a segmentação dos mercados. Grandes chances podem ser aproveitadas quando se analisa bem qual o segmento que se quer atuar. Como exemplo, o especialista cita o ramo de produtos que facilitam a vida de mulheres que trabalham fora, produtos para a terceira idade entre outros. Tudo, entretanto, dentro de um grau de dificuldade muito grande comas oportunidades cada vez mais restritas.
Para quem quer montar um negócio próprio, é preciso ter em mente que velhos conceitos ganharam uma nova visão. O conceito de lucro, por exemplo. De acordo com Sette, lucro hoje
"é o grau de satisfação que o consumidor tem ao adquirir um produto da sua empresa". O consumidor do seu produto deve lembrar sempre da sua marca e associar a ela uma boa imagem.
Outro recado importante é ter talento para o novo empreendimento, que deverá ser "multiplicado com os recursos disponíveis para poder fazer disso um grande sucesso".
Os negócios em nível regional devem ser vistos com bastante atenção. Como disse Sette, "estamos numa região bastante pobre em oportunidades de negócios, onde todo mundo apresenta um quadro recessivo". Entretanto, a "estratégia é pensar globalmente, utilizando os novos conceitos, e agir regionalmente".
Sonho de negócio próprio deve ser aperfeiçoado
Texto: Luciano Augusto
O momento econômico é difícil e você acabou de perder emprego. Desespero não é o melhor caminho. Para o Sebrae, é hora de procurar orientação e aperfeiçoar o sonho de deixar de ser empregado. Três fatores são essenciais para o sucesso de um novo empreendimento: dedicação, qualificação e pesquisa de mercado.
O Sebrae, um dos maiores bancos de consultoria na área de empreendimentos do Brasil, agrega todos os tipos de informação para qualquer tipo de atividade. Lá, além do pré-atendimento no balcão, você pode receber consultorias específicas adequadas à sua necessidade. O Sebrae oferece, por exemplo, consultores especializados em áreas como exportação e administração.
Partindo do princípio de que a pessoa não conseguiu encontrar uma recolocação no mercado de trabalho, a próxima etapa é procurar alternativas próprias de sobrevivência, numa área onde se tenha afinidade. Como crise, no dialeto chinês, quer dizer oportunidade é hora de se procurar colocar em prática uma idéia antiga ou sonho de vida.
De acordo com o consultor do Sebrae, Paulo Roberto Xavier, "numa fatalidade que é perder o emprego, a pessoa acaba achando um novo mercado. É a hora do pulo do gato".
O passo seguinte é procurar orientação. O Sebrae contribui para tornar micro ou pequenas empresas
mais competitivas, com crescimento auto-sustentado, geradora de empregos e, finalmente, mais lucrativas.
Dada a orientação, é preciso transformar a idéia em realidade, se informando sobre as dificuldades, exigências, possibilidades e rentabilidade do novo negócio. Para isso, afirma Xavier, "o Sebrae tem condições de dar todo tipo de esclarecimentos e orientação, dentro, é claro, do bom senso".
Conhecidos os pormenores da nova atividade, é hora de adequar o sonho à realidade e à sua capacidade de investimento. Como diz o consultor, "independente de que tipo de negócio que você vá abrir, haverá problemas, e é muito bom se gostar destes problemas, por isso a importância da afinidade com a atividade".
Mas, e a crise? Com a crise, é "hora de arrumar a casa e mostrar para o seu cliente que a sua empresa faz diferença". No momento, os lucros a curto prazo devem ser esquecidos. Conforme Xavier, "quem investe no momento ruim colhe os frutos na hora boa". A estratégia mais adequada é tentar diminuir a distância entre empresa e cliente e, se "terminar o jogo no zero a zero" já se está ganhando, neste cenário recessivo atual.
O sucesso do seu novo negócio, avalia o consultor do Sebrae,
é diretamente proporcional a dedicação, a qualificação e a pesquisa que se fez em relação ao investimento. Com isso, o percentual de sucesso é de 100%".
Um outro ponto importante para a boa saúde da empresa é sempre ter em mente que os "lucros" no final do dia não são seus, mas sim da sua empresa. Estabelecer uma retirada mensal é um bom exercício para controlar os gastos e manter as contas em ordem.
Paciência é a palavra-chave para os novos empresários. O sonho não está realizado assim que se abre um empreendimento. É necessário ter em mente que "o
único responsável pelo seu sucesso ou fracasso é você mesmo. Não é todo mundo que nasce com o dom empreendedor, mais ele pode ser lapidado".
Franchising é boa opção de negócio contra crise
Para a Associação Brasileira de Franquias (ABF), 99 será um ano de desafios. Entretanto, mesmo diante do quadro recessivo atual, com perspectiva de crescimento negativo do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1 e 1,5%, o franchising pode ser uma opção interessante para quem perdeu o emprego e possui uma pequena reserva monetária e quer investir no seu próprio negócio.
O interesse do capital estrangeiro por investimentos no segmento aliado à crescente procura por negócios em franquia vêm tornando o franchising um dos núcleos de excelência de nossa economia. Mas, apesar de ser um segmento bem estruturado, o setor deve acompanhar as exigências do mercado nesse próximo ano.
O primeiro passo para se decidir por uma franquia é fazer uma avaliação prévia do segmento que se pretende seguir. De acordo com o presidente da ABF, Fábio P. Guimarães,
"o pretenso investidor deverá ser mais comedido ao arriscar seus recursos, porque, apesar de o mercado estar estável, a tônica é de cautela com o quadro recessivo e o boom das franquias já passou".
A ABF aponta o setor de prestação de serviços como um dos mais atraentes e que apresentam maior potencial de crescimento, sobretudo as franquias de custo mais baixo e as que trabalham com mercadorias de valores não muito altos.
Outros setores como educação e ensino juntamente com empresas de conservação e limpeza também devem apresentar um crescimento razoável este ano. Outra tendência verificada nos últimos anos é a conversão de empresas já existentes em franquias.
Além destes segmentos, uma novidade está chegando no Brasil já no primeiro semestre: são as franquias sociais, organizações não governamentais sem fins lucrativos. Daqui a pouco, você poderá, por exemplo, ser um franquiado do Greenpeace no Brasil.
Mesmo 99 sendo um ano com boas perspectivas para o mercado de franquias, todo cuidado é pouco. A ABF aponta como pontos essenciais para o bom andamento dos negócios a preocupação constante com a redução dos custos administrativos, o controle dos estoques, o treinamento do quadro funcional, oferecendo atendimento qualificado.
Os analistas econômicos sinalizam que a economia deve retomar seu crescimento a partir do segundo semestre, desde que o governo saneie as contas públicas, diminua as taxas de juros e implemente a reforma tributária.
Para Guimarães, "somente dessa forma, o mercado vai poder obter os superávits de que necessita para voltar a apresentar um crescimento econômico em bases sustentadas".
Como diz o presidente da ABF, "para manterem-se competitivas no mercado, as franquias vão ter que aliar o produto com a prestação de serviços. Assim as empresas vão ter que adotar novas estratégias para permanecerem no mercado".
Junta comercial prega equilíbrio das contas
O desemprego acabou "incentivando" muitos empregados a buscar alternativas de sobrevivência. Uma delas foi abrir o próprio negócio.
Para manter a boa saúde de uma empresa recém aberta, o melhor é não se descuidar do binômio receita e despesa. Um relacionamento saudável entre estas palavras, pode ser a garantia de vida longa para o seu empreendimento.
Como conta Cris Moreno, diretor regional da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), muitas pessoas que perderam seus empregos, a partir de outubro do ano passado e que tentaram, sem sucesso, uma recolocação no mercado de trabalho, têm procurado alternativas de sobrevivência.
Uma tendência atual verificada pela Jucesp é o aumento da procura para abrir uma empresa própria. De acordo com Moreno, "muitas pessoas que foram dispensadas do emprego e receberam indenizações, começaram a procurar um novo emprego, mas se depararam com o problema do desemprego". Com isso, sobrou a opção de abrir uma empresa própria e deixar de lado os "mandos e desmandos" dos patrões.
A Jucesp acusou uma procura "anormal" em relação aos pedidos de constituição de novas firmas neste início do ano. Como disse Moreno, "com a crise econômica, as pessoas estão dispostas a apostar no seu próprio sonho". Os fechamentos manteram-se estáveis em janeiro e não existiram em fevereiro.
Embora os números sejam menores em relação ao mesmo período do ano passado (veja quadro), é importante destacar que naquele momento, a situação econômica era outra. A estabilidade dava segurança no emprego e adiava os sonhos de virar patrão.
Uma das primeiras preocupações que deve existir com o novo empreendimento diz respeito à constituição do capital social da empresa, necessário para colocá-la em atividade. Embora o próprio diretor da Junta Comercial afirme que "este valor hoje é fictício",
é bom não tomar empréstimos de terceiros nesta fase inicial do negócio. Como disse, "para se constituir uma empresa de sucesso, não pode depender de capital de terceiros. Os investimentos que forem feitos devem ser pagos imediatamente, com recursos próprios". Além deste lembrete essencial, completa, "a empresa também tem que oferecer qualidade nos produtos e preços acessíveis".
Com as contas em dia, dá para negociar, por exemplo, diretamente com o fabricante da matéria prima, sem a figura do atravessador. Com isso, a margem de lucro da empresa aumenta e a reposição e o custeio da produção ficam facilitados.
Caso haja interferência de capital de terceiros na fase inicial do seu empreendimento, os riscos são maiores. Se ocorre, por exemplo, uma "complicação em relação ao capital tomado por empréstimo, as coisas tendem a sair fora de controle". Neste caso, a primeira conseqüência
é a perda de crédito na praça. Com isso, o fornecedor passa a dificultar as vendas e aparece a figura do atravessador, que já tem embutido no preço do produto a sua margem de lucro. A margem de lucro da sua empresa recém constituída começa a despencar em razão da competitividade do mercado. Então, alerta Moreno, "você começa a trocar figurinhas até um determinado período, depois se entra num buraco, no déficit total e o vermelho vira sangue a qualquer momento".