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Consumo de gordura

Redação
| Tempo de leitura: 7 min

Colesterol e obesidade: os grande vilões

Colesterol e obesidade: os grandes vilões

"Tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda"

Para você, leitor, essa é só a frase de uma música famosa ou uma lamentação que faz parte do seu dia-a-dia? Se a segunda opção soa como mais adequada, é melhor começar a preocupar-se, especialmente, com o último aspecto da colocação: a gordura. Não tanto pelo lado estético (as gordurinhas a mais que incomodam tanta gente), mas pelos males que seu excesso pode causar à saúde.

O colesterol e a obesidade estão entre os maiores maiores vilões no que diz respeito a uma dieta rica em alimentos gordurosos. Existem outras patologias que podem estar associadas

às primeiras, como o câncer de mama nas mulheres, de próstata nos homens e de cólon (intestino grosso), em ambos os sexos.

O colesterol e a obesidade são classificados pelos médicos como fatores de risco. Outros, são a pressão alta

(hipertensão arterial sistêmica), o tabagismo, o sedentarismo e o diabetes. A combinação desses fatores de risco pode trazer muita dor de cabeça (inclusive, literalmente) para a pessoa em questão.

Gordura

A gordura costuma ser dividida em três tipos: triglicerídeos, fosfolipídeos e colesterol. Segundo Rosângela Barone, 38 anos, 90% do que consumimos é triglicerídeo, de 5 a 7% é fosfolipídeo e de 5 a 3% é colesterol. O colesterol só está presente em gorduras animais, enquanto os outros dois, tanto na animal como na vegetal.

Os triglicerídeos, constantes em grande escala em nossas mesas, podem apresentar-se na forma de gordura saturada, monoinsaturada ou poliinsaturada.

A saturada, encontrada nos alimentos de origem animal, (pele das aves, embutidos, carne vermelha, gema, gordura do leite e derivados), no fígado, pode transformar-se no chamado "colesterol ruim". As gorduras mono e poliinsaturadas dos vegetais são mais aconselhadas.

O peixe é a única exceção dentre os produtos de origem animal, pois sua gordura está no segundo grupo, sendo um alimento ideal quando consumido cozido ou assado. Já o abacate, o coco e seus derivados, são exceções dentre os vegetais, com alto teor de saturação.

A gordura é 2,25 vezes mais energética do que os demais nutrientes. Isso significa que cada grama de gordura fornece ao corpo nove calorias. Um grama de carboidrato (como o açúcar, as massas), por sua vez, "apenas" quatro calorias. Comendo muita gordura, obtém-se mais energia. O excesso que não for gasto, torna-se tecido adiposo, ou seja, faz engordar, na

"melhor" das hipóteses.

Colesterol

O colesterol é um tipo de gordura produzida pelo fígado e presente, também, nos produtos de origem animal. É transportado no sangue por pacotes chamados de lipoproteínas. A porção de colesterol LDL (low density lipoprotein

= lipoproteína de baixa densidade, em Inglês), transporta o "colesterol ruim" para o organismo. A HDL (high density lipoprotein = lipoproteína de alta densidade), refere-se ao "colesterol bom".

O "colesterol ruim" alto, aumenta o risco de acidente vascular cerebral (AVC, o popular derrame), infarto do miocárdio e trombose nos membros inferiores, porque ele se deposita nas artérias (grandes vasos sanguíneos) e atrai compostos de cálcio, estreitando-as ou entupindo-as totalmente (arteriosclerose). Em termos gerais, segundo a cardiologista Sandra de Oliveira Rodrigues, 29 anos, "a arteriosclerose é uma placa de gordura dentro do vaso".

O colesterol é mais freqüente em pessoas que estejam acima do peso, mas não necessariamente está associado

à obesidade. Portanto, os magros não estão protegidos. "Eu posso não comer gordura em excesso a ponto de engordar, mas posso, dentro da gordura que eu como, ter um predomínio de gordura animal, o que pode levar ao colesterol ou aos cânceres", disse a nutricionista Rosângela Barone. A cardiologista Sandra Rodrigues lembra que o magro às vezes nem ingere muita gordura, mas pode vir a ter colesterol alto.

O colesterol pode manifestar-se em crianças com predisposição genética, ou seja, história familiar. Nesse caso,

é indispensável que ela tenha um acompanhamento de rotina, no máximo a cada ano. O adulto precisa de um check up, também, uma vez por ano, através do qual podem ser constatados diversos "dessarranjos" no organismo.

A adoção de uma dieta balanceada é o primeiro passo para tentar conter o colesterol, mas, em alguns casos, deve ser associada à administração de medicamentos apropriados para aliviar a enfermidade. A recomendação atual é que a ingestão de colesterol não seja superior a 300 mg por dia.

Obesidade

Alguns estudos sugerem que cerca de 1/3 dos adultos e metade das mulheres estão 20% (ou mais) acima do peso ideal. Acredita-se que norte-americanos, por exemplo, gastem de 30 a 40 bilhões de dólares, anualmente, em medicamentos, alimentos, academias e outros procedimentos a fim de tentar controlar o peso. A mortalidade em função do mau uso das gorduras é muito grande entre os norte-americanos, que estão iniciando uma mudança gradativa de hábitos. "O recomendável

é o consumo de 25 a 35% de lipídios na dieta. Eles chegavam aos 45 e até 50%", afirmou a nutricionista entrevistada pelo JC.

O "arroz, feijão, bife e salada" do brasileiro, segundo a especialista, não está tão longe do ideal. Mas se a batata-frita, por exemplo, vier a substituir o alface de cada dia, isso pode trazer complicações.

"As pessoas estão esquecendo dos vegetais. É necessária a presença do legume, da verdura e da fruta, ricas em fibras, que são fundamentais para o controle do colesterol e do peso".

Mesmo com o corre-corre diário, o consumidor deve sempre dar preferência aos alimentos frescos e crus. "Hoje, procuram-se soluções rápidas e práticas. A indústria conseguiu chegar numa relação custo-benefício boa, na qual a perda de nutrientes é pequena. Por outro lado, aditivos e conservantes são extremamente prejudiciais à saúde. Ainda não há nada que substitua uma boa comidinha caseira de antigamente: arroz, feijão, carne com muita salada e sobremesa tipo salada de fruta", considerou.

O leite e seus derivados, ricas fontes de cálcio, não devem ser totalmente retirados da dieta, ainda que em casos de obesidade. O ideal é substituí-los por similares mais "magros", os desnatados e, no caso dos queijos, os menos amarelos. Pelo menos duas vezes ao dia, algum alimento desse grupo deve ser consumido: um copo de leite, um pote de iogurte, coalhada, uma fatia de queijo branco (minas) ou ricota. A falta de cálcio pode levar a um enfraquecimento dos ossos, que não suportariam o peso do corpo. Quanto às crianças, só após os cinco anos podem tomar leite desnatado, ainda assim, sob recomendação de um especialista.

Somos carnívoros?

Segundo a nutricionista Rosângela Barone, "essa é uma discussão científico-filosófica. A corrente vegetariana vai dizer que sim, devido à involução do (dente) canino. Eu diria que nós somos as duas coisas. Não é preciso chegar ao extremo, até porque não há como suprir a falta de vitamina B12, só encontrada na carne, no leite e no ovo", explicou.

No início, segundo ela, a carne era queimada, chegando a perder gordura. O nível de atividade das pessoas da época também não se compara ao de hoje. "Se você perguntar: sua avó comia banha? Comia. Apresentou em algum momento da vida dela problema de colesterol? Nunca. E hoje a gente condena o uso da banha. Mas minha avó trabalhava na roça, de sol a sol, como a maioria das pessoas dessa fase. Hoje, as pessoas estão cada vez mais sedentárias: chega no trabalho e fica sentada. Levanta e senta no ônibus ou no carro, vai para casa e senta na cadeira, senta na poltrona e deita", salientou.

Rosângela lembrou, ainda, que o óleo é uma invenção da indústria. Mas, para tudo basta a moderação: nada vai impedir que se saboreie uma boa picanha num churrasco com os amigos.

Dicas para uma vida mais saudável

*crie novos hábitos alimentares e de comportamento, para a vida toda

*consuma muitas frutas e vegetais

*prefira alimentos assados ou grelhados

*escolha cortes de carne com pouca gordura visível

*se o óleo for indispensável, procure usar os monossaturado apenas para cozinhar, assar ou grelhar. Para temperar saladas, azeite de oliva ou canola

*coma alimentos ricos em fibras, como aveia, pães integrais e maçãs

*limite ingestão de gorduras saturadas

*fique de olho nos rótulos: eles podem informar baixos níveis de colesterol, mas altos de gordura saturada

*utilize derivados do leite pobres em gorduras e os desnatados

*substitua molhos calóricos, como maionese por exemplo, por aqueles feitos de iogurte diet ou mostarda

*substitua manteiga por margarina

*troque o ovo inteiro por duas claras ou diminua número de gemas das receitas

Fontes

http://www.members.tripod.com/~eberlin/eberlin_obesid.html (página na internet do Dr. Valter A, Eberlin Filho)

http://www.hexanet.com.br/~marcosdm/colester.html (página na internet com tradução e adaptação da revista American Family Phisycian, feitas pelo Dr. Marcos Dias de Moraes)

wysiwyg://11http://www.geocities.com/Napa Valley/1537/nu06000.html

(página na internet de Francisco Boratto)

Serviço

Rosângela Barone, nutricionista da Humana Alimentar: rua Antônio Alves, 14-21. Telefone: 223-6900

Sandra de Oliveira Rodrigues, médica cardiologista do Centrocard: rua Gustavo Maciel, 22-80. Telefone: 224-3310

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