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Polícia comunitária

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 5 min

Polícia de Bauru precisa ter mais contato com a comunidade

Polícia de Bauru precisa ter mais contato com a comunidade

Texto: Márcia Buzalaf

A Polícia Comunitária é uma forma de aproximar a Polícia Militar da comunidade bauruense. O trabalho que vem sendo desenvolvido é para tentar uma aproximação maior com os moradores da cidade. A idéia de que o policial tem que ser "durão" já está sepultada pelas más experiências deste tipo de comportamento policial. Esta é a análise feita pela jornalista policial do escritório de informações públicas do departamento de polícia de Miami-Dade, Ani Delforn.

Delforn veio a Bauru para explicar como o programa comunitário de Miami-Dade funciona e sua viabilidade em uma cidade como Bauru. A cidade, segundo ela, impressiona pelas similaridades com Miami, assim como a estrutura da polícia militar da cidade.

A diferença entre o tipo de atividade desenvolvida na polícia de Miami e aquela feita no Brasil, segundo Delforn, é a proximidade com a comunidade. Ela disse que enxergou a distância entre os policiais e a comunidade como um problema a ser resolvido logo. "O problema é que a comunidade não está envolvida com a polícia. Aqui, eu acho que os policiais são amigáveis, mas eu não vejo os bauruenses unidos com a polícia. E não há dúvida: precisa existir um elo forte entre a polícia e a comunidade para que a criminalidade caia", explica Delforn.

Miami

Entre números e resultados obtidos na capital da Flórida, Delforn pôde lançar críticas construtivas ao sistema policial de Bauru e as formas de iniciar um trabalho policial comunitário, que envolva a todos no combate ao crime.

O Departamento de Polícia de Miami-Dade é o maior departamento policial do sudeste dos Estados Unidos. Lá, trabalham cerca de cinco mil pessoas, sendo que três mil são policiais.

O programa de polícia comunitária, explica Delforn, em vigor há 30 anos, possibilitou, nos últimos seis anos, uma redução de 92% dos roubos aos turistas e de 24,7% de homicídios. De 96 até 98, a redução nos roubos em geral foi de 35% e sendo que este índice, nos últimos oito anos, cresce para 53%.

O método para se atingir a redução nos crimes, conta Delforn, não é imediato e deve ser implantado rapidamente para que as próximas gerações vivam com mais tranqüilidade na comunidade.

Perseverança e proximidade com a população, segundo Delforn, são as armas indispensáveis para o combate ao crime.

De acordo com ela, o programa funciona, não é apenas um sonho. Mas Delforn alerta que os resultados são lentos. A polícia de Miami está desenvolvendo o projeto comunitário há nada menos do que 30 anos.

A possibilidade de alcançar os mesmos objetivos do que a cidade americana são grandes, afirma Delforn. Ele diz que as similaridades de Miami e Bauru, são enormes: "a cultura, as pessoas e os negócios são os mesmos".

Para isso, a polícia tem que mudar. "Ninguém gosta de viver em perigo, nem mesmo a polícia", completa Delforn. Mas cabe à polícia reduzir os crimes -

é ela quem tem poder para isso. O ponto mais importante

é saber como isso deve ser feito.

Métodos

De acordo com a jornalista, existem várias formas de se diminuir os problemas de uma cidade. Ela conta que, em Miami, quando alguém pixa com tinta os muros de uma casa, o proprietário

é que é responsável pela limpeza em 48 horas.

"Você é o dono, é sua propriedade. Se não limpar, nós vamos até você para aplicar uma multa. Se não puder limpar por algum problema de saúde, nós mandamos alguém para limpar para você, com a cobrança de uma taxa", explica.

No primeiro dia, conta Delforn da experiência que tem, o jovem vai pixar novamente. Talvez até faça isso mais algumas vezes, mas o interesse por pixar o muro vai diminuir a cada vez que ele vir que o proprietário limpou o muro.

"Isso é a natureza humana - não funciona apenas com os americanos", explica ela.

Delforn diz que, prender um jovem por algum delito, é o mesmo que cortar uma árvore doente. "Nós precisamos tirar a raiz - e isso demanda mais tempo, esforço e força. Mas este é a única forma", alega.

Ela conta que os Estados Unidos gastam, com educação anual de uma criança, US$ 3 mil por ano. Para manter um prisioneiro, os americanos gastam cerca de US$ 15 mil anualmente.

"Onde estão nossas prioridades?", questiona Delforn quando passa os números.

A forma que a polícia de Miami-Dade tem de arrancar a raiz da árvore dos problemas é aliar proximidade com a comunidade e autoridade.

Nesta questão, Delforn acredita que o poder policial é muito forte. A polícia, diz Delforn, tem que deter o controle da situação, mas não pode abusar dele. "Quem decide o grau de autoridade que a polícia deve ter é a população", completa.

Mídia

Na posição de jornalista, Delforn conta que o relacionamento entre a mídia e a polícia é muito delicada. Ela conta que, em Miami, ela observa que a imprensa só dá valor para os pontos negativos. "Como uma jornalista, eu entendo o trabalho na mídia. Eu entendo que a imprensa tem muita responsabilidade e influência sobre as pessoas", diz.

O apoio empresarial também é importante para a redução do crime. Por isso, a iniciativa privada americana organizou o

"Youth Crime Watch of America" (Vigilantes do Crime Juvenil na América), que financia vários programas para a redução de crimes no continente.

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