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Josefa Cunha
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Revelações da Polícia monopolizam sessão

Texto: Josefa Cunha

A prisão de parte dos autores dos atentados contra os vereadores e a indicação de Antonio Izzo Filho como o possível mandante dos crimes monopolizaram os discursos na sessão da Câmara de ontem à noite. A atuação da Polícia no esclarecimento dos fatos e o desempenho profissional do Jornal da Cidade e outros órgãos de comunicação na cobertura dos assuntos políticos que os acompanharam foram ressaltados por quase todos os parlamentares que fizeram uso da Tribuna. Projetos e outras discussões de praxe ficaram em segundo plano na noite de noite.

Vítimas ou não dos atentados, os vereadores foram unânimes em elogiar as investigações policiais, embora viessem cobrando maior empenho nas últimas semanas. Na sessão da semana passada, inclusive, a Casa aprovou uma moção de apelo para o reforço de segurança policial aos vereadores. O documento iria ser encaminhado à Secretaria Estadual da Segurança Pública, mas a Polícia de Bauru pediu o voto de confiança dos parlamentares, garantindo o breve esclarecimento dos crimes.

Para a maior parte dos vereadores, os crimes estão desvendados e apontam Antonio Izzo Filho como mandante e responsável direto. São eles as vítimas dos atentados e os potenciais futuros alvos, ou seja, vereadores que vinham em oposição clara ao prefeito afastado. Há, porém, quem ache que os esclarecimentos policiais apenas começaram, como

é o caso de João Parreira de Miranda. O peemedebista, que não figurou como vítima, mas que temia os atentados, acha que a Polícia chegou apenas aos "peixes pequenos". Os "tubarões", os mais perigosos em sua opinião, continuam livres e precisam ser detidos.

Os vitimados, por sua vez, mostraram-se satisfeitos e acreditam que o "sossego" será restabelecido a partir de agora. Lucrécio Jacques (sem partido), por exemplo, acha que a prisão dos autores confessos dos atentados desmorona a "máfia". O vereador, cuja assessora parlamentar teve o carro alvejado por tiros de revólver, comparou Izzo Filho a "Al Capone" e traçou paralelos pesados entre o prefeito afastado e o famoso gangster.

A condição de Izzo Filho como mentor dos atentados não chegou a surpreender. Luiz Roberto Relvas e Luiz Carlos Valle, pedetistas que tiveram suas casas atingidas por bombas caseiras, disseram que não tinham dúvidas sobre a autoria dos crimes. O tucano Rubens Spíndola, outra vítima dos atentados, também esperava pelo envolvimento do prefeito afastado. "Nós sabíamos que o motivo do terrorismo era político e que sua autoria só podia ter vindo de onde veio mesmo. Obviamente, o Izzo vai negar, mas até hoje ele nunca assumiu nada, nem mesmo a responsabilidade pelos atos errados de seus secretários e assessores", avaliou.

Izzo deve perder apoio de seus últimos aliados

Texto: Josefa Cunha

As revelações da Polícia sobre os atentados aos vereadores parecem ter derrubado definitivamente o apoio que o prefeito afastado Antonio Izzo Filho ainda possuía na Câmara Municipal. Com exceção do ex-líder Rino Biagio, que se recusou a comentar o episódio, os demais parlamentares que votaram contra a cassação e que mantinham um sutil apoio indicaram o "abandono do barco". Catarina Carvalho (sem partido), Leandro Martins (PPB) e José Eduardo Ávila (sem partido) não defenderam, desta vez, a possibilidade de Izzo Filho não ter envolvimento nos fatos.

A postura mais evidente foi de Catarina Carvalho, que disse não ter dúvidas sobre a veracidade dos depoimentos prestados pelos acusados dos atentados. Em sua opinião, a Polícia agiu com muito apuro e merece total credibilidade. Os esclarecimentos relativos aos atentados, porém, não teriam influenciado a postura política da parlamentar, que há tempos já estaria contra a permanência de Izzo na Prefeitura.

"Minha posição política definiu-se em agosto do ano passado, com a cassação. Naquela época, não vi relação direta dos fatos com ele e votei conscientemente. Não me arrependo. Depois disso, porém, muitas outras coisas apareceram e eu percebi que o Izzo se afastou da cidade. Um prefeito tem que andar livremente pelas ruas e ele não conseguia fazer mais isso. Quando os atentados começaram, tive dúvidas sobre os autores; podia ser gente aproveitando do momento político, mas eu acredito no desfecho que a Polícia deu ao caso. Não tem mais porquê o Izzo continuar como prefeito", avaliou.

O vereador Leandro Martins foi menos incisivo, mas admitiu que sua postura na Câmara certamente muda diante dos novos fatos.

"Fiquei estarrecido com essas coisas absurdas e o nome do prefeito por trás disso desmerece nossa confiança e apoio. Os fatos anteriores estavam ligados à política, mas partir para o banditismo é inaceitável. Minha postura aqui na Câmara muda, porque a Polícia age em cima de fatos", justificou.

O ex-pepebista José Eduardo Ávila não quis

"jogar pedras" no prefeito afastado, mas julga que as evidências contra ele são quase incontestáveis. Em seu entendimento, Izzo complicou-se muito com a história dos atentados, principalmente por envolver processo na esfera criminal. "Quando a discussão está em nível de processo civil, ainda é possível entender, mas o envolvimento criminal é insustentável. A situação para ele é irreversível", opinou.

Dos quatro últimos apoiadores declarados, apenas Rino Biagio reservou comentários. Apenas disse que, apesar de sua independência política desde a cassação, continua sendo citado como líder de Izzo. A declaração, ainda que limitada, indica que Rino não quer mais seu nome vinculado a Izzo Filho.

Os comentários dos poucos vereadores até então tidos como izzistas indicam o fim próximo de um grupo que, há cerca de um ano, parecia invencível. No início de 1998, Izzo Filho tinha um bloco forte, sustentado por maioria quase absoluta da Casa - 13 parlamentares o apoiavam. No julgamento que cassou seu mandato, apenas quatro deles lhe foram favoráveis. Sua sustentação política já vinha frágil e dá indícios que pode não existir mais até o julgamento da nova Comissão Processante, que deve ocorrer ainda este mês.

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