Acordo adia desocupação em Piratininga
Acordo adia desocupação em Piratininga
Texto: Marcos Zibordi
Oficiais de justiça estiveram na área invadida ontem para cumprir a ordem de reintegração de posse que foi adiada para a sexta-feira
Piratininga - As cerca de 80 famílias, ligadas ao Movimento Agrícola de Sem Terra (Mast), que há duas semanas ocupam parte do antigo horto da Fepasa, em Piratininga, devem deixar a área até sexta-feira dia 5. Ontem pela manhã oficiais de justiça estiveram no local para cumprir a ordem de reintegração de posse expedida pelo juiz Luiz Roberto Fink Júnior e acabaram dando mais dois dias para o sem-terra.
A terra está arrendada para a indústria de papel e celulose Ripasa. A partir de sexta-feira, os agricultores devem acampar na estrada que liga Piratininga a Cabrália Paulista e esperar pelo assentamento.
A notificação pelo oficial de justiça, assim com o acordo com os ocupantes transcorreram sem incidentes. Os sem-terra argumentaram que não poderiam sair do horto imediatamente, levando as pessoas que estão no local. O oficial de justiça fez, então, uma ligação telefônica para o juiz que, após a concordância da Ripasa, estendeu o prazo para desocupação até amanhã.
Segundo José Mateus, 49 anos, líder dos acupantes, não há nenhum impedimento ao diálogo com as autoridades. Mateus disse que vai participar hoje de uma reunião com representates do Governo Estadual para discutir a situação dos acampados de Piratininga.
As famílias cadastradas para o acampamento no horto já estão quase todas no local. Segundo Mateus, a área está sendo limpada e preparada para o plantio. Ele reforça a posição dos ocupantes de não interferirem na área de eucalipto pertencente à Ripasa.
Segundo os líderes do movimento no horto, eles irão cumprir a determinção judicial de sair da área e acampar em algum lugar na região, talvez na beira de alguma estrada, para continuarem reivindicando uma área.
Mateus disse que todas as ações do Mast seguem a orientação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado de São Paulo (Fetaesp). Por enquanto, os acampados não estão passando por dificuldades graves em relação à alimentação e remédios, mas estão aceitando doações.
O líder dos sem-terra disse que o grupo escolheu o horto da antiga ferrovia estadual para ocupar porque aquelas terras já foram indicadas para reforma agrária mas, mesmo assim, hoje estão arrendadas.
O grupo, que atua a partir do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mineiros do Tietê, na região de Jaú, fez um levantamento de terra ociosas e agricultáveis da região central do Estado e chegou à conclusão de que há
áreas suficientes para abrigar pelo menos 80 mil famílias.