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Pesqueiros

Roberta Mathias
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Revista avalia pesqueiros

Revista avalia pesqueiros

Texto: Roberta Mathias

A região de Bauru está marcando presença nas páginas da revista Troféu Pesca neste ano. Reginópolis

(edição 225/dez. e jan. 99) mostrou a sua pesca

às margens do rio Batalha, Arealva (na mesma edição) contribuiu com o seu pesqueiro, e Sabino (edição 226/fev. 99) apresentou suas possibilidades de turismo e pesca. Agora é a vez dos pesqueiros Sakai e Pexe-Loko marcarem presença na Troféu Pesca.

No sábado passado, a equipe responsável pela avaliação de pesque pague da revista esteve na região para conferir as condições desses dois locais. Mensalmente, a Troféu Pesca publica, para todo o País, um relatório sobre os pesqueiros que visitam durante o mês.

Marco Jorge Lafiandre é o responsável pela avaliação dos pesqueiros conferindo tudo o que é oferecido e observando o que não é. Vale salientar que a avaliação considera desde o tipo da água, quantidade de peixe, variedade, infra-estrutura, serviços oferecidos (iscas, varas, limpeza, etc.) até opções de refeição, preços e atendimento. Lafiandre conta com o apoio do fotógrafo José Antônio Faustino, o Jaf, que o acompanha nas reportagens atento a todos os detalhes.

A dupla tem viajado por vários Estados brasileiros conhecendo as características de cada região e valorizando as atividades em pesqueiros que a cada dia possuem um número maior de frequentadores. Lafiandre acredita que só no Estado de São Paulo existam aproximadamente três mil pesqueiros entre os oficiais e não-oficiais. Ele já avaliou mais de 300 pesqueiros brasileiros e conhece a importância de se valorizar essa modalidade de pesca.

Há muito tempo as pessoas que frequentavam pesque-pague eram vistas como pescadores de fim de semana, que não enfrentam o rio e ficam pescando onde o peixe é certo. Hoje mudou-se o perfil do pescador de pesque-pague, que preocupa-se mais com equipamentos e técnicas. Com essa mudança, os pesqueiros começam a investir mais na esportividade da pesca, colocando peixes mais agressivos como o matrinxã, dourado e pintado, e oferecendo o lazer para a família.

Lafiandre é um grande incentivador da pesca em família e preocupa-se também com a necessidade do consumo de peixe. Apesar de ser um alimento com grande valor nutritivo, o peixe ainda é pouco consumido no Brasil. Além de proporcionar momentos alegres e descontraídos, ele acredita que a pescaria afasta a família de problemas mais sérios, principalmente com os filhos, na adolescência. "Faça o seu filho trocar a droga por uma vara de pescar", é o seu lema. O que não é difícil, ao observar o grande número de jovens pescadores que passam horas e horas estudando técnicas para atrair o peixe.

A criança também deve ser inserida na pescaria.

"Ela pode até não gostar de peixe, mas comer o peixe que ela pescou é diferente", afirma Lafiandre. A criança aprende a comer o peixe e a valorizar a sua pescaria. Apesar dos espinhos não serem bons aliados na divulgação do alimento, novas alternativas para se preparar o peixe estão resolvendo esse "probleminha" e tornando-o um prato mais popular. Os filés e o peixe desossado trazem o peixe para a mesa do brasileiro.

Em Bauru, no Pesqueiro Sakai, a equipe da Troféu Pesca pôde conferir vários pratos à base de peixe que incrementam o serviço do restaurante. O carro-chefe do Sakai é o sashimi de tilápia que vem sendo consumido pelos frequentadores desde a introdução da espécie no pesqueiro.

O proprietário do pesqueiro, Sérgio Sakai, é pioneiro na área, em Bauru, e sempre estimulou o consumo de peixe. Há 20 anos, a família trabalha com a pesca e, nos últimos quatro anos, Sérgio montou o pesqueiro na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília), Km 350, que pretende ampliar para maior conforto dos pescadores e suas famílias.

Lafiandre e Jaf puderam experimentar o sashimi de tilápia, o filé de tilápia à parmeggiana e, a novidade do pesqueiro, piauçu desossado e recheado. A espécie, desaconselhada para o consumo por sua grande quantidade de espinho, ganhou grande espaço na mesa ao ser servida desossada. A equipe da revista apreciou muito os pratos preparados, salientando, inclusive, a singularidade da lanchonete, se comparado com muitos locais já visitados. Para Lafiandre que também acredita na necessidade do consumo de peixe, a divulgação da culinária realizada por Sakai é muito importante.

Sakai informa que muitos pescadores estão optando por levar o peixe desossado. "É cobrada uma taxa de R$ 2,00 e o peixe (a partir de 2 quilos) sai limpo e desossado. É só temperar e assar!" O sashimi também pode ser encomendado para ser consumido em casa. "As pessoas pedem com antecedência e nós preparamos as bandejas."

Após a pescaria e almoço, Lafiandre e Jaf ficaram rodeados por pescadores, curiosos e jornalistas (a equipe do Pesca

& Lazer também estava lá) demonstrando alguns equipamentos de pesca. Carretilhas, molinetes, varas de vários tipos, anzóis e acessórios passaram de mão em mão. São produtos importados pela Top Marine, patrocinadora da revista.

Todos também tiveram contato com a revista, que fala sobre a pesca em todos os aspectos. Desde divulgação de campeonatos, feiras e pesqueiros, até pesca oceânica, modalidades diferentes de pesca esportiva em rios, mares, e informações sobre peixes, enfim, tudo o que o setor oferece.

Na opinião de Lafiandre, a pesca no Interior é diferente da Capital. "Aqui percebemos que todo mundo se conhece, todos conhecem o dono do pesqueiro e ficam à vontade. Em São Paulo, por exemplo, você não conhece nem a pessoa que está pescando ao seu lado e dificilmente o dono do pesqueiro quer saber quem você é."

Na região, a equipe da Troféu Pesca pôde conferir a proximidade de pescadores e proprietários nos dois pesqueiros que visitaram. O Pexe-Loko, em Agudos, também é totalmente administrado pela família. "No futuro, quero uma casa como a dos proprietários do Pexe-Loko, no meio do lago. Só para pescar", conta Lafiandre. Ele

é um industrial que encontrou a possibilidade de fazer o que gosta nos finais de semana.

Lafiandre pesca todas as quartas-feiras (é sagrado!) e nos finais de semana, quando vai fazer reportagens. Ele pesca há 30 anos, dos quais dez especialmente em pesque-pagues. Sua próxima aventura será no Xingu, em busca da tão cobiçada piraíba. Ficarão lá, acampados, esperando a sorte grande. "Para pescar um belo peixe é preciso vara na mão, o peixe passando, sentir vontade de comer e pegar a sua isca", profetiza. Quem sabe nessa pescaria ele encontra uma piraíba com mais de 150 quilos passando pelo seu anzol? Sorte? Talvez.

Esse pescador avesso às iscas artificiais, sempre procura uma nova receita em um bate-papo de pescador. Nessas horas, eles trocam figurinhas de pesca, uma massa com paçoca, uma nova forma de cevar, uma frutinha diferente para colocar no anzol... vale tudo pelo prazer da pescaria. E essas histórias sempre começam na beira do lago... onde tiver dois ou mais pescadores.

Bauru - Pesqueiro Sakai fica na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília), Km 350, Bauru. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, a partir das 13 horas, e nos finais de semana a partir das 8 horas. O telefone para contato e informações é (014) 972-9010. você pode fisgar pacu, piauçu, tilápia, tilápia vermelha (sampiter), pintado e variedades de carpa. No restaurante, o pescador pode comer ou beber alguma coisa. Há vários pratos à base de peixe, como caldo de peixe, pirão, filé de tilápia à parmeggiana, piauçu desossado e recheado e sashimi de tilápia. Além de porções e aperitivos. O pesqueiro aceita encomendas. O Pesqueiro Sakai vai realizar, no final de semana de 20 e 21 de março, um campeonato de pesca.

Agudos - O pesqueiro Pexe-Loko fica na rodovia Marechal Rondon, Km 320, em Agudos, após o trevo da Duratex. O telefone

é (014) 262-1486 ou 972-5451. O local fica aberto todos os dias, a partir das 8 horas. Há um tanque de um alqueire com dourado, pintado, pacu, piauçu, tambacu, patinga, piraputanga, carpa-cabeçuda, carpa húngara, carpa espelhada, catfish, traíra, matrinxã, tilápia e lambari, onde o pescador paga R$ 15,00 o leva todos os peixes que pegar, não precisa pesar. Tem mais quatro tanques pesque e solte, em que o pescador paga seis reais para pescar e soltar. Na lanchonete há uma grande variedade de porções. O pesqueiro possui também um playgrond e um campo de futebol suíço.

************* História de pescador

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Esses pescadores e caçadores... Em um sábado, estive num almoço em Reginópolis, propriamente no rancho do sr. Mário, às margens do nosso rio Batalha.

Durante o almoço, um companheiro de Reginópolis contou que: possuiu um cachorro perdigueiro que era "fora de série", pois quando, na caçada de codorna, ao atirar na ave seu cachorro imediatamente ia buscá-la e já no caminho de volta com a ave na boca não perdia tempo, já "amarrava" outra codorna, o que o tornou o maior caçador da região.

Diante disso eu contei: que em Avaí tinha um grande caçador de codornas chamado "Nenê Balaio" (o apelido era porque ele tinha muita sorte na pescaria e na caçada e que entre nós, na "gíria", demos o apelido de "Balaio").

Mas "Nenê Balaio" já não enxergava muito bem, mas não sabíamos como ele matava tanta codorna.

Um dia fomos juntos caçar as infelizes codornas e descobrimos o segredo do grande caçador de codornas.

Nenê Balaio, apesar da sua deficiência (não enxergava bem), tinha em seu cachorro perdigueiro "Pitoco" a compensação, pois toda vez que "Pitoco" amarrava uma codorna, sinalizava a localização da codorna apontando a ave através do Rabo, por cima do corpo. Não tinha erro, era mais uma codorna no embornal.

Quando acabei de contar essa façanha, foi um silêncio e depois só risos, e o assunto de caçada foi encerrado.

A japonesa de branco

Quando na juventude pescávamos bagre, à noite, junto a uma turma de pescadores de Avaí nos rios da nossa região, tinha um local que nós respeitávamos, era a "Ponte da Santana", no rio Batalhinha, pois corria uma história que, de madrugada, aparecia uma senhora japonesa vestida de branco, a qual passava pela ponte e não falava com ninguém, e o estranho é que ninguém a conhecia e ela não morava em Avaí nem nas cercanias.

Mas, segundo os moradores antigos da região, diziam que, antigamente, naquele local, uma mulher tinha cometido o suicídio.

Um dia marcamos a pescaria de bagre para aquele local e fomos em uma turma: Capitão, Zequinha, Zé Mineiro, Zeca Venâncio, Nenê Balaio e outros que não me lembro.

No local, a turma se espalhou, cada um procurando o melhor "poço" para fisgar os "bigodudos", enquanto eu, Zequinha e Carlito permanecemos na Ponte, onde pescávamos e também fazíamos um churrasquinho.

E o silêncio da noite e da pescaria de repente foi quebrado, com o barulho de alguém correndo no mato e gritando e vindo na nossa direção, era o Zé Mineiro que estava pálido como um papel, dizia que no lado onde pescava tinha uma assombração que possivelmente era a "Japonesa de Branco", pois ela fazia um barulho constante desse jeito

"Toc, Toc, Toc, Toc, Tchiiiiiii!!, e o pior que fui verificar e não vi nada.

Nesse momento chegaram os demais companheiros e, depois de tomar mais umas, nos armamos com faca, facões e pedaços de paus e fomos investigar o fenômeno ou a assombração.

Quando chegamos no local, ao iluminarmos a área com nossas lanternas, descobrimos assombração. Nada mais era que um pica-pau que estava bicando uma madeira dura, canelinha, e por sua insistência o bico esquentava e ele esfriava no rio, por isso o barulho Toc, Toc, Toc, Tic, Tchiiiiii.

Capitão Sérgio Andrade Moreira

é pescador e contador de histórias

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