Geral

Cancro cítrico

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 7 min

Cancro cítrico ameaça a região

Cancro cítrico ameaça a região

Texto: Márcia Buzalaf

A região de Bauru está ameaça por uma crescente descoberta de focos nos pomares comerciais e residenciais. Até agora, já foram detectados 79 focos; no mesmo período de 98, apenas 35 focos tinham sido detectados. Ao todo, em 99, já foram erradicados cerca de 80 mil árvores, proporcionando um prejuízo de US$ 300 mi.

O caminho que o cancro cítrico está percorrendo este ano nos pomares paulistas está levando à mesma trilha do ano passado. Em 98, foram detectados 457 focos no Estado. Em apenas dois meses do ano, já foram encontrados 79 focos em 36 municípios do Estado.

De acordo com Vladmir de Souza Nogueira Filho, 45 anos, diretor do Coordenadoria de Defesa Agrícola (CDA), a região de Bauru está sendo retomada como região de cultivo da citricultura. "Nós temos 3,8 milhões pés de laranja na região", completa.

A área tradicional da produção da laranja no Estado sempre foi a faixa superior do Rio Tietê. Mesmo assim, a região de Bauru já tem cinco focos, um em cada uma das seguintes cidades: Avaí, Ibitinga, Itirapina, Lins e Pirajuí.

O quadro evolutivo da doença mostra que a região tem sido atingida com maior freqüência. Em 97, foi detectado um foco em um pomar comercial da cidade de Ubirajara. Na mesma época, duas propriedades vizinhas do foco na cidade de Lucianópolis foram detectadas e totalmente erradicadas.

O foco encontrado em Avaí no ano passado ainda em processo de saneamento.

O crescimento do cancro na região, segundo Nogueira Filho, tem como causa a falta de preocupação - tanto de autoridades quanto de produtores - ao problema. "Eu acho que o pessoal descuidou um pouco. Mas, hoje, todo mundo está atento", completa ele.

Causas

O cancro cítrico é uma bactéria que não tem vetor transmissor: passa através do vento, da chuva, do maquinário, dos pássaros, das pessoas e dos instrumentos usados no tratamento do cancro.

Os sintomas da doença são visuais. Na folha da árvore e na própria laranja, aparecem manchas amarelas, com deformações na superfície da fruta.

O cancro é uma doença de notificação e erradicação obrigatórias, lembra o presidente da Abecitrus, Ademerval Garcia, 58 anos.

Depois de identificado o foco, cabe à Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), em parceria com a Fundação Paulista de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), eliminar o foco.

A técnica usada para erradicar o cancro, segundo Garcia,

é a de arrancar a árvore e queimar um raio de 30 metros ao redor do foco.

Depois de retirada a planta, o produtor deve passar um herbicida nela para que não forte a nascer. "Com os focos, não tem como cuidar. Tem que erradicar", completa Garcia.

Ele apresentar dois problemas como sendo os principais causadores do crescimento do cancro: quando o citricultor não informa a existência da doença ou quando não permite a erradicação do foco.

Depois de eliminado o problema, a CDA faz visitas a cada três meses no primeiro ano para ver como está o saúde sanitária dos pomares que tiveram cancro.

No segundo ano, as visitas começam a ficar mais esparças e, no final do período, termina o tratamento da área.

"No local que foi feita a erradicação, não se pode plantar laranja nestes dois anos", completa Nogueira Filho.

Conseqüências

As conseqüências do cancro cítrico para o citricultor são enormes quando a doença não é erradicada no início. A primeira delas é a perda da capacidade da árvore produzir. A produtividade cai pela metade porque a doença derruba a fruta antes de ela estar madura.

O produtor que tem cancro cítrico no seu pomar também não pode mais vender laranja para o mercado externo, não exporta mais, e nem mesmo a indústria quer comprar o produto.

O controle do cancro não é de fácil controle. Para se atingir o controle da doença, Garcia diz que alguns equipamentos são necessários, como quebra-vento, rodolúvel, sistema de lavagem de escalas, sacolas e veículos.

"O cuidado deve ser no dia-a-dia para evitar a doença", completa Garcia.

Quanto antes for detectada a doença, mais eficiente pode ser a erradicação e menor o risco de transmissão da doença para outros pomares. "Precisa-se acelerar o processo de erradicação", diz Garcia quando fala do crescimento do cancro cítrico na região.

Cuidados

Nogueira Filho diz que alguns cuidados podem ajudar na prevenção do cancro cítrico.

Não comprar mudas de vendedores ambulantes. Apesar de ser uma atividade comum, não é permitido este tipo de venda.

Na época da colheita, explica Nogueira Filho, o melhor

é usar material próprio. Se o equipamento for emprestado, desinfete-o o máximo possível.

Também deve-se tomar cuidado com o transporte da produção.

"Não deixe que um caminhão entre na sua propriedade", alerta Nogueira Filho.

Pensar no pomar como se fosse uma empresa, diz Nogueira Filho,

é a base para se evitar os principais problemas do pomar.

"Observar bem a produção já é um começo. Como exemplo, temos os suinocultores, que não permitem a entrada de pessoas", completa.

Incentivo

A posição do Estado é de preocupação

- já que a evolução do cancro é preocupante

- e acomodação - não dá nenhum incentivo direto para a erradicação da doença.

Garcia defende que a criação da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) ajuda bastante no controle do cancro. "Finalmente, o Estado tem um departamento apropriado para mexer com defesa sanitária", completa Garcia.

Na segunda-feira, dia 8, o Fundecitrus vai ter uma reunião com a Secretaria Estadual da Agricultura com o objetivo de insistir para que o Estado assuma a liderança no combate ao cancro.

O gasto anual do Fundecitrus na citricultura é de US$ 16 milhões, sendo que US$ 11 milhões é voltado para o combate ao cancro e US$ 5 milhões para a pesquisa.

Quem tiver alguma informação sobre focos de cancro, deve procurar a CDA para imediata apuração do problema. Nogueira Filho lembra que não há nenhum tipo de multa para o produtor que tiver com cancro no pomar.

Focos ocorridos na região nobre da citricultura

Ano / n.º de município / n.º de focos / mudas erradicadas

1992 / 4 / 9 / -

1993 / 6 / 14 / -

1994 / 12 / 144 / 8.000

1995 / 11 / 25 / 200.512

1996 / 22 / 45 / 1.310.000

1997 / 39 / 190 / 256.439

1998 / 64 / 457 / 828.420

1999 (até 26/2) / 36 / 79 / -

Fonte: Fundecitrus.

Greening - pior do que o amarelinho

O greening é uma doença parecida com o amarelinho, o famoso CVC. Muito comum na Ásia e na África do Sul, o greening ficou muito tempo afastado da fronteira brasileira, já que estes continentes eram limitados no turismo.

Atualmente, o greening é preocupantes por ser uma doença transmitida por um vetor - e que pode ser facilmente disseminada.

Diferentemente do amarelhinho, o greening não permite a poda. Segundo Garcia, este é um problema que deve ser evitado pela rapidez de proliferação que tem.

A Fundecitrus realizou, na última terça-feira, um seminário internacional para discutir a importância de se combater o Greening desde já para que ele não se prolifere.

TOPO DA PÁGINA

A aftosa volta a ser pauta de discussão dos agricultores. Além do recente questionamento do preço da vacina, a campanha está sendo estendida até o dia 15 de março. Portanto, os produtores de bezerros de até um ano podem vacinar os animais até esta data.

Agendinha

Em Bauru

O Sindicato Rural de Bauru, em parceria com o Senar, está promovendo um curso de formação profissional sobre manejo e recria de bovinos de leite. O curso é gratuito e mais informações podem ser obtidas no telefone 234-2938, com a coordenadora Cleusa.

Leilão

Será realizado dia 6, às 15 horas, o leilão de gado de corte, promovido pela Sampaio Ferraz Leilões. O evento vai ocorrer no Km 354 da Rodovia Bauru-Marília. Mais informações, pelo fone: 238-2215.

AgroEcológica

Nos dias 20 e 21 de março, a livraria e editora AgroEcológica, de Botucatu, estará promovendo o curso de Cultivo Comercial de Plantas Medicinais. O curso é limitado a 26 vagas. Informações pelo fone: (014) 821-4991.

Ovinocultura

A Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco) vai promover o Leilão de Verão dia 20 de março,

às 14 horas, com a oferta de animais da raça Suffolk, Ile de France, Hamshire Down e Santa Inês. O local do evento

é o recinto Leilo-Prata, 10 Km de São Manuel. Informações pelo fone: (014) 841-2597.

Piracicaba I

A Fundação de Estudos Agrários Luiz Queiroz, em Piracicaba, estará realizando um curso de produção e utilização da cana. Informações pelo fone: (019) 422-9197.

Piracicaba II

Piracicaba também vai ser a sede de um workshop sobre milho para silagem. Informações e inscrições, pelo número: (019) 422-9197.

Comentários

Comentários