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Juros

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 2 min

Economista diz que juros altos pode matar

Economista diz que juros altos pode matar

Texto: Luciano Augusto

"É como se tentar eliminar um problema de dor de estômago, tomando três comprimidos de uma só vez. Você pode matar o paciente". Assim o economista Reinaldo Cafeo, 37 anos, explicou a elevação da taxa de juros anunciada pelo governo, que de 39 passou para 45% ao ano.

O economista argumentou que, com uma "dose um pouco menor de juros e tendo uma postura mais participativa, chamando a sociedade organizada para poder estar buscando formas mais criativas de controlar a crise", o governo poderia obter resultados menos traumáticos socialmente. Tecnicamente, a medida segura a volta eminente da inflação, mas o instrumento, diz Cafeo, "é pesado demais".

Tentando controlar a volta dos juros com o aumento da inflação, o governo se enrolou em sua própria teia. Como explicou Cafeo, "isso é um contra-senso do governo, uma vez que no mesmo momento ele anuncia um aumento de combustível. Se você quer segurar a inflação, você não pode ser o primeiro a causa-la". Obviamente com a desvalorização do Real tem-se uma elevação natural no preço do petróleo, "mas o momento psicológico não é o mais adequado". Este quadro de juros elevados permanecendo, as pessoas comprando menos e as empresas continuarem pressionadas por um aumento nos custos de produção, a margem de lucro irá cair e os "custos sociais"aumentarão.

O consumidor, por sua vez, pode esperar um "aperto nos cintos". A medida deve trazer mais sacrifícios, não só para os consumidores como também para as empresas, porque afeta diretamente o nível de produtividade industrial. E isso, aponta Cafeo, "é sinônimo de recessão. Mas o que interessa para o governo e controlar a inflação e não os custos sociais da medida. Nós estamos rezando exatamente a cartilha do FMI, que impõe isto aos países que ele dá ajuda".

Entretanto, o economista pondera que não adianta os bancos e o comércio aumentarem muito as taxas de juros, porque vai aumentar a inadimplência. Já em relação ao consumidor, de uma forma geral, as coisas devem continuar no patamar que estão, ou seja, bem difíceis.

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