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Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 6 min

Posto vai facilitar comércio da carne

Posto vai facilitar comércio da carne

Texto: Fábio Grellet

Além de distribuir aos açougues, entreposto vai vender carne diretamente ao consumidor, proporcionando facilidades aos produtores de ovinos

São Manuel - Os criadores de ovinos em todo o Estado de São Paulo e, especialmente, na região de São Manuel - onde a ovinocultura é bastante desenvolvida - em breve terão um estabelecimento preparado para lhes auxiliar no comércio de carne ovina. É que até novembro

- conforme afirma o prefeito de São Manuel, Celso Luizetto

(PMDB) - a cidade vai dispor de um entreposto com toda a infra-estrutura para realizar o comércio da carne ovina - o único, em todo o Estado de São Paulo. Lá, deve acontecer a venda de carne diretamente ao consumidor e, também, a distribuição aos açougues.

O posto já começou a ser construído, depois que a Prefeitura obteve uma verba de R$ 60 mil, cedida pela Secretaria da Agricultura, através da Coordenadoria Agrícola Técnica Integral (Cati). Em 120 dias, as obras devem se encerrar, e então bastará fazer a instalação dos equipamentos necessários para que o posto comece a funcionar. Dois zootecnistas já estão dando auxílio aos criadores de ovinos na região, e esse serviço será mantido quando o posto for inaugurado.

O funcionamento do entreposto deve ser coordenado pela Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco), que transferiu sua sede de São Paulo para São Manuel, depois que a entidade foi assumida por uma diretoria composta de pessoas que moram na região.

Comércio facilitado

Segundo o prefeito Luizetto, o entreposto vai auxiliar pequenos e médios criadores de ovinos - que, ainda hoje, encontram muita dificuldade em comercializar, sozinhos, a carne produzida.

Conforme Márcio Armando Gomes de Oliveira, diretor-técnico da Aspaco e um dos zootecnistas contratados para assessorar os criadores de ovinos, os problemas ocorrem porque muitos criadores tem plantéis pequenos demais para serem comercializados com grandes supermercados, mas grandes demais para que sejam comercializados com pequenos açougues. Então, a única alternativa viável, para a maioria dos criadores, é incluir seus animais entre aqueles comercializados por um grande produtor da região, que fornece carne ovina para a rede de supermercados Carrefour.

Quando o entreposto for inaugurado, porém, o órgão poderá reunir os animais de vários produtores e controlar a oferta de carne ovina, conforme as necessidades momentâneas. O abate dos animais, porém, vai continuar ocorrendo no abatedouro existente na cidade, de propriedade particular e com funcionamento devidamente autorizado pelo Sistema de Inspeção Estadual (SIE).

O diretor da Aspaco acredita que, dentre os 250 criadores filiados

à Associação, pelo menos 200 devem passar a utilizar o serviço do entreposto, após sua inauguração. Além deles, outros, ainda não filiados, também são esperados. Como a Associação é impedida legalmente de realizar, diretamente, atividades comerciais, ela deve tornar-se apenas uma coordenadora dos serviços, cabendo a efetiva responsabilidade sobre o funcionamento do entreposto a uma cooperativa de criadores de ovinos, que está prestes a ser oficializada - isso deve ocorrer quando for inaugurado o entreposto. Quando houver a legalização da cooperativa, apenas seus integrantes poderão usar os serviços do entreposto, segundo a Aspaco.

O posto ocupa uma área de 253 metros quadrados, em um terreno de 500 metros quadrados, situado na esquina das ruas Cosme Sansalone e Marcelo Giorge, próximo ao posto de combustíveis da Cooperativa dos Cafeicultores de São Manuel, a Cafenoel. Segundo o prefeito, cerca de 15 pessoas devem trabalhar no entreposto, que vai dispor de uma câmara fria e outra de congelamento.

No entreposto, a carne ovina será cortada em pedaços, classificada e embalada, em pacotes onde estarão indicadas a parte ali contida e outras características da carne - como quantidade de gordura - e do animal abatido - como sua idade.

Segundo o prefeito Luizetto, existe um projeto para que os melhores animais abatidos sejam classificados e recebam um selo específico, que o identifique como "carne ovina de São Manuel". Essa seria uma espécie de marca institucional, com base na qual poderão ser realizadas campanhas de incentivo ao consumo de carne ovina.

Carne superou lã em rentabilidade

A criação de ovinos começou a se disseminar em São Manuel quando um zootecnista de Botucatu sugeriu a implementação da cultura, na região, no início da década de 80.

Em 1984, a Aspaco, cujas atividades estavam praticamente paralisadas, foi reativada, e muitos agricultores da região de São Manuel encontraram apoio para iniciar a criação de ovinos.

Naquela época, a lã era mais valorizada que a carne ovina, razão porque a maioria dos animais adquiridos era da raça corriedale, que produzia carne e lã - matéria-prima cujo quilo, então, era vendido a cerca de 6 dólares. São Manuel, à época, recebeu o título de "capital da lã".

Mas o preço da lã era estabelecido pelo mercado mundial, e uma crise que o atingiu fez esse valor cair para aproximadamente 2 dólares, por volta de 1992. Diante da nova situação, os criadores de São Manuel se voltaram para o comércio de carne ovina, cujo consumo vinha aumentando e causando a valorização do produto.

Hoje, a maioria dos plantéis é voltado à produção de carne. As raças são diversificadas

- as principais, existentes na região, são suffolk, ile-de-France, hampshire down, texel e polldorset, todas produtoras de carne.

Mesmo priorizando a produção de carne, os criadores obtêm bastante lã, já que o abate não atinge a maioria das fêmeas, que são mantidas, para reprodução, e anualmente se submetem à tosquia. Em geral, só os machos são abatidos. Para reprodução, não é necessário manter grandes quantias deles, já que apenas um carneiro basta para garantir a reprodução de até 50 ovelhas.

Segundo o diretor-técnico da Aspaco, há cerca de 6 mil ovinos na região de Botucatu (que engloba São Manuel, Pratânia e outros municípios onde há tradicionais criadores de ovinos), distribuídos em aproximadamente 200 propriedades agrícolas.

Cordeiro tem melhor carne

Segundo o diretor técnico da Aspaco, há três denominações para os ovinos, conforme sua idade. Até completar um ano, o animal é chamado cordeiro ou cordeira, conforme seja macho ou fêmea. Nesse período, quando ingressa na fase de reprodução, o animal

é denominado borrego (ou borrega, se fêmea). Quando atingem um ano e meio de idade, o animal passa a ser conhecido como carneiro, se macho, ou ovelha, se fêmea.

O zootecnista afirmou que a melhor fase para abate do ovino ocorre quando sua idade varia entre 5 e 6 meses - portanto, ainda é considerado cordeiro -, período em que a carne do animal

é mais tenra.

Nessa fase, o peso do animal corresponde a aproximadamente 35 quilos, dos quais cerca de 15 são aproveitados para comercialização.

A reprodução dos ovinos acontece por volta do mês de maio, e a necessidade de utilização do entreposto em construção, portanto, será acentuada depois de outubro, quando os animais atingem seis meses e começam a ser abatidos.

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