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Administração pública

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

Gerente de Cidade: saída contra corrupção

Gerente de Cidade: saída contra corrupção

Texto: Josefa Cunha

Algumas cidades do Estado já adotaram o sistema nascido nos EUA, que visa entre outras questões, o combate à corrupção

A figura do gerente de cidade ao lado do prefeito no comando da administração pública tem sido sinônimo de desenvolvimento nos municípios que a adotaram. A idéia vem ganhando cada vez mais adeptos e, logo em breve, Bauru será a sede de um curso para a qualificação desses profissionais. O combate à corrupção é destacado como o maior mérito desse sistema nascido nos Estados Unidos.

A formação de pessoas para o gerenciamento municipal

é coordenada pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Oscar Faria, coordenador de curso de pós-graduação da Planor, empresa que terceiriza a promoção de cursos da Faap, disse que o curso para Bauru já foi liberado pelo diretor cultural da Fundação, Victor Mirshawka, o ex-jogador da seleção brasileira de basquete.

A primeira cidade a "estrear" com um gerente de cidade foi São José do Rio Preto, onde o prefeito José Liberato Cabloco conta com um técnico para planejar e controlar todas as questões administrativas do município. Itanhaém, Cubatão e outras cidades da Baixada Santista estão em fase de implantação do sistema, considerado, inclusive, um bom caminho contra a corrupção que tornou-se costumeira no Poder Executivo. Mogi Guaçu, Campinas, Itaquaquecetuba, Campos do Jordão e Cesário Lange também já aplicam os princípios do gerenciamento.

O cargo de gerente de cidade foi criado nos Estados Unidos na década de 20 com o objetivo de oferecer mais transparência e seriedade à administração pública. Um dos maiores exemplos de sucesso da função foi Arthur Stevenson, o primeiro "city manager" de Toronto, no Canadá. Ele gerenciou a cidade durante 21 anos e conquistou sucessivas vitórias em relação aos problemas cruciais de infra-estrutura, sem, contudo, ver sua atuação acompanhada de estardalhaços políticos.

A figura do gerente de cidade, aliás, deve ser escolhida pela capacidade de trabalho e não por sua influência política-partidária. Um requisito aconselhável para a função, inclusive, é de que a pessoa não tenha qualquer vinculação com partidos. Dessa maneira, o que conta é a criatividade, a eficácia e a competência, possibilitando a permanência desses administradores mesmo com a mudança dos prefeitos. Vale frisar que o maior mérito do método é a continuidade e intimidade que o gerente de cidade cria com os problemas do município à medida em que permanece no cargo.

Geralmente, a indicação desse administrador é política, mas suas funções e poderes são regidos por lei municipal, devidamente aprovada pela Câmara. São os vereadores que determinam os vencimentos e detalhes sobre a conduta do gerente. Sua atuação, portanto,

é monitorada e fiscalizada pelo Legislativo. Politicamente, a figura do gerente de cidade significa maior disponibilidade para o prefeito cumprir sua agenda política e buscar os contatos que, no modelo tradicional de gestão, nem sempre são possíveis em virtude do acúmulo de trabalho.

Mas não é só o prefeito que pode contar com o gerente para as questões administrativas. O programa de gerenciamento é amplo e se estende a todos os departamentos municipais. Secretários também podem ter seus gerentes.

A qualificação para a gerência de cidades não é simples: o programa do curso é extenso, podendo caracterizar uma pós-graduação para os que já têm faculdade ou uma especialização para os demais. Conhecimento da estrutura administrativa, contabilidade municipal e orçamento são algumas das várias disciplinas ministradas.

Segundo Oscar Faria, que estará trazendo o curso para Bauru, o gerenciamento de cidades destina-se a uma gama variada de profissionais

(veja quadro), sempre buscando a formação ou aperfeiçoamento para o exercício das atividades na administração pública direta ou indireta. As próprias empresas que prestam serviço à administração pública, como as empreiteiras, são aconselhadas a formar profissionais na área. Afinal, com o conhecimento da estrutura da máquina municipal fica mais fácil satisfazer na hora de apresentar projetos em licitações e concorrências.

Recentemente, alguns membros da administração Nilson Costa estiveram presentes no I Seminário Internacional de Administração Pública e Gerenciamento de Cidades. Entre eles, os secretários da Administração, Antônio Gérson de Araújo, e de Obras, Leandro Joaquim, e o presidente do Departamento de Água e Esgoto

(DAE), Flávio Uchoa.

A quem se destina o curso:

* Profissionais do serviço público municipal - administração direta - com ou sem cargos de chefia;

* Profissionais de autarquias ou empresas públicas municipais e estaduais;

* Profissionais de empresas permissionárias e concessionárias de serviços públicos;

* Profissionais de empreiteiras e das demais empresas que prestam serviços ou vendem para o governo;

* Novas lideranças políticas que queiram se preparar para assumir cargos públicos;

* Profissionais da rede bancária de geração de recursos para os municípios.

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