Vereadores acham que "era izzista" acabou
Vereadores acham que "era izzista" acabou
Texto: Josefa Cunha
Líderes das bancadas na Câmara Municipal avaliam que o pedido da prisão preventiva de Antonio Izzo Filho
(PPB) marca o fim político dos izzistas em Bauru. Apesar de pouco comentarem sobre o assunto na tribuna - a maioria dos discursos esteve voltada às homenagens ao Dia Internacional da Mulher -, os vereadores, tanto opositores quanto membros que davam sustentação ao governo Izzo Filho, acham que o prefeito afastado não tem mais condições de voltar ao comando do Executivo.
Ao contrário do que se esperava, nenhum parlamentar de oposição comemorou a decisão do Tribunal de Justiça, considerada correta e necessária por todos os membros da Casa. O petista José Carlos Batata, inimigo político de Izzo desde o início da gestão, por exemplo, lamentou o desgaste sofrido pela cidade e o desfecho da administração Izzo.
Batata classificou como "triste" o fato de Izzo ter sido eleito com 62 mil votos e não ter sabido honrar aquilo que praticamente significou sua aclamação popular em Bauru. Sobre outra ótica, porém, admitiu estar aliviado, tendo em vista "o duro golpe sofrido pela corrupção instalada na cidade". "Que isso sirva de exemplo e que todos aprendam que a política é arte de servir ao bem comum. Com certeza, esse episódio marca o derradeiro fim da era Izzo", opinou.
João Parreira de Miranda (PMDB), outro que sempre fez oposição a Izzo, também se mostrou triste com o desfecho da crise política, principalmente em consideração aos 62 mil bauruenses que confiaram a Izzo suas perspectivas de uma cidade melhor. "O pedido de prisão veio como uma necessidade diante de tudo o que aconteceu. Certamente, ele recorrerá e manterá uma briga paralela com a Justiça, uma vez não há mais chances de retornar à Prefeitura. Esperamos agora que o Nilson Costa, livre para governar, tome as medidas necessárias para a cidade retomar seu caminho", cobrou.
O tucano Edmundo Albuquerque, assim como Batata e Parreira, também tem plena convicção que o fim político de Izzo Filho está determinado. "É evidente que a população cometeu um erro ao elegê-lo em 1996, mas, com os fatos ocorridos, pôde perceber claramente que não dá mais correr esse tipo de risco. Tenho certeza também que ele acabará isolado, até mesmo por seus fiéis aliados. Independente disso, o fato
é que o episódio marca a história da cidade, tendo em vista que nunca se mobilizou tanto contra um prefeito a esse ponto. A união que houve entre o Legislativo, Judiciário, Imprensa, polícias Civil e Militar, além de todas as pessoas de bem, se voltará agora à recuperação dos desgastes desses últimos dois anos", avaliou.
O vereador Luiz Carlos Valle, líder da bancada do PDT e ex-apoiador de Izzo Filho na Câmara, revelou-se "triste" com o desfecho político do prefeito afastado. Como cidadão, Valle disse que desejava ver Izzo desempenhando sua função de prefeito com dignidade e paz. De qualquer forma, porém, o parlamentar considerou correta a medida judicial da prisão preventiva.
Quanto às "seqüelas" políticas do episódio, Valle também é da opinião de que a era izzista chegou ao fim. "Eu não dúvidas de que, politicamente, Izzo Filho é página virada em Bauru. Mesmo em futuras eleições, não vejo perspectivas de seus retorno", enfatizou.
Nem mesmo os vereadores do partido de Izzo Filho vêem boas perspectivas para ele. Rino Biagio, ex-líder e defensor de Izzo na Casa, reconheceu, pela primeira vez, o envolvimento do prefeito afastado em conduta escusa. Ele disse acreditar, embora com muito pesar, na participação de Izzo nos atentados contra vereadores. "É triste chegarmos a essa conclusão, porque nós o apoiávamos e achávamos que nada havia contra ele. Mas a Justiça é soberana e está cumprindo sua função. Não sei qual será seu fim na Justiça, mas, politicamente, não há dúvidas de que ele não tem mais condições de continuar à frente da Prefeitura", opinou.
O também pepebista Paulo Madureira, que até meados do ano passado pertencia à bancada de apoio a Izzo, não quis comentar a prisão do prefeito afastado, mas, pessoalmente, entende que não há mais clima e condições para o seu retorno à Prefeitura de Bauru. Madureira, entretanto, ponderou que Izzo ainda tem direito a muitos recursos na Justiça, os quais podem resultar ou não em seu fim político.