Pecuarista não ganha com aumento da arroba
Pecuarista não ganha com aumento da arroba
Texto: Márcia Buzalaf
Com a falta do produto a ser comercializado, o preço continua subindo e, a cada dia, fica mais difícil fazer a reposição do gado. Segundo um pecuarista, um ruralista e um frigorífico da cidade, o aumento do preço da arroba da carne, não é proporcional ao aumento no mercado internacional. Preços podem voltar a cair no início do inverno, quando a oferta de gado tende a aumentar.
O preço da arroba para o mercado nacional subiu cerca de 6% na última semana, e 15% desde a desvalorização do real, passando para a faixa de R$ 32,00 a R$ 33,00. O aumento traz conseqüências positivas e negativas para o mercado interno, de acordo com as interferências da oferta do gado, dos bezerros para a reposição e do preço cotado no mercado internacional. "A arroba está valendo menos do que estava antes da desvalorização", afirma o agropecuarista Paulo César R. Farha, 33 anos.
Ele afirma que, antes da desvalorização, os produtores vendiam o gado por R$ 28,00 a arroba; hoje, vendem entre R$ 32,00 e R$ 33,00. Ele explica a diferença da cotação internacional. Antes, quando a arroba era comercializada a R$ 28,00, com o dólar a R$ 1,26, a cotação pagava de US$ 22,00 a US$ 23,00; com o preço a R$ 33,00 e a cotação do dólar a R$ 1,90, paga-se cerca de US$ 17,50. "Teoricamente, o dinheiro que você recebe é menor", explica Farha.
Os produtores também reclamam bastante da série de insumos importados que estão comprando com preço mais alto. "A gente usa produto o ano inteiro, não
é só capim", alega Farha.
Ele ainda explica que o gado funciona como uma poupança segura, ou seja, com grande liquidez e segurança, porém pouca rentabilidade.
Segurando
As vantagens dos pecuaristas é que eles não fazem financiamento, por isso, podem segurar o gado. Com a liquidez grande que o animal tem e a falta de prazo para comercialização da carne, o produtor tende a não fazer abates quanto faziam em épocas incertas quanto esta.
De acordo com o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, 60 anos, até maio, o produtor pode manter o boi no pasto.
Com o fim do pasto verde no início do inverno, o gado pode perder peso e, por isso, perder valor também.
A comercialização, segundo Guimarães, está pequena. "Ninguém fala em vender mil bois, vão vender 10% porque acham que o preço não vai cair", explica ele.
O que pode acontecer nos próximos meses é que, com o inverno, os frigoríficos tenham uma oferta muito maior de gado e, por isso, o preço tende a diminuir.
Frigorífico
A posição de Antônio Mondelli, 56 anos, diretor comercial dos Frigoríficos Mondelli, é diferente daquela enfrentada pelos pecuaristas. Segundo ele, o maior problema dos frigoríficos é a concorrência com gado que vem de outros estados.
Segundo ele, o gado de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul é muito mais abundante e o pecuarista daqueles estados têm incentivos fiscais que pressionam o preço da arroba do boi no Estado todo. "A única fonte de renda deles é esse e, por isso, eles têm facilidades", explica.
Em São Paulo, Mondelli explica, a oferta de gado está muito fraca. "Até hoje, estamos com dificuldade para comprar o boi, também porque tem pecuarista segurando o boi", diz.
Antes, o frigorífico costumava abater uma média de 14 mil a 15 mil bois por mês. Em janeiro, foram abatidos 9 mil cabeças e, em fevereiro, 10.300. "Em março, se continuar assim, vai fechar nas 10 mil cabeças, quer dizer, uma queda de quase 40%", exemplifica Mondelli.
Internacional
O preço do boi está alto em reais e baixo em dólar. O mesmo acontece com alguns produtos da agricultura primária do País. Segundo Guimarães, o mesmo efeito acontece na comercialização do café, da soja e do milho.
O preço da arroba do boi terminou a semana passada com o menor preço em 30 anos. "O mercado internacional sabe que você tem um preço maior em real, eles diminuem o preço em dólar. É o que está acontecendo", diz Guimarães.
Concorda com a mesma idéia Mondelli. Ele diz que, apenas da exportação de carne ainda ser um bom negócio, os preços internacionais foram diminuídos. "Se a gente vendia uma tonelada de carne por US$ 3 mil, eles abaixaram para US$ 2,7 e US$ 2,8. "Mesmo assim, atualmente, a exportação
é um dos melhores negócios para a gente", afirma Mondelli.
Reposição
Outro problema grande do setor é a reposição. O preço está muito alto. Com a venda de 100 bois, os pecuaristas costumavam comprar 200 bezerros, em uma relação de um boi para dois bezerros.
Atualmente, a situação mudou. Com a falta de bezerro, compra-se 1,8 bezerros por cada boi vendido. O ideal é ter uma relação de cada boi vendido para 2,7 bezerros novos.
Para Mondelli, se a arroba chegar a R$ 40,00, pode até ser que a reposição volte a ser feita. Antes do plano real, diz Mondelli, a reposição era feita com mais adequação.
Senar e Sindicato Rural programam 5 mil eventos em 99
Texto: Márcia Buzalaf
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o equivalente ao Senac e ao Sesi da área rural - em parceria com o Sindicato Rural de Bauru estão programando cerca de cinco mil cursos em promoção social e formação de profissional rural e eventos para este ano. Em 98, foram realizados cerca de 3.800 cursos e eventos, confirme afirma o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, 60 anos.
O Senar realiza estes eventos e cursos em parceria com os sindicatos rurais. Há 2 anos, a agenda de cursos e de eventos ficou mais intensa em Bauru.
Com recursos financeiros disponíveis, no ano passado, um evento de pecuária em um hotel da cidade reuniu cerca de 600 pessoas. Já os cursos são limitados a 20 alunos.
A rapidez do curso é outro ponto forte. De acordo com Guimarães, alguns cursos promovem formação profissional em três dias. Outros, podem durar até uma semana.
A maior vantagem é que o curso, o transporte, a alimentação e o material são gratuitos. No contexto nacional, os cursos podem ser de grande ajuda para os trabalhadores rurais. "Tem esses aspecto social, da falta do emprego de hoje em dia", completa Guimarães. Ele ainda lembra que os cursos podem ser feitos unicamente por trabalhadores rurais.
Os cursos, atualmente, são ministrados no próprio Sindicato Rural. O objetivo maior é montar, em um curto prazo, um Centro de Treinamento grande, que envolve laboratórios, centros de pesquisas. Já existem centros deste tipo em Ribeirão Preto e São Roque. A perspectiva é que o próximo a ser inaugurado seja de Bauru.
De acordo com a coordenadora dos cursos, Cleusa Eunice Evaristo, 34 anos, 70% das aulas são práticas.
A médica veterinária Elisabeth de Lourdes Baleiro Teixeira, 29 anos, instrutora do curso de cria e recria de bovinos da cultura de leite, realizado durante esta semana, os cursos tentam visualizar os maiores problemas do setor e apontar as saídas e os cuidados. De acordo com Elisabeth, a chave é divulgar informações tanto sobre nutrição, tecnologia e controle sanitário. "Nosso objetivo é a capacitação profissional", explica.
Entre os próximos cursos agendados na área de formação profissional estão piscicultura (de 29/3 a 2/4) e manejo de animal adulto - bovino de leite (de 13 a 15/4). Já na
área de promoção social, estão artesanato em palha de milho (dias 16, 17 e 18) e derivados de batata doce
(19 e 20 de abril).