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Redação
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Purini deixa a Assembléia e diz que Bauru precisa de "sorte"

Purini deixa Assembléia e diz que Bauru precisa de "sorte"

Depois de 20 anos seguidos na Assembléia Legislativa, o deputado estadual Roberto Purini (PMDB) deixa a Casa hoje, quando assumem os eleitos em outubro do ano passado. Coincidentemente, um sorteio designou a sala de Purini ao deputado Carlos Braga

(PPB), que cumprirá o primeiro mandato. Emocionado, Roberto Purini chorou ao dizer que "falta amor às causas de Bauru" e, até por isso, a situação de desenvolvimento não é maior. Sobre o governo do peemedebista Tidei de Lima, o segundo a assumir a Prefeitura Municipal pelo partido, o deputado estadual disse que faltou planejamento.

Purini já entregou aos deputados Carlos Braga e Pedro Tobias dossiês de trabalhos iniciados por ele e ainda não foram viabilizados. Entre eles, Faculdade de Faculdade de Medicina, conclusão do hospital, da maternidade. "Nós fizemos a nossa parte. Agora, depende do governador". A seguir, os principais pontos da entrevista.

Jornal da Cidade - Amanhã é o último dia do senhor na Assembléia Legislativa ...

Roberto Purini - Amanhã é o nosso último dia. Foram cinco mandatos, 20 anos de Assembléia, 28 anos de mandato público, que eu cumpri oito de vereador, tive uma eleição para prefeito, mas não fui prefeito, tentei outra e não deu certo, em 88. E foram 20 anos de trabalho e de conquistas. Hoje (ontem) ainda tive vendo a relação de coisas que a gente conseguiu e nem lembrava. Afinal, 20 anos não são 20 dias.

JC - Qual a obra mais significativa?

Purini - Eu diria que as mais importantes seriam a duplicação da rodovia Marechal Rondon, a duplicação da avenida Rodrigues Alves, equipamentos para o Hospital de Base, o prédio da Câmara, o aeroporto que, para mim, é a obra do século. E a duplicação da Rondon, no trecho todo não houve o número de obras de arte que teve em Bauru. Foram quase 20, que começam na Souza Reis e vão até a Cesp. Mas a obra do século é o aeroporto. Bauru pode não ter atinado para isso, ainda. Mas eu não lutei 20 anos por uma obra por mero capricho. Tenho absoluta visão de futuro. Se você for o que é Campinas agora e o que era antes de Viracopos. Bauru, hoje, reúne elementos que nenhuma outra cidade do Interior tem. Bauru tem os quatro pontos da intermodalidade. Tem a ferrovia interligada na ferrovia, tem a estação aduaneira do Interior, tem a duplicação de estradas e temos o aeroporto de porte internacional.

JC - Apesar de ser a única a ter esses quatro módulos, a grande reclamação dos bauruenses é que Bauru não de desenvolveu ou não se desenvolve da maneira que deveria. O que falta, já que tem tanta coisa para isso?

Purini - Falta um pouco de sorte.

JC - Sorte? Por que sorte?

Purini - Porque quando você deixa de avançar quatro anos não são quatro, mas oito. Eu tenho parentes em São José de Rio Preto e, segundo consta, a arrecadação de Bauru é maior que de Rio Preto, que está bem

à frente de Bauru.

JC - Na sua opinião, Bauru já perdeu quantos anos?

Purini - Meu grande sonho era ter sido prefeito de Bauru. Deus não me concedeu isso. Mas eu diria, sem falsa modéstia, que eu fiz muito mais do que vários prefeitos. Falta um pouco de amor pela causa. Isto é o principal. Não me entusiasma, apenas. Me emociona cada vez que... Eu visito as obras do aeroporto toda semana, no entanto, quando eu falei com o prefeito afastado que as obras estavam indo bem, pedi desculpa por ter falado, porque ele fez de conta que não escutou.

JC - O PMDB já esteve à frente da Prefeitura de Bauru. O senhor...

Purini - Uma vez com o Gasparini, que nós o perdemos. Eu diria que também significou um atraso, porque houve a quebra do andamento. A carruagem vai e, de repente, muda, muda o partido.

JC - E com o Tidei (ex-prefeito peemedebista, Tidei de Lima), faltou esse amor?

Purini - O Tidei, hoje eu ainda me lembrava, que falei, num discurso de inauguração do viaduto que passa sobre a Nuno de Assis, que esta haverá de ser a administração do século, me referindo à administração do Tidei. Porque começou muito bem. Eu acho que faltou um pouco de programação. Ele programou muita coisa e nós estávamos entrando num período diferente, com uma moeda nova e, no final, quando tinha que deslanchar de vez a coisa não só parou como também caiu bastante. O Tidei, e a própria cidade, foi vítima de uma falta de planejamento para se adequar à moeda nova, novos tempos.

JC - Faltou realismo?

Purini - Eu acho que sim. Faltou esse planejamento dentro da nova realidade.

JC - Há algum tipo de mágoa pela não-reeleição?

Purini - De forma nenhuma. Eu seria um ingrato se eu disse de mágoa. Meu partido não foi bem, fez só oito deputados estaduais, cinco federais, não tivemos a candidato a presidente da República, o candidato ao governo, um desgaste natural das coisas que aconteceram, e eu tive quase 30 mil votos. Então eu não posso, de forma nenhuma... até porque, nenhum político na história de Bauru cumpriu 28 anos de mandato seguidos. Fui eleito prefeito pela vontade do meu povo. Só que havia a mágica do doutor Golbery.

JC - E futuro?

Purini - Como diz o chavão, a Deus pertence.

JC - Há informações de que há possibilidade de que, por indicação do partido, o senhor possa assumir um cargo no Governo Covas.

Purini - O governador ainda não chamou a bancada do PMDB para conversar. Eu não posso ficar sem trabalhar, eu tenho que fazer alguma coisa. Meu espírito agitado não pode ficar parado. No momento em que eu for chamado para trabalho... mas não existe nada. Em chamando, se houver perspectiva, evidente que eu estarei disposto.

JC - E se não houver esse convite?

Purini - Aí eu terei que ver.

JC - Que avaliação o senhor faz dessa nova Assembléia?

Purini - Não dá para saber. Mas uma coisa

é certa. Eu já disse ao Pedro e ao próprio Carlos que o Legislativo, qualquer que seja a esfera, decepciona. Você é um pedinte, é um mendicante. Tem que ficar de pires na mão. Só o andar da carruagem vai dizer como vai funcionar.

JC - O senhor tem intenção de disputar a prefeitura de Bauru em 2000?

Purini - Não. Em princípio, não. Eu acho que as forças políticas de Bauru, pra tirar esse atraso, tem que sentar. Toda vez é que quero chegar, eu quero fazer, eu vou acontecer. Mas só chega um. E quem não chega, o correto é ajudar. Afinal de contas, a cidade é de todos nós.

JC - E o momento da cidade é de inquietação, nesse momento.

Purini - Bauru não é só uma grande cidade, é a minha cidade. E por isso é maior que esses infortúnios. É a minha cidade, onde eu não nasci, mas onde eu me casei, onde nasceram meus filhos, onde vai nascer meu neto. É amor pela causa.

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