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Adriana Rota
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Índice de cárie em Bauru supera o nacional

Índice de cárie em Bauru é maior que a média brasileira

Texto: Adriana Rota

O estudo mais recente realizado em Bauru para apurar a incidência de cárie, foi realizado em 1995 e revelou números alarmantes: 4,13 dentes, enquanto a média brasileira atual

é de 3,06.

A apuração costuma ser realizada em crianças de 12 anos, idade específica para identificação do índice de cárie apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No mundo todo esse nível vem declinando, fruto de uma maior informação e produção científica - embora os avanços, geralmente, demorem a chegar para a sociedade.

É possível observar algum avanço no próprio município: em 1975, atacava, em média, 9,89 dentes, em 1984, 7,01 e, em 1990, caiu para 3,89 dentes.

Segundo o professor titular de Odontologia Preventiva da FOB/USP José Roberto de Magalhães Bastos, 51 anos, o índice de 4,13, em 1995, foi decepcionante, porque esperava-se algo em torno de 3. "O que mais aborrece a gente é que o índice de cárie de Bauru era, praticamente, a metade do brasileiro. Os dados mais recentes mostram que a cidade tem 30% a mais de cárie do que o país como um todo. Isso, numa localidade respeitada justamente no ramo da Odontologia, não pode acontecer", lamentou.

Bastos atribuiu esse incremento à política municipal de Saúde "frustrante" dos últimos 10 anos.

"Bauru teve um secretário de Saúde, anos atrás, chamado Davi Capistrano. Na sua gestão, todos os indicadores mostraram que a Saúde evoluiu muito (essa é uma opinião generalizada). O grupo do qual ele fazia parte foi para Santos. Lá, o índice de cárie que era muito alto, passou para 1,73, um índice de primeiro mundo", afirmou.

Ele acredita que o Poder Público tem como obrigação, além de manter um serviço de combate à doença, como o dos postos de saúde, também adotar medidas amplas de ação para prevenir os problemas. "Nos

últimos anos, Bauru tem tido políticas um tanto desastrosas e isso faz com que haja problemas em todos os setores. Estamos vendo os resultados disso hoje. Imagino que devíamos ter uma comissão, extra-Prefeitura, mas bancada por ela, formada por pessoas que façam controle da qualidade da

água. O DAE tem feito o seu papel. Cabe agora à comunidade, até para auxiliar o DAE. Além disso, a Câmara poderia propor um projeto de lei, como várias cidades já fizeram, criando um programa de escovação supervisionada. Dentro de alguns anos, os níveis certamente estarão menores. Foi o que aconteceu em Santos. Bauru merece isso".

O professor comparou o trabalho dos dentistas da cidade a uma torneira aberta. "A gente seca a pia o tempo todo, mas a torneira continua aberta. É preciso que se trabalhe para fechar a torneira. Ou seja, precisamos de um programa sério para conter a cárie dentária em Bauru. Com controle rígido, a cidade sai do buraco da cárie dentária", opinou.

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