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TV a cabo

Eva Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

TVs a cabo testam acesso mais veloz à Internet

TVs a cabo testam acesso mais veloz à Internet

Texto: Eva Rodrigues

O cable modem permite aproveitar a rede de cabos usada nas transmissões de TV também para acessar a rede mundial

O surgimento de novas tecnologias sempre traz à tona previsões de que tudo que existia até então está fadado

à morte. O tempo tem mostrado, contudo, que nem sempre o novo derruba o velho, mas abre-se mais um espaço em que ambos caminham juntos. Desta vez, a novidade em questão

é o acesso à Internet pela TV a cabo ou cable modem, que promete acesso à rede mundial a velocidades muito superiores

às obtidas através do sistema de linha discada. Será o fim dos provedores tradicionais, um novo parceiro ou apenas uma tecnologia que não será viabilizada?

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou algumas operadoras de TV a cabo a testar oficialmente o acesso à Internet através do cabo. Mas antes mesmo dessa autorização, várias operadoras já vinham fazendo os testes.

A TVC Oeste Paulista, de Marília, estabeleceu uma parceria com a Cisco Systems e a Prolan (Integradora da Cisco no Brasil) para testes do sistema nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. Conforme o engenheiro da TVC, Oswaldo Zanguettin Filho, foram tomados dois nós óticos e ativado o sistema de retorno para que a rede operasse em modo two way. Uma central (algo parecido com uma central telefônica) foi instalada para fazer a administração dos cable modem - essa central foi interligada ao provedor de Internet. Depois de digitalizado um canal de vídeo e feita uma aplicação chamada IPTV (propicia ao assinante ver TV através do micro), os testes foram executados.

Zanguettin avalia os resultados como altamente positivos: "Conseguimos velocidades de download que variaram de um mínimo de 130 Kbps a um máximo de 5 Mbps". Para comparar, a velocidade de uma conexão por linha discada chega a 56 Kbps. O engenheiro acredita que para o assinante o preço deve ser igual ao que os provedores cobram atualmente - em torno de R$ 40,00. O cable modem two way (bidirecional) custa em torno de US$ 350.

"A vantagem para o assinante é que não vai gastar mais com a linha telefônica."

As constantes interferências, que sempre foram um problema nas transmissões a cabo, segundo Zanguettin estão superadas: "A TV a cabo, da forma como foi concebida, tinha uma característica complicada para o sistema de retorno. Mas a aplicação de fibra ótica reduziu muito o problema de ruídos, que hoje está em níveis aceitáveis".

O engenheiro também não acredita em concorrência com os provedores tradicionais: "Acho que vai melhorar a vida dos provedores. Hoje eles estão nas mãos da Telefonica, mas terão a possibilidade de ser nossos parceiros".

Espaço para todos

Entre os provedores bauruenses a chegada de uma nova tecnologia

é vista com o devido respeito mas também com a tranquilidade de quem já está inserido no mercado. Para o proprietário da Adaptanet, Airton Caetano, "é mais uma concorrência, uma tecnologia nova, e eu acredito que o diferencial esteja no nível da prestação de serviço, como nas áreas de suporte e treinamento". Outro fator limitante citado por Caetano é o fato de que não basta ser assinante de uma TV a cabo para ter acesso à Internet:

"As pessoas vão ter que adquirir equipamentos como o cable modem, que não é uma tecnologia barata", argumenta. Será o fim dos provedores tradicionais? Não, para o proprietário de provedor "existe espaço para todo mundo e alguns trabalham focados para o usuário, que é o que eu acho que vai acontecer com os provedores de TVs a cabo - eles não vão trabalhar ligados às empresas. Os provedores, por exemplo, quando entraram no mercado faziam hospedagem, faziam acesso, conteúdo, domínio, tudo. Agora, o que começa a acontecer é que está se separando, começa a ter especialidade em cada coisa.

É por aí que se deve caminhar e nós poderemos trabalhar em parceria com a TV a cabo, hospedando as páginas por exemplo.

O gerente de tecnologia da Travelnet, Edgar Miguel, avalia que o impacto da nova tecnologia vai depender do modelo comercial e da relação com o usuário que serão estabelecidos pelas TVs a cabo. "Em princípio, cada tecnologia tem a sua função, o seu nicho. O que deve haver é uma reacomodação do mercado, o que é muito salutar e obriga nossas empresas a estarem sempre mudando. O importante de tudo isso é que os acessos sejam cada vez mais rápidos, a Internet se popularize e todo mundo saia ganhando."

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