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Violência nas escolas

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

PM explica número de ocorrência nas escolas

PM explica número de ocorrência nas escolas

Texto: Luciano Augusto

O Comandante da 1.ª Cia da Polícia Militar (PM), Benedito Roberto Meira esclareceu, ontem, os dados estatísticos sobre ocorrências policiais que envolvem escolas. De acordo com o comandante, o aumento no número de ocorrências

(em 97 foram registradas 117 ocorrências e no ano passado, 166, gerando um aumento de 41,88% no número absoluto de ocorrências policiais) não deve ser confundido com aumento da violência envolvendo alunos, como os casos de brigas, porte e tráfico de drogas.

O comandante frisou que o aumento no número de ocorrências

é uma conseqüência do trabalho que a PM vem desenvolvendo desde 96, quando estas passaram a ser discriminadas, orientando os diretores e vizinhos das escolas a acionarem a polícia sempre que notarem algo de errado, não necessariamente, dentro das escolas, mas em suas proximidades. "Houve mais um aumento da preocupação com a integridade da escola e do aluno do que propriamente da violência. Essa preocupação aumentou, porque a PM, nas reuniões com os diretores, orienta para que se registre a ocorrência, porque queremos ver a realidade das escolas", completa Meira. Como exemplo, ele cita situações como ocorrências de trânsito em frente às escolas, depredações e furtos, ocorridos em finais-de-semana.

Em 98 foram registradas 166 ocorrências policiais envolvendo escolas. Dessas, houve um registro de homicídio, numa escola do Jardim Marambá quando um aluno matou a tiros um outro garoto que não estudava na escola, e 26 de lesão corporal. Na lesão corporal distinguem-se duas situações: a lesão propriamente dita, quando a pessoa recebe uma agressão física, com marcas evidentes, e um outro tipo de agressão, denominado como "vias de fato", onde não existem marcas aparentes, mas existe, pelo menos, a intenção da agressão. O restante varia de ameaça de bomba a multas de trânsito por estacionamento irregular. Neste ano, foram registradas, até o momento, oito ocorrências: quatro furtos, três lesões corporais e uma apreensão de entorpecente (maconha).

A iniciativa da PM, segundo o comandante, de incentivar o apoio da comunidade ao trabalho da polícia já deu resultados importantes. Como disse, "depois do episódio do homicídio, várias medidas foram adotadas e, hoje, ela é exemplar, porque os pais se envolveram com os problemas da escola".

Buscando aprimorar esta relação com a comunidade, a PM lançou, ontem, o programa "Juventude Contra o Crime", importado dos Estados Unidos.

Como explicou o Comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar, Antonio Sérgio Marsolla, o programa é permanente, e tem como objetivo envolver a Polícia Militar, diretores, professores e funcionários da escola, pais, e, principalmente, os alunos. Pretende-se, com isso, criar uma consciência na juventude para que ela também discuta os problemas e encontre, junto com os demais interessados, suas soluções. Os alunos passam a ser parte do problema, porque na maioria das vezes, eles são as vítimas. O "Juventude Contra o Crime vai abranger todos os alunos da rede pública estadual. Cada escola organiza o seu sistema para desenvolver o programa durante todo o ano. Na reunião de ontem, entre a Polícia Militar e as 68 escolas subordinadas à Delegacia de Ensino de Bauru várias delas já manifestaram interesse de adesão ao projeto. Agora, resta à PM desenvolver um contato específico com cada escola.

A Polícia Militar desenvolve ainda, há dois anos, o Programa de Orientação e Resistência às Drogas (Proerd), exclusivo para alunos da 4.ª série do 1.º grau. No ano passado, o Proerd atingia somente as escolas da rede estadual. Este ano, escolas municipais também serão atendidas, restando, para um terceiro momento, as particulares.

É um programa tipicamente de prevenção ao uso de qualquer tipo de drogas, desenvolvido durante um semestre inteiro, com resultados a médio prazo. Já passaram pelo Proerd cerca de 5 mil crianças.

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