Seccional conclui inquérito com perícia
Seccional conclui inquérito com perícia
Texto: Nélson Gonçalves
Delegacia Seccional vai realizar novas perícias nas residências dos vereadores que sofreram atentados com bombas
A Delegacia Seccional de Bauru encerra, no início da próxima semana, os autos suplementares do inquérito que investiga a autoria e abrangência dos atentados contra a residência de vereadores. Ontem, o delegado Seccional ouviu mais três pessoas, citados como simpatizantes do governo Izzo. Os laudos e o relatório do autos suplementares serão encaminhados
à Procuradoria de Justiça e, posteriormente, vão ser juntados ao processo no Tribunal de Justiça (TJ).
O delegado assistente, Edson Cardia, sob a coordenação de Luiz Augusto de Oliveira Castro, antecipou que vai acompanhar pessoalmente o trabalho a ser realizado nesta segunda-feira na residência dos vereadores que sofreram atentados e nos veículos atingidos por arma de fogo. A Polícia Civil quer ampliar a demonstração de risco em relação
às ocorrências e dar uma dimensão ampla do perigo gerado em função dos atos criminosos, colocando em risco a vida não só das vítimas potenciais como a de terceiros.
A Delegacia Seccional ouviu, pela segunda vez, o ex-secretário de Turismo do governo Izzo Filho, Alberto Ayub. O delegado Edson Cardia informou que Ayub não acrescentou novas informações ao inquérito policial. Alberto Ayub declarou que o ex-prefeito pediu para que fossem retirados da cidade os seguranças que, em seguida, foram presos por acusação de participação nos atentados. Ayub informou que recebeu dinheiro do próprio Izzo para repassar aos seguranças, sobretudo Djalma Duarte Gonzaga. A primeira intenção era fazer com que Djalma ficasse, por alguns dias, em alguma cidade da região, até que recebesse orientação através de advogado.
A Delegacia Seccional também ouviu o ex-chefe de Gabinete, Nélson Aquiles Quagliato, mencionado por Izzo Filho como o autor da contratação dos seguranças. Quem teria apresentado os seguranças à administração municipal seria Alberto Ayub. As informações preliminares são de que as declarações de Quagliato à Polícia Civil também não teriam trazido novidades
à investigação.
O depoimento mais esperado, este pela terceira tentativa, foi o do segurança Carlos Roberto Thomaz, o "Robertão". Edson Cardia comenta que, mais uma vez, Robertão demonstrou intenção de dar declarações mas que, novamente, foi convencido pelo seu advogado, Edson Roberto Reis, a não se manifestar. A polícia ponderou para o preso que poderia ter o benefício da colaboração no inquérito, tendo sua possível condenação reduzida em até dois terços, se decidisse dar informações.
Entretanto, ficou consignado neste segundo depoimento todas as indagações que a Polícia Civil fez a Roberto Carlos Thomaz. Desta vez, entretanto, Robertão não negou nem confirmou as acusações que pesam contra ele, apenas dizendo que não responde. O silêncio de Robertão em relação à todas as perguntas feitas pela polícia pode ser utilizado pela promotoria pública como um complicador em relação à sua situação.
Enquanto isso, permanecem presos os seis acusados de participação ou autoria nos atentados, sendo os seguranças Djalma Duarte Gonzaga e Roberto Carlos Thomaz, o mototaxista Fábio Souza Fernandes, o ex-assessor da Regional Administrativa do Mary Dota, Nivaldo Aparecido da Silva, o ex-assessor da Cohab, Lourival Dadamos e o contratado Alexandre Humberto Santos.
Por outro lado, a Delegacia Seccional continua as diligências na tentativa de cumprir o mandado de prisão preventiva contra o prefeito cassado pela Câmara Municipal pela segunda vez, Antonio Izzo Filho (sem partido). A decisão é do segundo vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, desembargador Djalma Lofrano.