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Desenvolvimento

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 8 min

Comissão quer desenvolver Duartina

Comissão quer desenvolver Duartina

Texto: Fábio Grellet

Sugestão do prefeito foi adotada e grupo de empresários da cidade está coordenando ações para difundir a cidade e criar mais empregos

Duartina - Preocupado em criar meios que permitam acelerar o desenvolvimento de Duartina, o prefeito da cidade, Jorge Paranho, propôs a criação de uma comissão que atuasse para definir e implementar ações em prol do desenvolvimento da cidade.

A sugestão foi bem-vinda pelos moradores e um grupo de empresários foi convidado a compor a Comissão para o Desenvolvimento de Duartina.

Segundo João Lozano Filho, presidente da Comissão, seu objetivo é atuar simultaneamente em três patamares, quais sejam: buscando conscientizar a população da cidade sobre os potenciais de que ela própria dispõe, divulgar Duartina para a região e, especialmente, criar empregos na cidade. A expectativa é de que o grupo, trocando experiências entre si e buscando novas idéias através de contatos com os mais diversos públicos, proponha ações que viabilizem o desenvolvimento da cidade.

Duartina tem aproximadamente 16 mil habitantes. Lozano calcula que aproximadamente 30% dos trabalhadores da cidade estão empregados na agricultura; outros 30% na indústria e o restante (40%) no comércio. A Comissão pretende atuar nos três segmentos, e as primeiras ações já foram colocadas em prática.

Incentivos

Em apoio à agricultura, segundo Lozano, estão sendo distribuídas cerca de 130 mil mudas de café, já disponíveis aos interessados, na Casa da Agricultura da cidade. Tabém está sendo viabilizada a aplicação de calcário, usado para recuperar o solo, aos agricultores que necessitarem desse serviço. O calcário e os equipamentos necessários para sua aplicação já estão disponíveis. O apoio técnico aos agricultores está sendo oferecido através de cursos e palestras, viabilizados em parceria com a Casa da Agricultura.

Na área da indústria, os incentivos consistem na cessão de terrenos e barracões a empresas interessadas em se instalar na cidade. Segundo Lozano, há 4 barracões disponíveis, somando 2 mil metros quadrados de área livre. Outros terrenos, alguns em área próxima aos barracões e os demais em outra região da cidade, somam, ao todo, 7 mil metros quadrados de área à disposição de empreendedores.

Outra ação na área industrial é a criação da Incubadora de Indústrias, desenvolvida nos moldes de outras já existentes na região - em Agudos, por exemplo, uma delas seria inaugurada na última sexta-feira.

A incubadora é um projeto realizado em parceria com o Sebrae

(Serviço de Apoio à Pequena e Micro Empresa) e consiste na criação de um amplo barracão com áreas específicas para que diversas empresas se instalem. A infra-estrutura, porém, atende todas as empresas em conjunto, de forma a reduzir custos e oferecer melhores oportunidades de manutenção e crescimento à empresa. Há um período máximo

(em geral, de dois anos) durante o qual a empresa pode se manter instalada na incubadora. Depois disso, deve mudar-se para um prédio em que funcione sem o apoio da incubadora.

Outro objetivo da Comissão é obter a implementação do curso profissionalizante em Mecânica do Senai, em Duartina. O telecurso, implementado através de uma parceria entre o Senai e a Prefeitura da cidade, foi muito bem sucedido na cidade, e por isso há perspectivas de instalação, também, do curso profissionalizante. (leia matéria sobre o assunto)

Entre ações já implementadas e outras em fase de planejamento, a Comissão está em plena atividade, buscando atingir as metas previstas - afinal, como afirmou Lozano,

é hora de todos, unidos, contribuírem para que Duartina cresça e se desenvolva!

Telecurso faz sucesso em Duartina

Texto: Fábio Grellet

Cidade já tem 232 alunos freqüentando telessalas; há negociações para que o Senai, parceiro da prefeitura no projeto, instale curso profissionalizante na cidade

Duartina - O Telecurso 2000, programa de ensino desenvolvido pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), através do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), e voltado às necessidades do público adulto e trabalhador - que geralmente tem dificuldades para freqüentar constantemente um mesmo horário de aulas, em razão de compromissos e imprevistos - tem um de seus maiores públicos, dentre os municípios da região, na cidade de Duartina. Lá, já existem 232 alunos matriculados em cursos do 1.º e 2.º Graus, distribuídos em 8 turmas que freqüentam telessalas pela manhã (entre 7h30 e 9h30) ou à noite (em dois horários, das 19 às 21 horas e das 21 às 23 horas).

Maria Rosa Maranho, primeira-dama do município e presidente do Fundo Social de Solidariedade de Duartina, foi a grande incentivadora da parceria entre a Prefeitura e a Fiesp, que permitiu a instalação das telessalas.

Início

A primeira-dama conta que muitas pessoas procuravam a Prefeitura para solicitar a solução de um problema: gostariam de se alfabetizar, mas já não tinham idade para freqüentar os cursos regularmente oferecidos pelas escolas públicas. Em atenção a essas pessoas, a Prefeitura decidiu criar um curso de alfabetização voltado para adultos, cujas aulas se iniciaram em agosto de 1997, com 60 alunos. As aulas aconteciam em salas das escolas municipais, e os professores também eram componentes da rede municipal de ensino - com exceção de uma delas, já aposentada, que se dispôs a dar aulas gratuitamente.

Ao final do curso de alfabetização, os freqüentadores demonstraram interesse em dar continuidade aos estudos, aprimorando-se. Muitos levaram esse desejo ao conhecimento da primeira-dama, e Maria Rosa, buscando uma forma de viabilizar os estudos desses adultos, deparou-se com a possibilidade de criação das telessalas. Empenhou-se, então, na concretização da parceria entre a Prefeitura e a Fiesp, e conseguiu garantir a continuidade dos estudos aos que assim desejavam. Através de um projeto, foram definidas metas de instalação e funcionamento das telessalas. Coube à Prefeitura adquirir parte das apostilas usadas nas telessalas, além de pagar a monitora e adquirir os aparelhos de tevê e vídeo usados durante as aulas.

O objetivo inicial restringia-se à formação de salas apenas para o Ensino Fundamental (antigo "Primeiro Grau"), porque o custo de instalação de cada sala é de aproximadamente R$ 3 mil - incluso apenas o material didático, e não o preço dos aparelhos de tevê e vídeo e, ainda, o pagamento de um monitor

- e não havia verba disponível para a instalação de muitas salas. Mas a procura pelo Segundo Grau também foi bastante intensa e, em razão dela, não havia como deixar de atender tantas pessoas. Por isso, desde o início, surgiram também telessalas de 2.º Grau.

Inicialmente, foi contratada apenas uma monitora - na verdade, uma professora municipal, que ganhava horas extras para atender aos novos alunos. Diante do sucesso da iniciativa, outras duas professoras foram contratadas. Atualmente, portanto, Sônia Aparecida Casarin Garla é monitora de salas de 1.º e 2.º Graus, enquanto Sônia Aparecida de Oliveira monitora telessalas de 1.º Grau e Rosimeire Cabrini atua no curso de 2.º Grau.

O único critério para se inscrever no curso é a idade: apenas quem já não se enquadra na faixa etária de alunos do curso regular pode se matricular no Telecurso.

Telecurso forma três níveis de alunos

As gravações em vídeo do Telecurso aplicado em Duartina são as mesmas veiculadas pela tevê, no início da manhã.

As disciplinas para o Primeiro Grau são Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, Ciências, História e Inglês. Já no curso de Segundo Grau são ministradas aulas de Língua Portuguesa, Matemática, Química, Física, Inglês, Biologia, História e Geografia. Existe também o curso profissionalizante de Mecânica, que ainda não está sendo ministrado em Duartina - mas, segundo afirma Maria Rosa, há negociações visando sua instalação. A primeira-dama, porém, não expôs detalhes sobre o projeto, como o prazo para que ocorra a implementação do curso.

Mais apoio

A diferença entre as telessalas e o acompanhamento individual do curso, através da tevê, é a orientação: quem adquire os livros e individualmente assiste às aulas, em casa, não dispõe do auxílio de monitores

- que, nas telessalas, ficam à disposição dos alunos para orientá-los e sanar eventuais dúvidas.

Conforme José Carlos Sgnoretti da Silva, diretor do Senai, as aulas ministradas em grupo são proveitosas porque cada aluno é incentivado pelos demais, e esse apoio mútuo evita que surja o desinteresse pelas aulas. Assistindo aulas individualmente, pela televisão, a possibilidade do aluno sentir-se desestimulado

é maior, frisou ele.

Método

As aulas em vídeo demoram aproximadamente 15 minutos. Após a apresentação do vídeo, inicia-se a etapa de resolução dos exercícios, com o acompanhamento do monitor. Cada aula tem a duração de duas horas e acontece diariamente, entre segunda e sexta-feira.

Como, dentre as 8 turmas existentes em Duartina, algumas foram criadas simultaneamente e seus alunos estão em estágios idênticos do aprendizado, quem eventualmente não possa assistir às aulas em seu horário habitual tem a oportunidade de assistí-la junto com outra turma.

Muitos aproveitam essa oportunidade, já que nem sempre podem freqüentar as aulas no mesmo horário.

Diretor do Senai visita telessalas

Na última terça-feira, o diretor do Senai de Bauru, José Carlos Sgnoretti da Silva, esteve em Duartina, para visitar os alunos presentes à aula matutina.

Silva exaltou a importância do telecurso, que tem por objetivo instruir os trabalhadores em meio a um mercado de trabalho cada vez mais competitivo - especialmente em tempos de crise, como agora.

O telecurso foi, segundo Silva, a forma encontrada pela Fiesp, através de seu segmento voltado à educação

(o Senai), para oferecer ensino aos trabalhadores que, até em razão dos compromissos profissionais, têm dificuldades em comparecer às aulas de um curso regular, que não ofereça alternativas de horário compatíveis com suas necessidades.

A dinâmica do telecurso, em que, inicialmente, os temas são abordados através de imagens em vídeo, também foi elogiada pelo diretor do Senai, que a qualificou como bastante atrativa, ao contrário de uma aula em que o professor tenha que expor o tema sem quaisquer recursos áudio-visuais.

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