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Criação de bovino

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 6 min

Precocidade privilegia criação de Marchigiana

Precocidade privilegia criação de Marchigiana

Texto: Márcia Buzalaf

Seu criador diz que esta raça de gado é a sensação nos leilões, que seu porte físico beneficia o sabor da carne e, portanto, do preço a ser comercializado. De origem italiana, o rústico gado Marchigiana é conhecido por ser bastante precoce. Geralmente, é desmamado aos oito meses, pode ser comercializado entre 20 e 24 meses quando criado no pasto e nasce com um peso médio de 250 Kg. Além disso, o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Marchigiana (ABCM), Gilson Katayama, 33 anos, diz que este gado se adapta a todas as regiões do Brasil.

De acordo com o criador de gado puro e cruzado Marchigiana de Agudos, Alcides Bernardi Júnior, a opção por esta raça de gado foi tomada depois de criar Nelore e Simental. O motivo, segundo ele, é pela própria qualidade do gado e da carne e couro que ele possui.

Há dez anos com sua criação, Bernardi Júnior diz que a precocidade do gado é o grande motivo do sua lucratividade.

Com a precocidade do abate, o Marchigiana tem um couro mais valorizado.

"Por que, se você abater o animal bem novo, ele vai pegar menos carrapato, vai se machucar menos com cerca", diz.

Além da precocidade, Bernardi Júnior diz que o rendimento da carne deste gado. Das três raças italianas para produção de novilho precoce (Marchigiana, Romagnola e Piemontese), o Marchigiana é tido como o que tem mais peso e rendimento de carcaça.

O rendimento da carne do Marchigiana criado solto no pasto é de 56%. Outras raças chegam a dar rendimentos de até 52%. Na Europa, Bernardi Júnior diz, o rendimento de carcaça de gado confinado é de 60%. Em um gado Marchigiana com 723 Kg, por exemplo, o rendimento de carne foi de 446 Kg.

A carne do Marchigiana é marmorizada, ou seja, tem uma camada de gordura que, segundo Bernardi Júnior, é muito requisitada em outros países, por ser mais saborosa.

O presidente da ABCM disse que existem estudos científicos que comprovam a qualidade superior da carne das fêmeas meio-sangue Marchigiana. O preço da carne da fêmea, geralmente,

é 20% menor do que o do macho, o que prejudica fortemente a criação.

Para Katayama, o ganho de peso do Marchigiana é superior a vários tipos de gado. O fato da carne do Marchigiana ser mais saborosa pode garantir ao Brasil um maior mercado na exportação da carne.

Leilão

Bernardi Júnior cria Marchigiana de corte para comercializar o gado em leilões. Ele conta que, nos leilões em Bauru, os produtores estão bem interessados no Marchigiana.

"Eles são disputados; são os animais mais valorizados", diz Bernardi Júnior.

Geralmente, ele diz, a idade média com que o Marchigiana

é vendido nos leilões é 16 meses. Com esta idade, seu peso varia entre 12 a 13 arrobas, Bernardi Júnior conta.

Katayama diz que se um comprador se interessar em adquirir um touro hoje, não conseguirá. A falta do animal faz com que seu preço atinja mais elevados níveis na comercialização.

Bernardi Júnior comprova a teoria na prática. Em um leilão realizado em fevereiro, o criador conseguiu vender um bezerro Marchigiana desmamado com oito meses por R$ 300,00. No bezerro de um ano e meio, o preço subiu para R$ 407,00.

Físico

O Marchigiana é conhecido com sendo o gado de pêlo branco e pele preta, o que indica resistência ao calor similar

à formação do Nelore. De zero a dez, a resistência do Marchigiana é de 9,2; o Nelore, é 9,6.

Bernardi Júnior e seu pai, Alcides Bernardes, que também cuida da criação, dizem que as raças Simental e Limosin não são tão resistentes assim, justamente por terem pele branca.

Outro ponto forte destacado pelo criador é o tamanho com que nasce o Marchigiana. Segundo Bernardi Júnior, a raça nasce com 35 Kg.

O Marchigiana costuma desmamar com oito meses, pesando cerca de 250 Kg. No abate, entre 22 e 24 meses, o Marchigiana pesa cerca de 18 arrobas. Bernardi Júnior diz que o Nelore, para chegar neste peso, demora cerca de um ano a um ano e meio.

Cruzamento

O touro Marchigiana serve cerca de 30 vacas. Com monta controlada, pode servir até 100 vacas por animal. Bernardi Júnior diz ter 30 touros puros, entre as mil cabeças de gado puro e cruzado que ele tem.

Na época da seca, entre os meses de maio a agosto, Bernardi Júnior diz que é feito um semi-confinamento à base de cana, cama de frango e polpa cítrica (bagaço de laranja). Na opinião do criador, estes três alimentos são nutritivos e baratos. A laranja tem entre 75% a 80% de nutrientes digestivos.

Para Bernardi Júnior, a falta de informação dos produtores é o motivo da utilização mais comum do milho como alimento do gado. Para ele, existe matéria-prima bem mais barata e com o mesmo nível proteico.

O único cuidado com o uso da cama de frango como alimento, segundo Bernardi Júnior, é que os gados que utilizam este tipo de insumo terão que ser previamente vacinados contra o botulismo, doença transmissível pelo frango.

Vida de gado

A origem do Marchigiana é antiga é data da Itália no século V. O gado foi desenvolvido na região italiana de Marche, caracterizada por verões secos e quentes e por invernos úmidos e frios. Por este motivo, acredita-se que o Marchigiana desenvolveu músculos mais resistentes. Outras características que marcam o animal são precocidade e fertilidade. No comportamento, o gado costuma ser dócil e fácil de trabalhar.

O Marchigiana chegou ao Brasil no ano de 65, e começou a ser criado em Porto Alegre. A partir de 1971, alguns produtores começaram a importar lotes de animais.

Serviço

Mais informações sobre o gado Marchigiana podem ser obtidas no site oficial da raça: www.marchigiana.org.br.

NO TOPO:

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, lançou um manual de orientação sobre Pesquisa e Imprensa. Tópicos como o papel da imprensa, o momento de fornecer entrevistas, as recomendações, as formas de se redigir um artigo, os pré-requisitos de uma coletiva e até mesmo o que é notícia foram abordados nas 27 páginas do guia de orientação para um bom relacionamento com a mídia. Informações na própria Embrapa: (061) 348-4207.

NOTINHAS:

Bovino

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), juntamente com o Sindicato Rural de Bauru, está organizando um curso de formação profissional em manejo de animal adulto

- bovino de leite - nos dias 13, 14 e 15. O curso é gratuito e fornece material, transporte e alimentação. Informações e inscrições com Cleusa pelo fone: 234-2938.

Londrina I

Entre os dias 8 e 11 de abril, Londrina vai sediar o 16.º Leilão Destaque, em que 50 criadores de Simental vai expor 350 animais. O evento faz parte da 39.ª Exposição Agropecuária de Londrina. Informações pelo fone: (043) 338-6000.

Londrina II

Será realizado o 3.º Leilão "Maxi Peso" dia 13 de abril, na Exposição Agropecuária de Londrina. Serão leiloados 1.500 animais para cria, recria e engorda. Informações: (043) 328-4200.

Em Bauru

A Associação Paulista de Criadores de Cavalos Quarto de Milha de Conformação e Trabalho, realiza neste final de semana, a IV Etapa do XI Campeonato Paulista. Na sexta-feira, as provas começam às 15 horas, no Recinto Mello Moraes; no sábado, as provas serão realizadas a partir das 9 horas; e, no domingo, a partir das 9 horas. Entrada aberta ao público. Informações: 236-1244.

Dia de Campo

No dia 17 de abril, o criador de Nelore PO, Nelson Pineda, realiza o Leilão na Fazenda Paredão, em Oriente, SP.

Neste sábado, dia 27, a partir das 9 horas, o criador vai fazer uma demonstração do leilão comemorando o Dia de Campo. Informações pelo fone: 236-1244.

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