Brasil aumenta participação de óleo orgânicos
Brasil aumenta participação de óleos orgânicos
Texto: Márcia Buzalaf
O Grupo Agropalma é o maior produtor de óleo de palma do país, gerando anualmente 40 mil toneladas, o que equivale a metade da produção nacional. Além de fornecedora de óleo bruto e gorduras, a empresa começa a ampliar sua atuação com o óleo orgânico, que são cada vez mais aceito no mercado externo, já que não usa agrotóxicos ou aditivos químicos.
A palma é adequada à região amazônica pelo tipo de solo e clima. Por este motivo, a Agropalma está ampliando sua plantação e promovendo a recuperação de áreas degradadas. Cerca de 7 mil hectares já foram beneficiados pelo projeto. Vale lembrar que 25 mil dos 50 mil hectares que a empresa possui são de florestas naturais.
O grupo Agropalma investiu mais de US$ 120 milhões em 16 anos de implantação, o que representa o maior investimento que uma instituição privada nacional já realizou neste tipo de cultura. A Agropalma também foi a primeira a construir uma refinaria de óleo de palma, capaz de, na primeira fase, processar mais de 120 toneladas de óleo por dia.
Em cinco anos, a Agropalma pretende dobrar sua produção atual e contribuir efetivamente para o atendimento da demanda interna, cujo potencial hoje é estimado em 150 mil toneladas por ano.
O grupo mantém laboratórios de análises químicas e físicas, além de fazer um controle biológico para prevenção de pragas e doenças visando minimizar o uso de aditivos químicos na cultura. Seu óleo orgânico recebeu o Selo Verde do Instituto Biodinâmico, órgão reconhecido pela International Federation of Organic Agriculture Movements (IFOAM), e o certificado Kosher, concedido pela Congregação Israelita.
Meio ambiente
Como a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentado são assuntos discutidos mundialmente, a Amazônia se torna uma das grandes preocupações.
Até pouco tempo atrás, a região se concentrava unicamente na extração de minérios, madeira, essências florestais e de culturas nativas, frutas tropicais e borracha natural. Isso mudou na última década, quando a palma passou a ser uma alternativa.
Caracterizada como a oleaginosa de mais alta produtividade que existe (atinge até 5 toneladas de óleo por hectare, 10 vezes mais que a soja), é apontada por especialistas como uma das melhores opções para o desenvolvimento da Amazônia. Além de recuperar as áreas devastadas com reflorestamento, a planta mantém a produtividade por até 25 anos.
Outra particularidade da palma é que ela favorece o equilíbrio do ecossistema e a temperatura média da região.
Dos 70 milhões de hectares aptos para o cultivo da palma na Amazônia, somente 40 mil hectares estão em produção. A Malásia, o maior do setor, possui 2,5 milhões de hectares plantados com palma.
Atualmente, 10% da adubação
é natural, com o objetivo de dobrar a área de cultivo orgânico. O adubo é subproduto da usina de extração de óleo, composto por fibras, cachos e efluentes ricos em potássio, cálcio, magnésio e microelementos.
O grupo também está investindo na recuperação de terras degradadas. Toda aquisição de novas áreas prioriza o plantio em locais que anteriormente eram pastagens ou culturas anuais.
Procura
Há uma tendência mundial pela procura de produtos naturais, e a palma é rica em vitamina E (tocotrienóis), não sofrendo hidrogenação e tendo versatilidade na aplicação. Para as indústrias, um dos motivos da sua utilização é a resistência
à oxidação, o que prolonga a vida útil dos alimentos.
O óleo de palma também é comumente usado na fabricação de alimentos, como margarinas, massas, frituras industriais, bolachas, chocolates e sorvetes. Com alto valor nutritivo, é recomendado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) como complemento alimentar.
Da palma, pode-se obter derivados como o
óleo de palmiste (extraído da amêndoa, é uma matéria-prima empregada na indústria alimentícia), em substituição ao óleo de coco e babaçu, na produção de chocolate, no lugar da manteiga de cacau, e na fabricação de cosméticos e sabonetes finos.
Com o processo de compostagem, as empresas transformam fibras, cascas e outros subprodutos da palma em um adubo rico em fósforo, nitrogênio e potássio, que é usado nos palmares.
Consumo
Depois da soja, o óleo de palma é o o óleo vegetal mais consumido no mundo. Apesar de contar com a maior área favorável do planeta para o cultivo, o Brasil ainda é um pequeno produtor nesse segmento.
A crescente procura pela palma deve-se à tendência mundial em substituir gorduras animais e hidrogenadas pelas naturais.
Por ano são produzidas mundialmente 101 milhões de toneladas de óleos e gorduras. A palma participa com 17 milhões de toneladas, sendo que 2,4 milhões de toneladas são consumidas pela União Européia que é a principal importadora do produto. E a expectativa é de aumento, pois a produção de óleo de palma vem crescendo cerca de 9% ao ano.
Os cuidados com o cultivo da palma começam na colheita dos frutos, que são levados diretamente para a linha de produção em até 12 horas para garantir menor acidez.
Já na fábrica, os frutos, que são transportados em containers, entram direto no esterilizador onde são cozidos a mais de 140ºC e separados da bucha na debulhação. Após a prensagem, chega-se finalmente ao óleo bruto de palma, que passa por vários processos de clarificação, visando obter um produto com 0,01% de impurezas. Esse sistema mescla o uso de tanques de decantação e centrífugas de duas e três fases.
Depois disso, o óleo bruto segue via balsa para a refinaria própria em Belém. O refino consiste na retirada de gomas e outras impurezas na fase de branqueamento. Em seguida acontece a desodorização em sistema de alto vácuo, temperatura e vapor, quando são retirados os ácidos graxos livres.
Após esse processo, tem início o fracionamento. Depois de homogeneizado e resfriado em tanques especiais, na cristalização, o óleo passa por filtros especiais que separam a parte líquida da sólida chamadas oleína e estearina, respectivamente.
Uma vez obtidas as frações, ocorre uma mixagem em proporções diferentes para se obter gorduras puras com variadas aplicações. Com dois anos de existência, a Cia. Refinadora da Amazônia está construída numa área de 84 mil metros quadrados e tem um terminal portuário que garante o escoamento de toda a produção.