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Criação de aves

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 5 min

Periquito fomenta a economia de Presidente Alves

Periquito fomenta economia em P. Alves

Texto: Marcos Zibordi

Criação para venda começou há três anos e já envolve mais de 20 criadores. Manejo é simples e barato

Presidente Alves - A criação do periquito australiano em Presidente Alves começou com Antonio Ortega Jeronymo, 59 anos, proprietário rural que comprou de outro criador o seu viveiro de fundo de quintal. Surpreendentemente, o negócio cresceu e se estendeu para outros produtores rurais na cidade, que desenvolviam outras atividades e descobriram nesse ramo uma possibilidade rentável de negócio.

Ortega conta que "nós começamos criar o periquito australiano sabendo que ele reproduzia bem e era um pássaro bonito. Quando a gente conseguiu formar dez viveiros, com 302 casais de matrizes, nós resolvemos parar de aumentar os viveiros e começamos então a vender a produção. Aí a gente se surpreendeu". O plantel foi formado em 11 meses, mas com a técnica que ele tem hoje, o mesmo plantel poderia ser formado em 5 meses, com os mesmos 120 pássaros do início.

Com o começo das vendas, Ortega diz que ficou surpreso com o volume de reprodução e com as vendas, principalmente em relação ao baixo custo. "Como a gente viu que a venda era grande, fomos ver quanto se gastava". O resultado da experiência mostrou que dez viveiros com 302 casais custava R$ 140 mensais, sem contar a mão-de-obra. "Nós nos surpreendemos com a rentabilidade e resolvemos ampliar. Aí, a gente tinha que conciliar ampliar e atender também às pessoas que começaram a procurar nossos pássaros, gente de São Paulo. Chegou uma ápoca, no segundo ano, que tinha que fazer lista de entrega. Vinha gente de Botucatu, Bauru, Embu, tanto comprador para começar criar, como comprador de loja e atravessador".

O aumento da criação forçou um aprendizado em relação ao manejo, pesquisando com outros criadores na prática a parte de alimentação. "Chegamos

à conclusão que o melhor era dar a verdura cedo, almeirão, chicória ou espinafre", ensina Ortega.

Outro alimento barato e de fácil preparo é a farinhada. Segundo Ortega, basta triturar pão amanhecido, desde que não esteja fungado. Quanto mais grosso o farelo, o passarinho gosta mais. Para cada cinco medidas de farelo de pão, mistura-se uma de ração de codorna de postura, uma de quirela de milho fina e uma média de dois ovos cozidos para cada 30 aves. Cenoura ralada e espinfre picado vão ser misturados aos ingredientes, fazendo uma espécie de farofa, a farinhada.

"Isso facilita o trato dos filhotes. É muito mais fácil o macho comer, passar para a fêmea o alimento na porta do ninho e a fêmea serve aos filhotes. Se você der o painço você vai ver que o trato dos filhotes não é tão fácil quanto seguir esta ordem: verdura, farinhada e mais tarde, o painço".

A explicação é que o painço é a comida básica dos periquitos e, se servido logo cedo, eles só comem esse alimento.

Ortega diz que quando o pessoal da cidade acreditou que a criação de pássaros estava dando renda, muitos ficaram interessados nos tais periquitos australianos. "O pessoal começou a perceber que o negócio era rentável e algumas pessoas estão até vivendo disso. Inclusive hoje, além dos atravessadores que vêm de fora, nós já temos dois criadores na cidade que, além de criar, também compram para revender em São Paulo".

O preço do pássaro em Presidente Alves está entre R$ 2,70 e R$ 2,80. Segundo Ortega, na capital o preço varia de R$ 3,50 a R$ 4,0. Em Goiás o preço é R$ 4,50 e em Cuiabá é R$ 4,80. "E na cidade vizinha de Pirajuí o pessoal também começou escutar. O pessoal começou vir aqui para visitar e começaram a criar. Já tem um fazendeiro em Pirajuí que vende em Cuiabá".

Em Presidente Alves existem cerca de 23 criadores, fazendo nascer de 4000 a 4500 pássaros por mês. No caso de Ortega, sua criação tem 870 casais de onde ele vende de 1600 a 2000 pássaros por mês.

Manejo

O correto para quem quer iniciar uma produção é comprar uma ninhada de filhotes. No caso, por exemplo, de quem quer começar com 300 casais, eles têm que ficar divididos em viveiros, com alguns vagos para os filhotes. "Esse filhote, com dez, quinze dias, ele começa namorar. Você pega aquele casal e põe no viveiro que está vazio. Cada casal que você ver namorando é um casal e assim que eles vão se formando".

Outro detalhe na alimentação é não dar alface, que causa desinteria nos pássaros. Existe também uma outra forma de ministrar o painço que aumenta seu poder nutritivo. Segundo os técnicos, a semente desse alimento tem cerca de 8% a 11% de nutrientes. Quando colocada para germinar, a semente pode adquirir de 28% a 33% de nutrientes. "Sem custo nenhum, você pega a semente, põe para germinar três, quatro dias, na hora que ele formar o palitinho, você serve".

O custo de um viveiro com 300 casais, sem incluir a mão de obra, fica em R$ 150 mensais. "Hoje em Presidente Alves equilibrou algums famílias com o passarinho. Um açougueiro me disse que os passarinhos estavam dando mais que o açougue".

O comércio é possível com as casas especializadas, que compram bem e em quantidade. "Se você fizer a parte sanitária bem feita, a parte de vermifugação, vai bem. Se você colocar, uma vez por semana, uma folha de bananeira em cada viveiro, não deixa dar desinteria. E eles trituram a folha de bananeira. Se quiser por uma gotinhas de limão na água você põe". O manejo é tão simples que a vermifugação dos pássaros pode ser feita com 5 gotas de licor de cacau em 250 ml de água dada para o passarinho beber.

Os viveiros são simples e nescessitam de tela e cortina para proteger os pássaros do vento e da chuva. Os predadores são o gavião, a cobra, a lagartixa e o rato. Em relação à procura por cores de periquitos, os verdes são os menos comerciais só que mais resistentes. O comércio procura mais os pássaros azuis e brancos. A vida do periquito vai de dez a 15 anos.

Nos primeiros 50 dias, a ração de codorna deve ser substituída por ração inicial. As fêmeas botam de 6 a 9 ovos por vez. O periquito bota os ovos paulatinamente, de forma que quando o último ovo é posto no ninho, o primeiro já foi chocado e talvez o filhote já tenha até nascido.

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