Dores de cabeça predominam na mulher
Dores de cabeça predominam na mulher
Texto: Sabrina Magalhães
Há mais de 100 tipos de cefaléias descritas na Medicina. Entre elas, as mais preocupantes são as tensionais, as enxaquecosas e as que sinalizam uma doença física
Apesar de serem um mal que atinge nove a cada dez pessoas no mundo, as cefaléias - popularmente chamadas dores de cabeça
- são mais freqüentes entre as mulheres. Especialistas acreditam que isso se deva às constantes oscilações hormonais por que passa o organismo feminino, já que boa parte das queixas aparecem sistematicamente durante o período de tensão pré-menstrual. As alterações nas taxas destas substâncias exigem que o corpo promova várias adaptações, com reflexos sobre a circulação cerebral, que "reclama" em forma de dor.
De acordo com os médicos, existem mais de 100 tipos diferentes de dor de cabeça catalogadas no mundo, nem todas de evolução crônica ou representando um problema ameaçador. Porém, algumas merecem atenção especial. Entre elas, as tensionais, as oftálmicas, as de origem alérgica ou tóxica, as que denunciam outras doenças e as enxaquecosas.
De acordo com o especialista em terapia da dor, Antônio Carlos de Camargo Andrade Filho, do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, é muito comum as pessoas apresentarem dores de cabeça fortes por causa de tensão muscular. Segundo ele, o estresse é o grande vilão neste sentido: as preocupações levam o indivíduo a contrair excessivamente os músculos do pescoço, das costas, do rosto e da cabeça. A médio prazo, isso desencadearia a dor.
"Outras situações que levam a dores de cabeça freqüentes são os distúrbios do sono, muito comuns principalmente em adultos jovens que trabalham em dois períodos e estudam no terceiro. Essas pessoas têm uma sobrecarga de atividade intelectual e dormem pouco ou mal, não dando o repouso necessário ao cérebro.
É o que chamamos de cefaléia por privação do sono. O tratamento para essa pessoa é ela fazer uma melhor administração de sua vida, fazer uma adequação do seu ritmo de vida, procurando dormir a maior quantidade de horas possível, de acordo com o comportamento dela. Tem pessoas que se contentam com cinco horas, outras precisam de dez."
Segundo Camargo, sabemos se dormimos o suficiente quando acordamos bem, dispostos para o dia que vem pela frente. A pessoa que tem sono insuficiente sente que acordou mais cansada do que estava quando foi dormir, sente seu corpo moído, fica indisposta.
"Estas pessoas referem ter dormido pouco ou ter tido um sono de má qualidade. E não sonham. Sonhar é altamente benéfico e protetor contra das dores de cabeça."
Dor como alerta
Além de apontar para um cansaço excessivo, outra função da dor de cabeça é alertar para problemas orgânicos. Dores, em geral, são alarmes de que algo não vai bem no organismo. Por isso, elas precisam ser sempre investigadas com atenção. As cefaléias podem ser sintomas de várias outras doenças, como as gripes, os distúrbios de articulação e mastigação, infecções nos seios da face (sinusites), inflamações (meningite), alterações visuais (astigmatismo, glaucoma), intoxicações por alimentos ou produtos químicos.
Quando é muito forte ou aparece abruptamente, a dor na cabeça pode indicar problemas mais sérios no cérebro, como hemorragias, aneurismas e tumores. "Essas aparecem de repente e são intensas, não cedem com medicamentos convencionais. Então, dores de cabeça persistentes, intensas, que aparecem abruptamente, devem ser minuciosamente averiguadas por um especialista."
Investigação
Um bom diagnóstico é imprescindível para o controle das cefaléias. Por isso, dores de cabeça freqüentes, intensas ao ponto de atrapalhar o indivíduo no desempenho de seu trabalho ou em seu convívio social, devem ser investigadas por um médico (geralmente o neurologista).
O primeiro passo, conforme Camargo, é ouvir o paciente e tentar tirar dele o máximo de informações possível a respeito do seu problema: se há uma freqüência, se a dor aparece depois de determinada atividade ou alimentação, se é uma dor pulsante, latejante ou contínua, se ela vem acompanhada de náuseas ou tontura, se alguém mais na família tem problema semelhante. "A partir daí o médico já pode inferir se aquela dor
é perigosa e merece mais atenção ou não."
Quando os sintomas denotam gravidade, o paciente então
é encaminhado para exames mais precisos, como tomografia computadorizada, eletroencefalograma, arteriografia cerebral, radiografia, ressonância magnética. Geralmente são pedidos também exames de sangue, para avaliar as taxas hormonais e uma possível disfunção.