Conselho revela violência em Agudos
Conselho revela violência em Agudos
Texto:Tânia Fonseca
Em um ano, o Conselho Tutelar registrou 207 envolvimentos com drogas 22 abusos sexuais e 292 evasões escolares
Agudos - Após um ano em funcionamento, a instalação do Conselho Tutelar do Município de Agudos, revela números preocupantes relacionados à violação de direitos de crianças e adolescentes na cidade. O número de atendimentos, de fevereiro de 98 a fevereiro de 99 ultrapassou os 2,5 mil. As maiores preocupações surgem com a constatação de grande envolvimento de menores com drogas, evasão escolar, abuso sexual, vandalismo, abandono e maus tratos de uma forma geral. Mas como a atuação do Conselho é bem ampla, nota-se também uma carência muito grande quanto a outros tipos de atendimentos sociais, tais como encaminhamentos a escola, creche, médico, psicólogo e Fundo Social. Esses dados mostram, segundo a presidente do Conselho, a assistente social Marlene Marques Prado, que a criação do órgão era mais que necessária na cidade e além do apoio da comunidade, precisa também de mais recursos para continuar em atividade, como salas adequadas, por exemplo.
O Conselho Tutelar é um órgão autônomo que atua no sentido de proteger os direitos da criança e do adolescente e age mediante denúncias. Mas além de trabalhar no sentido de proteger o menor, ele atua também de forma corretiva. "Existem situações em que a criança precisa passar por uma situação de correção. Às vezes a criança pensa que ela pode fazer o que ela bem entender e não é bem assim, então, se ela precisar ser encaminhada para alguma entidade, ela vai ter que ceder à determinação", explica Marlene.
Todas as vezes que os direitos dos menores são violados, o Conselho, que pode ser acionado por qualquer pessoa, entra em ação. Marlene Marques Prado, explica que todas as ocorrências que não sejam consideradas ato infracional, acabam sendo encaminhadas para o Conselho Tutelar. "A partir do momento que o fato é considerado ato infracional, já
é caso de polícia. Porém nós estamos muito ligados à polícia. Estamos trabalhando muito junto com a Delegacia porque normalmente são crianças que sofrem maus tratos e então têm que ser acompanhadas pelo Conselho".
A partir do momento em que uma denúncia chega ao Conselho Tutelar, é feita uma análise de caso, "porque cada caso é um caso", explica a assistente social lembrando que há crianças que têm problemas emocionais graves. Só que o pai ou a mãe não detectam e muitas vezes não aceitam. "Às vezes ela tem certa dificuldade ou causa problemas na escola e os pais não aceitam que ela precisa de ajuda". Há casos em que a própria escola faz a denúncia de que o aluno está causando transtornos na escola. "Então o Conselho vai conversar com essa criança, vai detectar se há a necessidade de acompanhamento, por exemplo, de um profissional da área de psicologia. E muitas vezes precisa", diz.
Neste primeiro ano de atuação, o Conselho funcionou em Agudos numa situação, quase que de desbravamento, uma vez que não haviam ainda bases definidas para atendimento e encaminhamento de cada ocorrência. Mas o que se espera para este ano são melhorias e investimentos para que os trabalhos possam ser melhor desenvolvidos. Mesmo assim, Marlene considera esse primeiro ano de atividades, positivo.
O decorrer desse primeiro ano em atividade é importante também para que o Conselho possa começar a avaliar os resultados de suas intervenções. E pelo que já foi possível notar, a presidente do Conselho afirma que a atuação do órgão é fundamental numa cidade, já que o importante, além da prevenção,
é evitar que pequenos transtornos tomem proporções gigantescas.
O Conselho é composto por cinco membros: a presidente Marlene; o vice-presidente, José Eduardo Ferreira; o secretário, Antonio Carlos Martins; e os conselheiros Ingborg Babak e Ilda Ramos. Eles se revezam em rodízios de 24 horas. O telefone para mais informações ou denúncias é o 262-1162. Além disso a polícia e o pronto-socorro têm os telefones particulares de cada membro para acioná-los a qualquer hora que for necessário.
Atendimento no 1º ano de funcionamento
Visita domiciliar 311
Encaminhamento médico 49
Encaminhamento psicológico 34
Encaminhamento fonoaudiológico 1
Encaminhamento ao Fundo Social 7
Atendimento a chamados de delegacia 133
Interrnação 54
Atendimento de denúnica anônima 48
Denúncia de escolas e outros 207
Desrespeito ao corpo docente 149
Brigas nas dependências de escola 67
Maus tratos 102
Abuso sexual 22
Drogas 207
Evasão escolar 292
Encaminhamento à matrícula escolar 50
Encaminhamento à creche 15
Aconselhamento 209
Denúncia de mendicância 33
Denúncia de abandono dos pais 33
Encaminhamento para mudança de guarda 20
Atendimento a solicitações do pronto-socorro 11
Atendimento a solicitações de Conselhos 36
Pedido paraformação de classe especial 1
Atendimento a solicitações da Curadoria da Infância e Juventude e do juiz para acompanhamento de casos 49
Total 2.548