Polícia Florestal faz BO para exigir fim de erosão
Polícia Florestal faz BO para exigir fim de erosão
Texto: Adriana Amorim
Os danos causados à natureza devido à formação de uma erosão nas proximidades da rua José Pícolo, no Parque Roosevelt, motivaram a elaboração de um boletim de ocorrência, feito ontem pela Polícia Florestal. O buraco começou a aparecer há cerca de dois anos e, agora, ameaça uma residência e a rede de iluminação elétrica.
A erosão toma conta de uma das quadras da rua e impede o tráfego de veículos. O buraco atinge cerca de 300 metros de extensão por quatro metros de profundidade, em média. O esgoto passou a desembocar no local e a canalização da rede de água está exposta. Parte do muro que cerca a bomba de água do Departamento de Água e Esgoto (DAE) caiu.
Segundo a Polícia Florestal, a principal causa da origem da erosão é o desvio de um córrego da região que, anteriormente, passava por uma propriedade rural. A situação se agravou porque a erosão passou a receber toda a enxurrada que desce da parte alta do bairro. "Por motivos naturais ou artificiais, o curso da água foi alterado", explica o tenente Marcelo Sanches. "Tudo indica que houve colaboração humana, mas isso quem vai dizer são as autoridades competentes".
O tenente explica que a Polícia Florestal não tem a atribuição de investigar o caso e fazer a autuação. Cabe a ela apenas a fiscalização e o encaminhamento para as autoridades competentes. A medida foi tomada porque, conforme a lei 6.225 da Constituição Estadual, as erosões constituem degradação do solo e surgem em desrespeito
à lei de conservação do solo.
No caso do Parque Roosevelt, o boletim será encaminhado
à Secretaria Municipal de Agricultura e ao Ministério Público. "Deve ser instaurada uma ação civil pública e nós também encaminharemos
à Polícia Civil para apuração das responsabilidades".
Embora haja inúmeras erosões na cidade, o tenente argumenta que a da rua José Pícolo é a que atualmente oferece maior risco à população e pode causar o assoreamento do Ribeirão das Flores, localizado nas proximidades. "Precisamos evitar antes que a situação se agrave e comprometa a abastecimento de água e o fornecimento de energia elétrica. Há várias erosões, mas em muitos casos a agressão é apenas em relação ao ambiente e não à vida das pessoas", explica.
Reclamação em vão
Os moradores da região disseram que apelaram para a Polícia Florestal depois de insistir junto à administração municipal. O marceneiro José Benedito Lima mora na casa que está à beira da erosão e explica que cansou de tanto pedir providências. O receio é de perder a casa que levou anos para construir.
A esposa de Lima, Mirian Cícera Lima, diz que não pode mais sair e deixar os filhos em casa porque teme que eles sejam "engolidos" pela erosão. Além do perigo, ela explica que até mesmo o trabalho da família está comprometido. "Essa região está desvalorizada e muita gente não tem confiança em pedir um serviço em uma marcenaria que está localizada nesse lugar".
O secretário de Obras, Leandro Joaquim, disse que a Defesa Civil estudou a situação na semana passada e teria constatado o desvio da nascente de um córrego como causa da erosão, mas preferiu não dar detalhes. A reportagem tentou por várias vezes, mas não conseguiu entrar em contato com a Defesa Civil.