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Campanha salarial

Luciano Augusto
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Sindhosp propõe aumento zero para trabalhadores

Sindhosp propõe aumento zero para trabalhadores

Texto: Luciano Augusto

Em reunião realizada ontem, na sede regional do Sindicato dos Hospitais do Estado de São Paulo (Sindhosp), os representantes patronais propuseram aumento zero para a categoria. Os representantes regionais presentes na reunião alegam que, com o reajuste salarial pretendido pelos trabalhadores, os hospitais teriam que fechar as portas.

A categoria, com data-base em 1.º de abril, pleiteia um reajuste salarial equivalente ao maior índice inflacionário apresentado por órgão reconhecido oficialmente e, sobre este reajuste, aumento real de 5%.

A impossibilidade de aumento deve-se a uma série de fatores, segundo o presidente do Sindhosp, Dante Montagnana. Um dos principais

é que, no período de junho de 94 até a data atual, houve um reajuste de somente 25% no pagamento dos procedimentos feitos para os hospitais. Neste mesmo período, argumenta o representante dos hospitais, a inflação esteve em torno de 95%. "Como existe aumento no valor dos procedimentos, evidentemente não existe, no momento, uma receita que possa cobrir".

Outro fator que impossibilita um reajuste salarial agora, são os repasses feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS paga, hoje, uma média de R$ 2,10 por consulta. Este valor, diz Montagnana, "não cobre nem a energia elétrica

(do consultório)".

A desvalorização do real e a alta do dólar, também refletiu negativamente nos hospitais. Uma gama considerável de materiais, medicamentos, insumos de laboratório e aparelhos utilizados pelo setor são importados. Isso acabou refletindo violentamente nos gastos hospitalares.

Com tudo isso, a situação dos hospitais ficou bastante fragilizada, principalmente, em relação às Santas Casas e hospitais e laboratórios que atendem pelo Sistema Único de Saúde. O equilíbrio entre receita e despesa, ficou prejudicado e um reajuste agora se torna impraticável.

De acordo com Montagnana, para este ano os hospitais não poderão reajustar os salários dos funcionários, enquanto não houver por parte dos governos Federal, Estadual e Municipal, um aumento no valor pagos pelos procedimentos médicos. Resta, para os funcionários, negociar acordos individualizados com cada instituição em particular.

Agora, a proposta de reajuste zero será encaminhada para apreciação dos trabalhadores.

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