30% dos atendimentos no PS são casos de gripe
30% dos atendimentos no PS são casos de gripe
Texto: Andréia Alevato
Cerca de 30% dos atendimentos no Pronto Socorro (PS) são casos de gripe. A diretora-clínica do PS, Maria Regina Trotta Pinheiro, afirmou que esse aumento sempre começa no final do mês de março e que normalmente, no verão, 10% dos pacientes atendidos no Pronto Socorro apresentam gripe. No outono, esse número sobe para 30%.
"Normalmente, 10% do atendimento do PS no verão são casos de gripe. No outono e no inverno esse número sobe para 30%", afirmou a diretora-clínica.
A médica explicou que é aconselhável as vacinas, porque elas são eficazes.
"A gente aconselha as pessoas a tomarem a vacina antes que chegue a onda de gripe, principalmente o idoso e a criança, que pegam pneumonia e desidratam com mais facilidade", disse.
Felinto dos Santos Neto, pediatra, alergista e diretor do Pronto Atendimento Infantil (PAI), disse que 25% das crianças que passam pelo PAI apresentam sintomas respiratórios.
"O maior problema que a gente está percebendo são as complicações da gripe. Então, a criança que tem bronquite e que estava controlada, perde o controle e passa a ter várias crises nesse período. Algumas começam a ter sinusite, outras pneumonia, tudo em decorrência da gripe", disse o médico.
Ele afirmou que um dos grandes problemas da gripe são as mutações dos vírus, que se acontecerem muito rápido, podem criar uma epidemia.
"A gripe ainda traz algum perigo. A mutação dos vírus pode gerar uma epidemia. Numa reunião em Genebra (Suíça), foi falado nessa possibilidade, e o Brasil é um dos países que corre esse risco", afirmou.
Ele explicou que o vírus se aloja em aves e porcos e são nesses animais que ele sofre a mutação. Quando ele sai do organismo dos animais, ele chega até o ser humano e provoca a doença.
O pediatra e alergista também falou sobre a diferença entre gripe e resfriado. Os sintomas da gripe são dores musculares, mal estar, febre, tosse e fotofobia (aversão a luz). Alguns pacientes também apresentam problemas gastrointestinais
(diarréia, vómitos). Os sintomas do resfriado são a coriza (nariz escorrendo), espirros e tosse. Na maioria das vezes, o resfriado não atinge o aparelho respiratório.
"Além dos seus sintomas, a gripe abaixa a resistência do organismo e permite que outras bactérias se instalem e provoquem infecções. O resfriado é uma coisa mais leve e muitas vezes não atinge o aparelho respiratório. Já a gripe é mais perigosa. Ela pode levar a morte", completou Felinto.
Segundo o médico, não há medicamento que combata o vírus da gripe. Por isso, o ideal é evitar o contato com pessoas gripadas. E para quem já "pegou" a gripe, o remédio é fazer repouso, tomar muito líquido, ter uma alimentação a base de vitaminas, para fortalecer o organismo e combater o vírus.
Sobre as vacinas, o diretor do PAI informou que elas são produzidas para tentar bloquear a ação dos vírus. Elas são analisadas um ano antes do inverno. Este ano, os laboratórios já estão fazendo a análise das vacinas do ano que vem. No processo, os vírus são reunidos, as vacinas são produzidas e lançadas a partir de fevereiro do próximo ano.
"O que pode acontecer, é a mutação ser mais rápida do que a análise da vacina. E se o vírus voltar com uma virulência muito forte, ele pode trazer grandes epidemias. Esse é o maior medo dos infectologistas", disse.
"A vacina é muito eficaz. Ela faz efeito e é uma saída, já que sua eficácia é de 80% a 90%", completou.
Felinto explicou que há três tipos vírus de gripe: A, B e C. O A é o pior deles por ser o que mais sofre mutação. O B e o C não sofrem mutações.
O infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa, disse que a eficácia da vacina é estimada entre 80% a 90% para o vírus da gripe.
É uma vacina segura e que tem um índice de reações muito baixo. Sempre é feita uma dose ao ano, nos meses que antecedem o inverno. Ela pode ser feita no inverno, segundo o médico, mas a capacidade de proteção pode cair um pouco, porque o vírus da gripe já está circulando.
O custo da vacina gira em torno de R$ 35,00 e R$ 50,00.
O infectologista explicou que as pessoas devem procurar clínicas de vacinas, porque as pessoas devem ser orientadas sobre ela.
Vacinação em empresas
Várias empresas estão vacinando seus funcionários para prevenir a gripe. Uma dessas empresas foi a Editora Alto Astral, que há três anos adotou essa prática.
Jason César Brega Pereira, gerente administrativo financeiro da Editora, afirmou que a idéia é evitar perdas.
"Além de diminuir a incidência de faltas dos funcionários, nós também queremos seu bem-estar, porque as pessoas estando imunizadas, estarão com a saúde em alta, e conseqüentemente mantendo o nível de produtividade. Se os funcionários estiverem gripados, o nível de produtividade cai", disse.
Na Editora, a vacinação não é obrigatória. Antes de serem vacinadas, os funcionários respondem a uma pesquisa interna. Nessa pesquisa é avaliado o índice de satisfação entre os funcionários. O nível de aceitação da vacina é de 80%.
"O objetivo da empresa é que 100% dos funcionários sejam vacinados e também que o benefício seja estendido para a família", concluiu.
Vacinação de idosos tem grande procura
Teve início ontem a vacinação de idosos contra a gripe, difteria e tétano nos postos de saúde de todo o estado de São Paulo. Na região de Bauru, a procura foi grande, segunda dados do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE), que está coordenando a vacinação na região.
Até as 15 horas de ontem, 5720 pessoas foram vacinadas contra a gripe e 128 tomaram a dupla adulto, que previne a difteria e o tétano, nos 41 municípios comandados pelo GVE. Em Bauru, cerca de 1079 idosos foram vacinados contra a gripe e 881 contra a difteria e o tétano. A procura foi considerada intensa para o primeiro dia, o que provocou filas em alguns postos de saúde da cidade. A expectativa é vacinar 62 mil idosos na região.
A campanha, lançada pelo governo estadual, pretende imunizar, em todo o estado, cerca de 1,9 milhões de pessoas com idade acima de 65 anos. Além das vacinas contra gripe, difteria e tétano, que estão sendo aplicadas nos postos de saúde, a campanha pretende imunizar também contra a pneumonia, só que apenas nos asilos e abrigos de idosos, que são considerados locais de maior risco de infecção, pela quantidade de pessoas que vivem neles.
A campanha ganha caráter nacional a partir do dia 12, e espera atingir seis milhões de pessoas em todo o país. A preocupação em vacinar os idosos nos meses de abril e maio tem base em dados do Sistema Único de Saúde
(SUS) que mostram que 6% das internações de idosos no inverno são por gripe e pneumonia.