Redução de impostos superaquece mercado de carros novos
Redução de impostos superaquece mercado de carros novos
Texto: Luciano Augusto
Com a medida tomada pelo Governo Federal, em março, de reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS) dos veículos, o mercado voltou a comemorar o aumento significativo dos negócios. Algumas revendas de carros acusaram aumento nas vendas de mais de 300%.
O Governo reduziu o IPI de veículos pequenos de 10 para 5%. Para os automóveis médios e grandes, cujo as alíquotas eram de 25 e 30%, respectivamente, o imposto foi reduzido para 17%. O ICMS no Estado baixou 3 pontos, passando de 12 para 9%.
Na segunda quinzena de maio, termina este acordo emergencial firmado entre as indústrias, o governo e os trabalhadores. As discussões sobre a renovação ainda estão em andamento. Mas, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, já adiantou que o acordo não poderá ser refeito nos mesmos moldes do anterior.
As concessionárias bauruenses, por sua vez, acreditam e querem que o acordo seja renovado, pelo próprio incremento das vendas. Se o acordo não for acertado novamente, diz o setor, o mercado de novos irá sofrer retração.
Nilson Simão, 60 anos, sócio-proprietário da Simão veículos, afirmou que as vendas na concessionária dobraram neste mês de março e que os dois meses anterior, janeiro e fevereiro, foram prejudicados pela expectativa de concretização das promessas governistas de reduzir os impostos e juros, coisa que demorou para acontecer. Mas não foi só a queda nos impostos que refletiu na melhoria das vendas. De acordo com Simão, para este mês "tem a nova esperança no mercado", com o dólar em patamares menores e com movimento de queda.
Na concessionária Baurucar, as vendas também foram altas no mês de março. Conforme o sócio-proprietário, Jonas Campos Sales, 70 anos, o movimento de março foi 329% maior do que o de fevereiro. Em relação a março de 98 houve aumento de 64%. Sales é outro que aposta no otimismo do mercado, mas diz que "o setor está no fio da navalha, porque se os juros subirem fica ruim para o setor. Se baixar muito o dólar a nossa exportação, que já precária, vai piorar ainda mais". Para ele, o acordo deve ser renovado porque objetivos, em relação
à arrecadação foi alcançado e "não tem como voltar atrás".
Para abril, Fernando Vieira de Mello, 36 anos, gerente de vendas de veículos novos da Amantini Veículos, acredita num movimento pelo menos similar ao de março, que já foi 120% melhor do que o de fevereiro. A concessionária vendeu em fevereiro 65 carros novos. Em março, este número subiu para 150. Entretanto, ressalta o gerente, que para o mês de abril a oferta de veículos novos deve ser menor, porque a procura está em ascensão e o nível de produção das fábricas deve ser o mesmo. Mas isso, segundo Mello, não significará aumento de preços. Para ele, as medidas que o governo venha a tomar devem refletir sobre os juros. "A redução na taxa de juros é a nova alavanca que o setor precisa para aumentar de vez as vendas", conclui.