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Publicação clandestina

Néslon Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Inquérito sobre "Bauruense" espera perícia

Inquérito sobre "Bauruense" espera perícia

Texto: Nélson Gonçalves

Delegado do 3º Distrito Policial informa que apuração da publicação "clandestina" depende de perícia

A conclusão do inquérito policial que apura possível confecção do semanário "O Bauruense", na gestão Izzo Filho, nas dependências do Palácio das Cerejeiras, sede da Prefeitura Municipal de Bauru, depende de conclusão de perícia técnica. A informação foi dada pelo delegado que preside o caso, Marcos Cremonezi. A Polícia Civil solicitou prorrogação do prazo

à Justiça para terminar o inquérito e depende de laudos periciais para partir para a oitiva de citados.

A investigação começou a partir da apreensão de material utilizado para a confecção e elaboração do jornal, após o afastamento de Izzo Filho do cargo. O semanário "O Bauruense" começou a ser veiculado após a primeira cassação do ex-prefeito pela Câmara, em agosto de 1998. Mas a Polícia Civil recebeu os primeiros elementos para a investigação a partir do segundo retorno de Nilson Costa ao cargo. A administração atual entregou para a polícia material de computação para elaboração do semanário, contendo arquivos gravados que citam ex-integrantes da própria gestão Izzo.

A partir deste elemento, o delegado do 3º DP, Marcos Cremonezi, envio o material para perícia técnica. Em seguida, após novas diligências da Polícia Civil foram apreendidos por equipe da DIG-Garra material de impressão. Em

Marília, a polícia apreendeu exemplares de uma edição, além de fotolitos, notas fiscais e chapas de impressão, em uma gráfica da cidade vizinha. Este material também foi enviado para perícia.

A continuidade do inquérito, entretanto, está na dependência da conclusão da perícia. O delegado Marcos Cremonezi disse que vai avaliar quantas e quais pessoas serão ouvidas no inquérito a partir da análise dos laudos, onde são mencionados ex-integrantes do governo izzista. A publicação "O Bauruense" é assinada por uma jornalista de Piraju, terra natal de Izzo, irmã do ex-assessor de Gabinete do ex-prefeito, Francisco Roberto Ramos.

"Chico Ramos" também é citado em ação de pagamento de despesas para as publicações, através dos materiais apreendidos em Marília. "O Bauruense" traz textos ofensivos a empresários, jornalistas e políticos da cidade.

A partir das citações de ex-integrantes da administração municipal, o delegado Marcos Cremonezi pretende iniciar as oitivas. Entre os que devem ser chamados estão os jornalistas Jair Aceituno, Cátia Carriço e Léo Freitas, mencionados nos arquivos apreendidos na própria Prefeitura de Bauru. O irmão da jornalista que assina a publicação, Francisco Roberto Ramos, também será ouvido, assim como o pastor Alfredo Mingola, ex-assessor do DAE, igualmente citado nos materiais apreendidos.

A Polícia Civil informou que também levanta a regularização da publicação, sendo contrato comercial, contrato de trabalho, registro oficial em órgãos da entidade de classe, Ministério do Trabalho e Junta Comercial, bem como documentos contábeis. A polícia também quer identificar quem são os possíveis, ou o proprietário da publicação, as fontes de receita e investimento e a sede. A partir desses dados, com as perícias e as oitivas, a Polícia Civil terá condições de estabelecer qual a situação da publicação em relação à legislação comercial para funcionamento de empresa do ramo de comunicação, bem como as obrigações perante a Lei de Imprensa. O ex-prefeito Izzo Filho, defendido em todas as edições do "Bauruense", também pode ser convocado para prestar informações.

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