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Marcos Zibordi
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População de Agudos se organiza em Fórum

População de Agudos se organiza em Fórum

Texto: Marcos Zibordi

Cansados do impasse político e do não esclarecimento de denúncias, sociedade se une para cobrar legislativo e judiciário.

Agudos - Um grupo representativo da sociedade Agudense, com cidadãos como diretores da Duratex e do Hospital da cidade, professores, sindicatos e entidades, se uniram num movimento de cidadania para cobrarem dos vereadores, prefeito e judiciário, a fiscalização e o esclarecimento das inúmeras denúncias que envolveram, durante os últimos quatro meses, vereadores e prefeitura num mar acusações e denúncias sem respostas. O "Fórum da Cidadania" de Agudos está sendo chamado de "Foca".

A entidade foi criada, registrada, tem estatuto e diretoria, que

é composta por 16 pessoas. A insatisfação em relação ao quadro administrativo e político de Agudos provocou uma reunião de alguns representantes em fevereiro no Espaço Histórico Plínio Machado Cardia, onde compareceram 50 pessoas. Na segunda reunião, uma semana depois, já haviam mais de 100 pessoas, e ela teve que ser realizada no clube Jussara, que oferecia maior espaço. Exatamente 104 pessoas assinaram a ata dessa reunião de fundação. Um dos elementos mais atuantes da sociedade agudense e coordenador do processo de fundação,

é o professor Eduardo Melo.

Segundo o Foca, "as pessoas têm dificuldade de entender o que está acontecendo na Câmara. Dessa insatisfação, grupos diferentes começaram se unir, trocar idéias, conversar".

O movimento pretende cobrar soluções e esclarecimentos sobre várias questões, como por exemplo o caso das fitas-denúncia, fatos amplamente noticiados. O movimento percebe uma demora na conclusão dos processos que avaliam a destinação do dinheiro público como também as denúncias de irregularidades.

Segundo eles, existe uma deficiência na estrutura que não

é característica da atual gestão, mas que vêm se verificando nos últimos 30 anos. "O que se construiu até a década de 60 está se perdendo e a cidade crescendo de maneira desordenada, sem total infra-estrutura, agravada pela falta de obras e serviços de manutenção. A fiscalização de obras e serviços da prefeitura

é deficitária".

Outro questionamento se dá em relação ao quadro financeiro da Prefeitura. O movimento diz que as informações são muito desencontradas porque, segundo eles, existe o marketing dizendo que os recursos estavam chegando de diferentes fontes, à fundo perdido e, de outro lado, eles não vêem resultado da aplicação desses recursos.

"E, por outro lado, em outros documentos, a prefeitura dizendo que não tinha dinheiro. Nós hoje não sabemos qual a situação real do dinheiro".

O Foca se posiciona em relação à política agudense de forma mais contextual. Nesse sentido, questionam a velha história dos prefeitos que reclamam das dívidas herdadas dos antecessores. "O que está sendo feito de prático, de eficiente, para que a próxima administração não tenha uma dívida como esta?, como é que está sendo o processo de administrar essa dívida?", perguntam.

Os anúncios de projetos de geração de emprego e renda são vistos com desconfiança pelos integrantes do movimento. Segundo o Foca, "não tem uma consistência técnica, você não tem informações sobre uma análise correta da viabilidade do investimento, como é o caso do Anhembi-Agudos. E agora a gente está assistindo tudo isso que está acontecendo em São Paulo, relacionado com este investimento. Isso gera dúvida, gera insegurança".

Em relação à Incubadora de Empresas recentemente inaugurada em Agudos, o movimento questiona a necessidade dela, sendo que a administração anterior já havia construído uma. "Por incrível que pareça, existiam mais políticos da região do que empesários convidados. Ao invés de empresários, chamou políticos para verificar a festa que ele ia fazer".

Ainda em relação à infra-estrutura urbana, o movimento reclama da falta de um plano de obras e de um plano diretor, que precisaria existir para ser cumprido por diferentes administrações. Segundo o Foca, as lideranças políticas, principalmente as que ocupam cargos no legislativo e executivo, estão com a imagem desgastada e consumindo um tempo muito grande em questões que a população gostaria que não estivessem sendo discutidas. "Nós gostaríamos que os esforços, as energias, fossem gastas em questões realmente importantes para a cidade".

O movimento considera-se também uma resposta à declaração do assessor jurídico da Câmara em relação aos frequentadores das sessões do legislativo. Segundo Paulo Geraldo Mainini declarou em entrevista ao JC, no mês passado, as pessoas que assistem as sessões na câmara são baderneiras e sem representatividade na sociedade. "As pessoas que são realmente significativas não vão lá de vergonha, é diferente. Elas não querem presenciar nem se expor naquele ambiente, por isso a necessidade da organização da sociedade civil", respondem.

Programa de Ação

A emergência à ser tratada, segundo o movimento,

é jurídica. O "Foca", na qualidade de entidade, vai encaminhar ao ministério público um pedido de investigação em relação a todos os fatos que hoje estão latentes na câmara e até mesmos os já concluídos. "Então são todas as CEI's já encerradas, a da Municipalização, da Festa do Peão. Foram concluídas, mas será que juridicamente foram esgotadas todas as análises que precisariam ser feitas desses fatos? Não ficaram vácuos na análise desses problemas? Se fossem questões absolutamente tranquilas, a população não estaria tão desconfortável com o resultado que a Câmara chegou nesses casos".

As comissões de investigação em andamento e todas as que foram pedidas, serão cobradas também pelo Foca junto ao judiciário e ao legislativo.

Segundo os integrantes do movimento, o fato do Juiz e do Promotor da cidade não residirem em Agudos impede que eles sintam mais de perto a realidade da população. No entanto, eles ponderam que as autoridades não devem estar tendo acesso aos fatos de forma adequada. "Primeiro, não o desinteresse, mas a não ligação deles com o processo social que a cidade vive. Segundo, por que as informações não chegam neles?".

Um mecanismo de informação para a população faz parte dos planos do movimento. Nas próximas eleições,

eles farão cartilhas informando sobre a atuação dos parlamentares que estarão desocupando os cargos e sobre os candidatos.

O movimento promete estar presente nas sessões do legislativo, preparados para assistirem a reunião e cobrarem uma postura digna de uma cargo eletivo do qual os vereadores são representantes, ganhando cerca de R$ 2,5 mil por mês. "Pretendemos interferir num processo político que já vem vindo. Não é privilégio dessa instituição a incompetência. Ela é uma coisa crônica, de uma mentalidade política crônica, arraigada, interiorana, pequena, amadora, que precisa se profissionalisar".

Movimentos de cidadania surgem na região

Em Bauru, o primeiro processo de cassação do prefeito Izzo Filho teve impulso decisivo com a criação do Fórum da cidadania. Setores representativos da sociedade bauruense se organizaram para pressionar política e juridicamente o legislativo e o judiciário no esclarecimento das denúncias de imoralidade envolvendo a administração pública.

Paralelamente ao problema político de Bauru, a região sofreu com a cassação de 3 prefeitos em Balbinos, Pirajuí e Mineiros do Tietê.

Em Agudos, após várias fitas-denúncia, tentativas frustradas de instauração de CEI's em 4 meses de impasses, vários setores da população se organizam em um Fórum da cidadania para cobrar providências do legisltivo, executivo e judiciário.

É a sociedade civil acordando e discordando? (MZ).

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