Formulado manifesto sobre rurais
Formulado manifesto sobre rurais Texto: Fábio Grellet
Pederneiras - Na última sexta-feira, lideranças políticas, representantes das entidades sindicais e da sociedade civil de Pederneiras e outras cidades da região se reuniram, na Câmara Municipal daquela cidade, para discutir a decisão, anunciada há mais de um mês por empresários do setor de açúcar e álcool, de conduzir à região trabalhadores rurais vindos de Minas Gerais, para ocupar aproximadamente mil vagas no corte de cana, durante a safra que se inicia. Em sua maioria, essas vagas eram, até a última safra, ocupadas por trabalhadores da região, que agora temem ficar desempregados. Durante a reunião, foram discutidas formas de amenizar o impacto da vinda desses trabalhadores sobre aqueles que temem perder suas vagas. O vereador pederneirense Reginaldo Monteiro (PT), idealizador do encontro, alertou que os proprietários das usinas, como empresários do setor privado, tomam suas decisões conforme lhes interessar, e o Poder Público, caso os acordos sejam legais, não pode interferir - por exemplo, impedindo a vinda dos trabalhadores, que o vereador considera praticamente consumada. Mas ele ainda acredita que os movimentos organizados contra a decisão possam sensibilizar os empresários. Além disso, Reginaldo destacou que é dever das autoridades públicas defender os interesses da população local e tentar protegê-la, ainda quando as chances de obter o resultado desejado não sejam grandes. Durante a reunião, também foi discutida a mecanização do corte da cana, que já está sendo implantado há anos, mas deve se acelerar nas próximas safras, em razão da vigência de uma lei que impede a queima da cana, antes do corte. Essa queima é realizada para despalhar o produto (queimar a folha do vegetal), o que facilita o posterior corte, de forma manual. O impedimento à queima dificulta esse tipo de corte, o que causa a expectativa de que os trabalhadores serão substituídos pelas máquinas colheitadeiras. Esse é mais um risco de desemprego que se apresenta. ProÁlcool
Outro tema debatido durante a reunião foi o apoio do governo à utilização do álcool como combustível. O Brasil foi um dos países pioneiros na fabricação de veículos que funcionam à álcool mas, embora esse combustível apresentasse vantagens em relação à gasolina, gradualmente abandonou-se a produção desses carros. Com isso, o consumo de álcool reduziu-se consideravelmente e o impacto sobre a queda nas vendas repercutiu sobre as usinas produtoras, gerando uma crise que conduziu à reorganização dessas empresas. Essa readaptação já havia se refletido sobre os trabalhadores, conforme o vereador. As vantagens do álcool combustível, porém, são evidentes: além de sua disseminação incrementar a produção das usinas e, consequentemente, gerar mais empregos, o álcool é menos poluente que os demais combustíveis e seu consumo reduz nossa dependência do petróleo, matéria-prima da produção de gasolina. Como o Brasil não é auto-suficiente em petróleo, tem de importar o produto, ao preço estabelecido pelo mercado mundial. Produzido no Brasil e com matéria-prima integralmente nacional, o álcool é mais barato, também. Por isso, as autoridades presentes ao encontro ocorrido em Pederneiras também cobraram do Poder Público uma atuação mais intensa para apoiar o uso do álcool combustível. O ProÁlcool, programa de incentivo à utilização do combustível criado pelo governo quando se iniciou a produção de carros movidos à álcool, ainda existe, conforme Reginaldo Monteiro, mas não gera mais conseqüências. Por isso, o vereador e outras autoridades presentes ao encontro de sexta-feira manifestaram-se favoráveis à adoção de novas medidas para incentivar o consumo do álcool. Ao final da discussão, foi elaborada uma carta-manifesto, que deve ser enviada às autoridades titulares do poderes Executivo e Legislativo das diversas cidades da região, e também ao governador paulista e deputados estaduais. A carta foi assinada por 30 pessoas, entre vereadores de Pederneiras e outras cidades da região, fornecedores de cana às usinas, sindicalistas e representantes de entidades da sociedade civil.