Lauro de Souza Lima faz 66 investindo em pesquisa
Lauro de Souza Lima faz 66 investindo em pesquisa
Texto: Adriana Amorim
O Instituto Lauro de Souza Lima completa hoje 66 anos de instalação em Bauru apresentando um perfil diferente daquele que o consagrou no início do século. De colônia destinada a portadores de hanseníase, transformou-se em instituto tido como centro de referência em pesquisas desenvolvidas na área de doenças dermatológicas.
Em 1933, o instituto era o Asilo Colônia Aimorés, local onde se refugiavam cerca de 1.800 hansenianos, naquela época discriminados pela sociedade que desconhecia os tratamentos para a doença. Trinta e cinco anos depois da fundação, o local começou a cuidar de pacientes que sofriam de outras doenças da pele. Em 1989, já era oficialmente um instituto de pesquisa.
Atualmente, cerca de dez pesquisadores trabalham no instituto desenvolvendo pesquisas em várias áreas, como as realizadas em torno das microbactérias, doença de Jorge Louco (mais comum na região Amazônica), leishimaniose e micoses em geral. "Essas doenças são desafios porque algumas ainda têm muita coisa a ser conhecida", explica o diretor da divisão de pesquisas e ensino do instituto, Diltor Araújo Opromella.
Ele diz que os pesquisadores do instituto desenvolveram vários estudos com resultados aplicados de forma experimental em cerca de 5.000 pacientes de todo o mundo através do intercâmbio com instituições estrangeiras. Há experimentos que estão sendo feitos há 7 anos. O instituto realiza vários estudos em conjunto com entidades do exterior.
Opromolla diz que o Instituto Lauro de Souza Lima é centro de referência na Organização Mundial da Saúde
(OMS) na área da hanseníase e está prestes a se tornar referência também na área de microbactérias.
"Nós já somos um centro de referência nessa área. Só falta a oficialização". O médico explica que essas conquistas colocam o instituto em uma posição privilegiada. "A instituição conquista respeito", diz o médico, o que facilita a obtenção de recursos para desenvolvimento das pesquisas.
Exposição
Para comemorar o aniversário, o instituto organizou uma exposição que começou ontem e vai apenas até hoje, das 9 às 18 horas. "Nós aproveitamos o aniversário e a chegada do Dia da Imprensa para fazermos esse evento em conjunto", explica a encarregada do setor técnico do instituto, Cleide Ortega Augusto.
Estarão em exposição jornais originais das décadas de 10 a 50 cedidos pela Secretaria Municipal da Cultura. O visitante também poderá conhecer duas salas do museu que o instituto está montando. Os cômodos abrangem o local do antigo cassino da colônia e contêm peças preciosas, como mobílias da época em que o instituto era colônia, instrumentos musicais da banda que tocava no local, peças da igreja e discos também usados na antiga colônia.
Estão expostos ainda painéis com fotografias antigas e atuais. "Nós também estamos passando um filme antigo que conseguimos recuperar e que mostra a realidade do instituto naquela época", explica Cleide.