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Desocupação do horto

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 2 min

Sem-terra decidem sair hoje se não chover

Sem-terra decidem sair hoje se não chover

Texto: Ieda Rodrigues

As cerca de 300 famílias de sem-terra que estão acampadas no Horto Florestal de Aimorés, em Bauru, desde o dia 20 do mês passado, decidiram sair da área hoje se não chover e se houver transporte disponível.

À meia-noite de ontem venceu o prazo concedido pela Justiça para a desocupação do horto. A Polícia Militar está preparada para intervir caso a ordem judicial não seja cumprida.

O "porta voz" do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra

(MST) em Bauru, Adailton Manoel da Silva, disse ao JC, ontem à tarde, que o destino das famílias, se realmente saírem do horto hoje, ainda não está definido. O MST estuda três locais para montar novo acampamento: uma fazenda na região de Bauru, uma praça e as margens da rodovia. A escolha do local deve ser feita no momento da desocupação, segundo Silva. A ordem para desocupação do horto foi dada pelo juiz da 5.ª Vara Cível de Bauru, Horácio Furquim Guanaes.

Ontem, às 13 horas, os sem-terra fizeram uma reunião, no acampamento, com a Polícia Militar quando discutiram a desocupação. O comandante da 1.ª Cia, capitão Benedito Roberto Meira, participou da reunião e foi informado, mais tarde, pelo advogado Sandro Fernandes, um dos advogados responsáveis pela causa, da decisão do grupo acampado no horto, de sair hoje pela manhã se não chover e se for disponibilizado transporte.

Silva explicou que, se estiver chovendo, os sem-terra não vão sair porque suas roupas e seus poucos pertences ficarão molhados. Ele ressaltou que existem cerca de 80 crianças acampadas no horto, que poderiam até vir a ficar doentes caso tomem chuva.

Por seu lado, a PM, conforme explicou o capitão Meira, chovendo ou não, estará pronta para intervir caso a ordem de desocupação não seja cumprida. Meira disse que a empresa que arrenda a área ocupada pelo MST está disponibilizando ônibus e caminhões para o transporte das famílias.

O "porta voz" dos sem-terra, no entanto, questiona o prazo para desocupação. Silva alega que a empresa arrendatária concedeu sete dias de prazo para a desocupação e a intimação só foi entregue aos sem-terra na terça-feira e que, portanto, esse prazo ainda não expirou. "Nós entendemos que a contagem dos dias começou na terça-feira, quando recebemos a intimação, e não na sexta-feira, quando a empresa concedeu o prazo", explica.

Para Silva, o prazo concedido foi insuficiente para procurar uma outra área para remoção das famílias.

"Nos últimos dias corremos atrás de uma área para a nova ocupação, mas isso ainda está indefinido. Não descartamos a possibilidade de acampar em uma praça da cidade", disse. Sobre a fazenda em vista para nova ocupação, Silva não revelou a localização exata, mas disse que o Estado e particulares reclamam a posse dessa área.

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