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Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 3 min

Trincas causam interdição do Automóvel Clube

Trincas causam interdição do Automóvel Club

Texto: Adriana Amorim

As trincas que surgiram na parte dos fundos do Automóvel Club na última semana provocaram a interdição do prédio por tempo indeterminado. A decisão foi tomada anteontem pela Secretaria de Planejamento (Seplan), que preferiu impedir a presença de pessoas e realização de eventos no local para evitar eventuais acidentes.

Segundo a Seplan, as rachaduras foram provocadas por uma construção que está sendo realizada na parte dos fundos do prédio, onde se encontram duas áreas externas e a parede do palco do salão de festas. As trincas começaram a aparecer repentinamente, quando foram iniciadas escavações na construção, obra que possivelmente tenha sido necessária para instalação das fundações do novo prédio.

A diretoria do Automóvel Club acionou a Seplan, que decidiu interditar o prédio porque as fissuras aumentaram rapidamente. Segundo o presidente do clube, Antálcidas Pereira Leite, o tamanho das trincas se alterou de um dia para o outro.

"Nós ficamos preocupados porque o Automóvel Club é um prédio antigo e a escavação

é grande e bem próxima ao clube", explica a secretária Maria Helena Rigitano. "Tomamos essa medida tendo em vista também que esse é um espaço público". A secretária explicou que as trincas não chegam a um centímetro, mas poderiam aumentar com as chuvas.

Uma funcionária do clube disse à secretaria que chegou a ouvir barulho no momento em que o terreno cedeu pela primeira vez. "A interdição é mais por uma questão de segurança. Ela fica em vigor até que sejam tomadas as providências ncessárias", explica.

Ainda não há data definida para a desinterdição do clube. O procedimento só será adotado depois que o Automóvel Club entrar em consenso com a construtora do prédio, providenciar a reforma e acionar a Seplan para realizar uma nova vistoria.

O presidente do clube diz que os advogados do Automóvel Club ainda não conseguiram entrar em contato com a construtora. Leite explicou que vai requerer um laudo completo sobre a situação do local para confrontar com o laudo da produção antecipada de prova (uma vistoria realizada antes do início das obras para constatar o estado do prédio).

"Infelizmente nós ainda não temos previsão de quando o clube vai abrir novamente, o que com certeza trará prejuízos", afirma o presidente. Bailes e eventos sociais que estavam programados e marcados para os próximos meses já foram cancelados. Leite diz que as negociações ocorrerão mais rápido possível e que está disposto a utilizar todos os recursos legais - caso um acordo não seja feito - para forçar a construtora providenciar a recuperação do prédio.

Imóvel é patrimônio histórico tombado

O Automóvel Club integra a lista de imóveis da cidade tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Condepac). Construído no final dos anos 30, ele tem como característica uma arquitetura eclética com influências neoclássicas traduzidas principalmente na fachada.

O arquiteto e presidente do Conselho, Nilson Ghirardello, explica que a construção tem como principal marca os pilares frontais inspirados em muitos imóveis existentes na capital do Estado no início do século.

Embora não tenha visto a proporção das rachaduras, ele acredita que o prédio poderá ser recuperado sem muitos danos caso o problema se restrinja à parte posterior do prédio. "O maior valor do Automóvel Club está na fachada, no hall de entrada e nas escadarias, lugares onde os elementos de decoração são mais intensos", explica. "Mas um incidente sempre acaba prejudicando, principalmente se não forem preservadas as características originais".

Ghirardello diz que se o tombamento do prédio tivesse sido decretado pela Prefeitura haveria mais condições de se exigir a tomada de providências. (AA)

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