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Juros

Márcia Buzalaf
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Queda nos juros deve ser lenta, diz economista

Queda dos juros deve ser lenta, diz economista

Texto: Márcia Buzalaf

A queda nas taxas de juros praticadas no mercado devem cair lentamente, de acordo com o economista e professor universitário, Reinaldo César Cafeo. Assim como aconteceu na elevação das taxas de juros, a queda deve ser também gradual.

Cafeo conta que os bancos, por exemplo, na última elevação dos juros, em operações tanto de pessoa física quanto de jurídica, não elevaram os juros na mesma proporção, exceto as taxas do cheque especial. "Isso porque uma alta taxa de juros pode significar o aumento da inadimplência", justifica ele.

Se na época em que as taxas de juros mais do que sobraram não houve a mesma proporção de alta, o único efeito prático é a boa perspectiva, sem a pressão de elevação. "A população imagina que a queda de juros é automática", conta.

Cafeo acredita que, se a queda for mais acentuada, aí, sim, as taxas estarão rapidamente e sensivelmente mais baixas. O economista diz que as taxas de juros até estão um pouco mais baixas, mas que esta queda é anestesiada pela taxa de inadimplência, embutida nos juros.

Cafeo traça a evolução das taxas de juros: antes da crise russa, praticava-se 28% ao ano, que foi aumentado para 49,75%, depois caiu para 45%, para 39,5% e, atualmente, para 34%. "Quando chegar a 28%, estaremos com a mesma taxa de antes da crise russa, e que já era bem salgada", afirma.

Quanto ao crediário, as empresas podem ter dois tipos de financiamentos: aqueles feitos com recursos próprios da empresa e outros que deixam a administração dos crediários para financeiras.

Quem tem recursos próprios pode praticar uma taxa de juros menor, mas as empresas que dependem da taxa anunciada pela financeira devem ter uma queda mais lenta. "Essas financeiras acrescentam outros componentes na taxa de juros, como a inadimplência, o IOF... Por isso, a taxa é salgada", afirma.

O que está em jogo, segundo Cafeo, é a política monetária do Governo, que mantém os juros altos para inibir qualquer movimento inflacionário originado pelo consumo.

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