Gasolina sobe até 16,3% em Bauru; gás tem preço indefinido
Gasolina sobe até 16,3% em Bauru; gás ainda tem preço indefinido
Texto: Márcia Buzalaf
De acordo com o presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Dalvilço Graminha, 43 anos, o aumento médio dos preços das distribuidoras de gasolina foi de 9,5% para os postos. Apesar de alguns postos adiarem o repasse do reajuste - já que têm estoque a preços anteriores ao aumento - outros amanheceram com o preço já reajustado. "Nós queremos acreditar que o revendedor vai repassar todo o aumento de custo que ele teve", alega o presidente do sindicato da categoria.
Considerando que vários postos de abastecimento estavam cobrando R$ 0,859 pela gasolina comum, o preço do litro do combustível, com o reajuste médio de 9,5%, deveria ficar aproximadamente em R$ 0,94. Alguns, entretanto, estão cobrando R$ 0,999 pela gasolina comum à vista, ou seja, um aumento de 16,3% em relação ao preço cobrado anteriormente. Vale lembrar que o aumento da refinaria foi de 11,5% e que o sugerido pelo Governo Federal é de 6,5%.
Outra fonte do setor, que não quis se identificar, afirmou que muitos proprietários de postos estão aproveitando este reajuste para realinhar os preços.
De acordo com o sindicato, a variação do aumento ficou entre 8,9% e 10%, dependendo da distribuidora. O proprietário de um posto afirmou que a Petrobrás, informalmente, disse que faria um reajuste de 12%.
O presidente do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás do Interior de São Paulo, Luiz Carlos Afonso, 31 anos, diz que o aumento do Gás Liquefeito de Petróleo
(GLP), o gás de cozinha, ainda não tem definição, já que o Governo sugeriu um índice de 4%, mas a Federação Nacional dos Revendedores de Gás
(Fergás) está anunciando um índice de 11,5% dos distribuidores. "A posição que tomamos desta vez é aguardar a distribuidora repassar para a gente aquilo que é real, para podermos trabalhar em cima disso", explica.
Guerra de índices
Os índices de reajuste entram em confronto entre si logo após o Governo Federal anunciar um aumento nos derivados de petróleo. Geralmente, o Ministério de Minas e Energia anuncia o índice do "realinhamento" de preços e sugere o repasse ao consumidor, que geralmente
é metade do que o índice que o proprietário tem que arcar.
Quando chega aos postos, mais um dilema: qual índice adotar para ser competitivo no mercado e não ter que absorver o índice? O reajuste de ontem, em Bauru, segue esta características. Alguns postos adotaram índice de 16,3%, deixando de lado os dois índices "oficiais", aquele sugerido pelo governo, de 6,5%, e o reajuste feito pela refinaria, de 11,5%.
Até o índice oficial de reajuste na refinaria vendo sendo questionado pelos proprietários de postos na prática. Para alguns, os dias que antecedem e sucedem o reajuste costumam ser angustiantes. "A gente não sabe o que fazer", completa.
O dilema atinge também o preço do gás de cozinha. O reajuste passado pela distribuidora também vem sendo superior ao que o governo divulga. Ao invés de 4%, como sugere o governo, o gás de cozinha deve subir 11,5%, aumento de quase 200%, denunciado pela Fergás.