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Verminose

Redação
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Pesquisador de Botucatu ataca verminose no Paraguai

Pesquisador de Botucatu ataca verminose no Paraguai

Botucatu - O pesquisador Roberto Sogayar, que é professor do Departamento de Parasitologia da Instituto de Biociências da Unesp, em Botucatu, desenvolve um programa contra verminose, aplicado no Paraguai.

O programa inclui três fases: diagnóstico, através do exame de fezes de sete mil escolares, tratamento dos alunos parasitados e aulas sobre prevenção, ministradas aos professores, pais e alunos. "A duração do programa vai ser entre 3 e 5 anos. Nesse período, a expectativa é de se obter a erradicação ou, ao menos, um controle das verminoses, com incidência em níveis muito baixos", diz.

O programa iniciou-se com o treinamento de técnicos, sanitaristas, enfermeiros do Ministério e da Secretaria da Saúde, além de estudantes universitários de Farmácia e Bioquímica, com aulas teóricas e práticas, ministradas pelo professor Roberto e sua esposa Maria Inês Sogayar, também professora.

Os primeiros resultados demonstram que o parasita Giardia é o mais freqüente entre escolares de 7 a 10 anos de idade, incidindo sobre 30% desse público.

O Giardia pode ser assintomático, mas também pode causar diarréia aguda ou crônica, capazes de impedir a absorção de proteínas e de outras substâncias indispensáveis para o desenvolvimento físico e mental da criança. O tratamento, precedido do diagnóstico, reverte rapidamente este quadro clínico, causando visíveis melhoras na saúde da criança. "No Paraguai, o problema das verminoses é muito sério, porque as cidades praticamente não contam com uma rede coletora de esgoto, o que facilita a contaminação do meio ambiente", ressalta Sogayar.

Para demonstrar a gravidade do problema, Sogayar cita o caso da lombriga (Ascaris lumbricoides), cuja fêmea pode eliminar pelas fezes cerca de 200 mil ovos por dia. Esta enorme quantidade de ovos pode permanecer no meio ambiente por até um ano e, durante este período, pode contaminar a água, alimentos, as mãos e, assim, as pessoas. Isto significa que, teoricamente, todo dia, 200 mil pessoas podem ser contaminadas a partir de uma única fêmea de lombriga. "Devemos evitar, a todo custo, a contaminação do meio ambiente, para que as pessoas não venham a adquirir verminose. Isto pode ser feito através do tratamento das pessoas parasitadas e, ainda, dando um destino adequado às fezes", alerta.

Os resultados do trabalho serão analisados periodicamente, e podem servir para a obtenção de recursos financeiros nacionais e internacionais, para saneamento

básico de Ciudad del Este. "Antes da implantação do nosso programa, só havia tratamento quando as pessoas ficavam doentes, não havia trabalho de prevenção", acrescenta o professor Sogayar.

O Projeto de Controle de Parasitoses Intestinais de Escolares desenvolvido no Paraguai foi inspirado no programa realizado no distrito de Vitoriana, em Botucatu, há três anos. Neste distrito, o índice de verminoses era muito alto, apesar de, na zona urbana, dispor de mais de 90% de rede de esgoto e 100% de rede de água. Dois anos depois de implementado, o programa reduziu consideravelmente a incidência de verminoses, tanto na zona urbana como na rural.

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