Frio repentino aquece venda de roupas de inverno
Frio repentino aquece vendas de roupas de inverno
Texto: Luciano Augusto
Quem bate? É o frio. A temperatura caiu e pegou o bauruense, principalmente as crianças, literalmente, de calças curtas. A chegada repentina do frio "salvou o mês" dos lojistas e aqueceu de vez as vendas da coleção de inverno.
Para este ano, o movimento esperado pelo setor deve ser similar ao registrado em 98. Segundo Orlando Burgo, 67 anos, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), mesmo com o esboço de inflação, as roupas de inverno "não devem ter aumento de preço, nos produtos com uma mesma qualidade". O Sindicato da Indústria do Vestuário de São Paulo também afirma que, apesar dos custos de produção terem sofrido uma variação de 25% a 40%, as roupas estão tendo reajustes bem abaixo de qualquer expectativa alarmista, mantendo o mais baixo acerto entre todos os setores e "funcionando como verdadeira âncora inflacionária do Plano Real".
O inverno antecipado, além do frio, trouxe também otimismo para os lojistas. As roupas infantis, principalmente, estão sendo bastante procuradas pelos consumidores.
O gerente de vendas, Luis Antonio Colpani, 32 anos, confirma o bom momento e o aumento nas vendas, que, em sua loja, foi de cerca de 60%, pressionadas pelas roupas infantis. "As vendas salvaram o movimento do mês de abril, que no ano passado foram prejudicadas pelo efeito El Niño". O fenômeno climático trouxe uma onda de calor e as vendas "pararam". De acordo com Colpani, a loja não está aceitando os reajustes promovidos pelos fabricantes, principalmente, em relação aos importados.
Tinabel Kang, 20 anos, gerente da Modas Adriana, afirma que tinha pouca mercadoria estocada e teve que "comprar às pressas, as peças da coleção de inverno". Ontem, as vendedoras da loja ainda preparavam as vitrines com as roupas de inverno, que estão com desconto de 10%. Já a coleção de verão está 20% mais barata.
Na loja de fábrica da Joinville Malhas, as mercadorias de inverno são do ano passada. A fábrica, conforme informações da gerente, Viviane Minardi de Oliveira, 23 anos, atrasou a fabricação de inverno, que deve chegar nos próximos dias. Por isso, a mercadoria de inverno está com 40% de desconto.
A consumidora Elenice Rodrigues Simonetti, 32 anos, disse que estava "despreparada com a chegada antecipada do frio, que veio com mais intensidade". Mãe de dois filhos pequenos, ela confessa que as roupas do mais velho passa para irmã, mais nova, "só que daí eu tenho que sair correndo para comprar roupas para ele".
Os preços, segundo os consumidores, estão mesmo bastante atrativos. Como contou a costureira profissional, Leonice Campos, de 39 anos, "hoje não compensa fazer roupas para usar no dia-a-dia, porque as mercadorias das lojas estão baratas. Só vale a pena quando é uma roupa mais chique, para um casamento por exemplo". Campos confirma que o problema maior é mesmo em relação à
"roupa da criançada".
O preço baixo e a variedade de produtos são os principais atrativos na loja Dois Machado. A parceria feita entre ela, dona do ponto, e a Han-Mi, proprietária da mercadoria, tem dado
ótimos resultados. Reabaerta em seis de abril, o gerente da loja, Naldo Prates, 25 anos, diz que a filosofia foi "trazer mercadoria que venda". Os produtos na loja variam entre R$ 1,00 (shorts) e R$ 29,00 (jaqueta em microfibra).
Preocupados com a inadimplência, os lojistas estão procurando, segundo a CDL, trabalhar muito bem, tirando todas as informações necessárias para efetuarem as vendas. Conforme a análise de Burgo, as facilidades são muitas e o cartão de crédito está em evidência. "O comércio está fazendo o máximo possível para vender, só que está vendendo bem vendido", conclui.