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Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

A natureza intocada de Morro de São Paulo

Turismo

A natureza intocada de Morro de São Paulo

Texto: Eliane Barbosa

Se a meta é andar descalço, sentindo nos pés o contato da areia macia, conviver com os hippies-chics, gente bonita que procura lugares paradisíacos para relaxar, banhar-se em águas cristalinas e calmas, Morro de São Paulo, na costa da Bahia, é o lugar certo para suas próximas férias.

Mais de 120 mil pessoas são atraídas por ano até lá, transformando o Morro no quarto pólo turístico da Bahia. De catamarã, por barcos ou de avião, chegam

à procura de ecologia, descanso e história. A ilha foi descoberta pelo colonizador português Martim Afonso de Souza, em 1531, e por anos atraiu piratas, corsários e outros aventureiros em busca de riquezas.

De tanto ser visitada por gente mal intencionada, a coroa portuguesa decidiu por protegê-la, estendendo a preocupação

à costa do continente baiano, erguendo em suas terras o velho Forte de São Paulo, em 1630, seis anos após a invasão holandesa. Passados mais de três séculos, as ruínas do forte são motivo de atração, apaixonando turistas pela história muitas vezes desconhecida do Brasil.

Tão antigos como o forte, outros cartões postais da ilha são o Terminal Marítimo, o Portaló

- antigo portal, o farol e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Luz, que se mostram imponentes, emoldurados pela mata nativa e o azul intenso do mar da Bahia.

Longe do caos urbano

Morro de São Paulo é hoje o que Búzios, no Rio de Janeiro, foi nos anos 60 para o jet-set internacional. Agrega alemães, italianos, dinamarqueses, por ter um charme todo especial: é rústico e chique ao mesmo tempo.

Para se ter uma idéia dessa sofisticação, basta dizer que muitas de suas badaladas pousadas são propriedade de estrangeiros que deixaram altos cargos na Europa, abandonaram terno e gravata e aderiram ao estilo baiano de viver. Ao redor das pousadas, surgiram bares, lanchonetes, restaurantes, onde praticam-se as culinárias baiana e a internacional. Requintadas e com preços variados.

No item infra-estrutura, Morro de São Paulo, o principal povoado da ilha de Tinharé, município de Cairu, ainda conta com postos do Banco do Brasil e da Caixa EconÃmica Federal, boutiques, lojas de artesanato e posto de saúde, embora, pouca gente dele necessite. É que em Morro não há poluição, não existem automóveis, buzinas, asfalto ou qualquer vestígio do caos urbano. Com tanta paz é quase impossível se sentir doente.

Praias virgens

Há várias maneiras de se chegar ao Morro. A partir de Salvador, as principais opções são pelo mar em lanchas seguras com embarque no Terminal Marítimo, ao lado do Mercado Modelo, na Cidade Baixa, e desembarque no terminal Marítimo de Morro de São Paulo, com duração média de quatro horas; via ferry boat, atravessando a Baía de Todos os Santos e, daí em diante, pela BA-001, passando por Nazaré das Farinhas até alcançar a cidade de Valença, num percurso total de 98 km.

Em Valença, no porto, é preciso tomar outra embarcação que leva ao Morro - 10 milhas náuticas em média uma hora, em linha regular, ou em 30 minutos em lancha rápida. E pelo catamarã operado desde janeiro pela Passaredo que está oferecendo passeios de catamarã, com a travessia Salvador-Morro sendo feita em uma hora e meia.

Terra à vista!

Seja qual for a opção de viagem, mareando ou não, a chegada a Morro de São Paulo, para a unanimidade de turistas

é uma festa, uma sensação maravilhosa de aventura. Durante a viagem pelo mar, passa-se por praias desertas, coqueirais e vilas de pescadores, até avistar-se a linha verde e... o farol. Para você não perder o que melhor a enseada oferece, programe pelo menos dois dias para ficar na enseada.

O esforço será compensado quando desfrutar dos 40 quilÃmetros de praias, batizadas por números - 1a., 2a. 3a. 4a... - onde se concentram piscinas naturais, recifes de corais e fauna multicolorida. A Primeira Praia é a mais povoada de pousadas e casas de veraneio. Além do banho de mar, é propícia para o surf, próximo à Pedra do Moleque, mas também conta com piscinas naturais, no trecho entre o Forte e a Primeira Praia.

A Segunda é a escolhida para os luaus à beira mar por ser demarcada com coqueiros e plantas decorativas. Quando a maré baixa, ela se transforma em aquário, demonstrando sua rica fauna marinha.

As piscinas de corais são uma constante na Terceira Praia, que abriga um jardim tropical no meio do mar e de onde se avista a Ilha de Caitá, uma pequena formação de areia decorada por um único coqueiro.

A Quarta Praia é o resto da costa - são 20 quilÃmetros de praias desertas onde o nudismo encontra o seu melhor terreno.

Caminhando, caminhando

Se você for a Morro de São Paulo com bagagem pesada, não despreze a ajuda de guias-mirins e carregadores de mochilas. Como no éden baiano não há automóveis, você obrigatoriamente terá que caminhar. Subir e descer o morro é o "esporte" dos nativos. Os turistas mais cansados podem alugar cavalos ou bicicletas para os passeios mais demorados. Todas as informações

- inclusive de escunas para outros mares - são fornecidas aos turistas no Centro de Informações ao Turista

(CIT) que fica no Tinharé Centro de Cultura e lazer, próximo ao local do desembarque.

Serviço:

Morro de São Paulo tem mais de 1.400 leitos para todos os bolsos e gostos, desde hotéis quatro estrelas até pousadas modestas. A melhor opção para se chegar a Salvador e depois seguir até Morro é via aérea. As principais companhias aéreas (VASP, TAM, Varig, Transbrasil) voam para a Bahia. A Passaredo, companhia que tem sede em Ribeirão Preto, também têm vários pacotes de uma semana para Salvador, Morro de São Paulo e Chapada Diamantina.

PÃr-do-sol no forte

O que restou do conjunto de fortificações ou Fortaleza de São Paulo está protegido pelo PatrimÃnio Histórico Nacional.

Das ruínas destacam-se 678 metros de muralha, intercalados por guaritas e bombardeiros. Considerado um dos maiores conjuntos defensivos da Bahia, a fortaleza foi palco de grandes acontecimentos históricos, desde a sua fundação no século 17.

Aí, o almirante Villegaignon foi derrotado pela esquadra portuguesa. Cenário de batalhas no passado, a Fortaleza transformou-se em palco de apresentações artísticas.

Mas, com ou sem programa, na hora do pÃr-do-sol, todos os caminhos levam ao Forte, onde nativos e turistas, em êxtase, assistem ao espetáculo da natureza.

As muralhas ficam apinhadas de gente ansiosa para ver o anúncio de que mais um dia acabou.

A noite cai sobre o Morro.

A praça Aureliano Lima, a principal do povoado, e o Caminho da Praia, ganham um colorido de luzes e gente, com hippies que armam barraquinhas simpáticas para a venda de artesanato.

Depois das 22 horas, todos os caminhos levam à praia. Entre a Primeira e a segunda, os luaus são uma constante, reunindo gente alegre e bonita. As barracas de praia têm charme e vida noturna independente. Nelas o turista pode jantar, tomar um drinque e dançar até o dia amanhecer - outro espetáculo deslumbrante da natureza.

*Colaboração: Bahiatursa

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