Confinamento deste ano deve ficar mais caro
Confinamento deste ano deve ficar mais caro
Texto: Márcia Buzalaf
Com o aumento do preço do bagaço de laranja, que voltou a ser exportado para a Europa, e com a desvalorização do real, que aumentou o valor cobrado pelo farelo de soja, o custo do confinamento tende a aumentar este ano. Mesmo assim, o confinamento continua sendo um importante descanso para o pasto.
De acordo com Luís Carlos Demarchi, 41 anos, engenheiro agrônomo assistente da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), este ano, o confinamento deste ano deve ficar mais caro do que em 98. Ele cita como exemplo o bagaço cítrico, que foi comercializado no ano passado por R$ 5,00 a tonelada, sendo que, este ano, a mesma quantidade deve chegar a R$ 80,00, um aumento de 1.500%. Isso porque a Europa, que havia suspendido a compra do produto por ter um excesso de bagaço de beterraba, voltou a importar o insumo do Brasil, o que fez aumentar seu custo enormemente. "Foi uma medida de proteção de mercado", diz Demarchi.
Em Bauru, Demarchi afirma, a maior parte dos produtores rurais utilizam a cana-de-açúcar como volumoso na ração do gado de corte em confinamento, justamente porque seu preço
é baixo, chegando a R$ 10,00 a tonelada. Este ano, com a queda no preço do álcool, existe uma oferta grande de cana.
O problema encontrado pelo produto é seu baixo valor proteico, que pode ser corrigido com a adição específica de uréia, que também torna a fibra da cana mais digestível. Demarchi lembra que este trabalho de preparo da cana deve ser acompanhado por um especialista, para que a uréia não intoxique o gado. "Embora seja pobre em nutrientes, a cana produz bastante e, na época em que se precisa de volumoso, é justamente a época em que a cana começa a produzir", detalha.
Na verdade, existem dois tipos de alimentos usados no confinamento de gado de corte, os volumosos e os concentrados. A ração agrupa concentrados e volumosos, além de minerais, vitaminas, aditivos e água. A diferença entre os dois tipos de alimentos é que os volumosos têm maior teor de fibras, ou seja, mais de 17%, enquanto que os concentrados ficam abaixo desta média.
Os insumos usados para compor os alimentos volumosos vão desde pastagens, a cana-de-açúcar, silagem de milho, sorgo e capim, e têm um alto volume por peso. Os volumosos de leguminosas concentram entre 15% a 23% de proteína bruta, os de silagem de gramíneas, entre 8% a 15%, e os de palhas, entre 3% a 4%.
Já os concentrados usam grãos e farelos de cereais e leguminosas, subprodutos de indústria (polpa cítrica, resíduos de cevada, etc) e raízes e tubérculos. São digeridos facilmente, mas têm teor de fibras abaixo de 17%, sem incentivar a ruminação. Na região, Demarchi diz, a cama de frango é muito usada como concentrado, justamente por ter maior concentração de proteínas.
O grau de proteína encontrado nos concentrados é mais alto do que o dos volumosos. O farelo de soja tem 45% de proteína, enquanto que o caroço de algodão tem 23%. O preço também é mais caro. A tonelada do farelo da soja, por exemplo, custa cerca de R$ 280,00.
Leiteiro
O confinamento do gado leiteiro, segundo Demarchi, deve ficar ainda mais caro do que o de gado de corte. A alimentação do gado leiteiro tem que ser mais rica em qualidades nutricionais.
"O leiteiro, além de ter que manter sua estrutura corporal, tem que produzir o leite. Por isso, o volume nutricional do animal de leite é maior do que o de corte", justifica Demarchi.
A silagem do capim napiê, da soja e de sorgo são extremamente proteicos, mas, pelo preço que atingem no mercado, são indicados para o confinamento do gado de leite que tenha elevado potencial genético.
Na opinião do engenheiro agrônomo, a silagem de sorgo e de milho são alimentos muito caros, embora tenha excelente qualidade. Para ele, a cana deveria ser usada como volumoso para animais que não estejam produzindo leite, as chamadas "vacas secas", e a silagem de napiê utilizada apenas para animais em franca produção. Tanto a silagem de sorgo quanto a de milho deve ficar na faixa de R$ 35,00 a tonelada.
Laranja, cana e milho: subprodutos principais
O bagaço da laranja é um dos produtos usados no confinamento do gado de corte durante o inverno. Com um teor médio de 6,5% de proteína bruta e cerca de 75% a 80% de nutrientes digestíveis totais (NDT), desde 84, o bagaço tem que ser secado e peletizado antes de ser consumido, para evitar a contaminação do cancro-cítrico. Atualmente, existe muita pesquisa em torno da tecnologia a ser usada para reaproveitar este insumo.
Os subprodutos da indústria alcooleira também são usados como alimento no confinamento. Sendo o maior produtor de
álcool de cana do mundo, o Brasil poderia inclusive usar muito mais os subprodutos usados na produção alcooleira, como a ponta de cana, a levedura e o bagaço de cana.
O custo da silagem de milho, de acordo com alguns produtores,
é mais elevado do que o da cana hidrolisada, por exemplo. Entretanto, o custo da arroba no confinamento, o custo da produção do novilho e o custo total do confinamento são substancialmente menores. O lucro por cabeça de gado é bem maior.
No comparativo entre os dois tipos de alimentos, a concentração de proteína bruta da cana corresponde a metade das proteínas encontradas na silagem de milho. A cana concentra 41% de fibra bruta, a silagem de milho, 25%. A concentração de cálcio na silagem de milho é o dobro daquela encontrada na cana-de-açúcar.
Agenda
Será realizado na próxima sexta-feira, dia 30, em Bauru, o I Encontro de Pastagem e Produção de Leite. O evento está sendo organizado pelo Sindicato Rural de Bauru e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) na Universidade do Sagrado Coração (USC) e dura o dia todo. Os palestrantes que ministraram o dia todo de discussão são Moacir Corsi, de Piracicaba, e Arthur Chinelato, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Podem participar 250 produtores e trabalhadores rurais. O encontro
é gratuito e inclui alimentação.
Livros
A livraria e editora Agropecuária está lançando dois títulos para a literatura rural: "Agricultura Sustentável - origens e perspectivas de um novo paradigma" e Agroqualidade - qualidade total na produtividade". O primeiro visa explicar o processo da agricultura moderna, a sustentabilidade rural e as transições entre culturas diferentes. O segundo, aplica os conceitos de qualidade na agropecuária. Mais informações pelo número (051) 480-3030, ou pelo e-mail edipec@plug-in.com.br.
Especial
Amanhã, dia 24, às 15 horas, será realizado o Leilão Especial com mil animais no Recinto Boi Bravo, na Rodovia Bauru-Marília, Km 354. Informações pelo fone: 238-2215.
Barra
Dia 15 de maio, a partir das 11 horas, será realizado o 3.º Leilão Limousin da Barra, no Hotel Estância Barra Bonita. Devem participar 45 fêmeas. Em 98, 40 animais foram vendidos a uma média de R$ 10,3 mil cada. Informações:
(011) 5641-1176.
Café
Será realizado entre os dias 17 e 18 de maio, o Seminário Internacional do Café 99 no Rio de Janeiro. As vagas são limitadas a 450 inscritos. Informações: (011) 816-1596.
Pastejo
Dia 28, próxima quarta-feira, será realizado na estação experimental de zootecnia, em Ribeirão Preto, um Dia de Campo sobre pastejo rotacionado para a produção de leite. Informações: (016) 637-1849.
Citros
Em Cordeirópolis, dia 29, será realizado um ciclo de palestras sobre citricultura. Informações pelo fone: (019) 546-1399.