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Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Pela cura do mundo

Pela cura do mundo

Texto: Sabrina Magalhães

Responsável pela volta de muitos católicos à prática da religião, a Renovação Carismática Católica tem se tornado cada vez mais popular. No início do mês, aqui em Bauru, cerca de 700 pessoas passaram o domingo na capela do Colégio São José participando de um encontro para orações pela cura, promovido pelo movimento. Uma das principais figuras da Renovação Carismática no país, a pregadora Delizete Piedade Ranieri, 62 anos esteve presente no evento. Considerada pelo Padre Marcelo Rossi, como sua "segunda mãe", ela, que leva seu trabalho por todo Brasil, contou ao Jornal da Cidade, que suas palestras são quase totalmente improvisadas, já que no instante em que fala para desconhecidos "deixo o Senhor me direcionar, porque ele conhece todas essas pessoas e sabe o que preciso dizer." Veja os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - Como é seu trabalho?

Delizete Piedade Ranieri - Meu trabalho é levar as pessoas a Jesus. É levando a Palavra de Deus às pessoas que elas vão até Jesus com mais certeza, com mais fé, mais ardor. É esse o nosso trabalho, um trabalho de evangelização da Igreja Católica que faço há mais de 20 anos. (...) Faço pregações no Brasil todo, vamos a todos os estados levar essa Palavra, evangelizando, levando o amor de Deus, as pessoas vão sendo tocadas e vão se voltando para Jesus, porque na Palavra está:

'E conhecereis a Palavra e ela vos libertará.' Como nós vamos ser um povo liberto para Deus se não conhecemos a Palavra? Então é conhecendo, fazendo com que as pessoas a conheçam com muita fé, vamos caminhando para Jesus.

JC - A senhora faz orações pela cura...

Delizete - Meu trabalho evangelizador é o ministério de cura, oro muito pelos doentes, tenho muito dó, compaixão pelos doentes. Falo sempre para Jesus que a graça maior que Ele pode dar para mim é curar meus irmãos que são doentes e Ele tem me dado muita graça, muitas curas e bênçãos. Cura é bênção de Deus, Ele é médico dos médicos, ele pode curar.

JC - Como a senhora se sente diante das famílias atingidas pela guerra na Iugoslávia?

Guerra

Delizete - Triste. Eles põem a religião no meio, mas onde tem a verdadeira religião não tem guerra. Então talvez seja uma coisa diabólica, porque se fala tanto em religião e não se amam. Que religião

é essa que eles defendem mas não amam o próximo? Como Jesus falou: 'Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei', onde está esse amor? Eu sofro, estou longe da guerra, mas me penaliza, fico emocionada quando vejo aquelas crianças, aqueles velhos, sem casa, sem nada, perdendo tudo o que eles construíram.

(...) Deus não quer isso, porque Deus não quer a guerra.

JC - Quer dizer, é mais importante o amor do que essa religião que eles dizem defender...

Delizete - É, o amor, porque quando tem amor tem união, tem tolerância, tem compaixão, tem humanidade e nada disso vocês estão vendo. Estamos vendo um povo sendo destruído enquanto desarmado. Eles estão sendo um alvo tão fácil dos canhões, das bombas, é muito triste. Jamais deveria acontecer tudo isso. Quando o homem se julga tão desenvolvido, tanta coisa moderna que existe no mundo para destruir o homem e ele não procurou a coisa mais simples que Jesus falou, que é o amor.

JC - A senhora acha que esse é o primeiro caminho para qualquer cura...

Delizete - Para tudo, para toda a cura. Da pessoa que ora

à pessoa que recebe, amor. Amor cura tudo, porque deus

é amor.

JC - Que mensagem a senhora deixa para Bauru?

Delizete - A todo povo de Bauru, que eles se deixem ser envolvidos pelo amor de Deus, porque aí Bauru vai crescer muito mais, vai ter mais paz, vai se amar mais e vai ser maior do que é. (...) É o amor de deus que eu ano semeando por aí.

JC - A senhora é a segunda mãe do padre Marcelo Rossi, como ele mesmo diz. Faz orações por ele...

Delizete - Nosso Marcelo, ele ficou comigo desde os 13 anos de idade, porque a mãe dele era serva do nosso grupo de oração. Ele cresceu conosco. Conheço o Marcelo em todos... a maneira dele ser, a pessoa abençoada, a criança pura que ainda está dentro do coração dele. É um menino puro, a criança de sempre, ele continua sendo agora, com uma responsabilidade que Deus pôs sobre ele. Imensa, imensa que nos assusta. Assusta a ele. Acho que Deus pôs nele toda a confiança de uma restauração relâmpago da Igreja Católica. É uma responsabilidade muito grande. Ele me diz: 'Dê, eu não sei o que Jesus está fazendo comigo'... esse caminhar, ele vai indo.

JC - E ele hoje orienta a vida de milhares de pessoas...

Delizete - Milhões. Milhões de pessoas voltando

à Igreja Católica, muitos homens, muitos jovens. Mas padre Marcelo não está sozinho nesse plano de salvação. Está também padre Zeca, do Rio de Janeiro, jovem abençoado, milhares de jovens o seguem. Padre Jorjão, no Aterro do Flamengo (RJ), na missa dominical. São seis a dez mil jovens todo domingo.

JC - Algumas pessoas têm criticado as missas carismáticas pelas músicas e danças. Qual a avaliação da Renovação Carismática nesse sentido?

Delizete - O padre Marcelo respeita a celebração, a liturgia totalmente. Após terminar a missa ele tira a estola e vai cantar. Ele canta muito durante a celebração, mas isso é litúrgico, pode cantar Ato de Perdão, Canto de Comunhão. Mas após a celebração, ele tira a estola e aí ele canta. Mas por quê? É isso que o povo quer. Nós precisamos ir à igreja sabendo que ela é alegre, viva. Não podemos ir à uma igreja fechada, triste, calada. Lá (na missa do padre Marcelo) vão jovens, velhos, eles cantam e dançam para Deus. Uma forma de louvor. Davi, o rei Davi, se vestia todo de púrpura e cantava e dançava para o Senhor. Isso já vem lá do Velho Testamento. Isso é normal.

É que nós levamos a igreja para um conceito muito sério. Sim, a igreja é séria, mas com um conceito muito recatado que hoje não funciona mais. A juventude precisa de algo mais que o atraia e é nos cânticos, na música que estamos atraindo a juventude. Não tem desrespeito.

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