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Sindicalismo

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru recebe delegação de sindicalistas do exterior

Bauru recebe delegação de sindicalistas do exterior

Texto: Márcia Buzalaf

Uma delegação com representantes sindicais de 11 países - da África, Austrália, Europa e América Latina - visitaram Bauru ontem para debater a política trabalhista do Brasil em comparação com os outros países. Entre as diferenças e semelhanças das estruturas sindicais, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de Bauru e região, Cláudio da Silva Gomes, 37 anos, que acompanhou a delegacia, destacou que os diferentes sindicatos enfrentam problemas

"globais", mas que, em alguns países, o amparo do Estado fortalece os trabalhadores.

A semelhança entre Finlândia, Chile, Cuba, Portugal, França, Dinamarca, Chipre, Egito, Síria, Austrália e Marrocos com o Brasil é que todos os representantes sindicais apontaram a política neo-liberal como uma das vilãs dos trabalhadores. De acordo com Gomes, o problema do País

é que as empresas daqui não têm função social de gerar empregos, nem o Estado tem condições de amparar o trabalhador. "Em uma fábrica de Portugal parecida com a Duratex de Agudos, que tem 240 funcionários, tem que ter pelo menos 600 funcionários para manter os benefícios que o governo dá", conta Gomes.

De acordo com José Dinis, secretário geral da União Internacional dos Trabalhadores da Construção em Portugal, o melhor caminho para os trabalhadores é quando o país tem apenas uma central sindical. "Apesar da maior quantidade respeitar mais a diversidade de opiniões, enfraquece os trabalhadores. É como uma caixa de fósforo: dá para quebrar um fósforo a um, mas não para quebrar todos de uma vez", defende Dinis. A Dinamarca, a Austrália, a Finlândia e o Senegal têm uma

única central sindical, enquanto Portugal tem duas centrais sindicais e a França tem três centrais sindicais grandes e duas pequenas.

Dinis diz que existe no Brasil uma falsa unicidade sindical, já que existem cinco principais centrais sindicais: a CUT, a CGT, a CGT-B, a Força Sindical e, mais recentemente, a Social Democracia Sindical. Mesmo assim, Dinis afirma que o discutido fim da unicidade sindical no Brasil deve prejudicar os trabalhadores.

"Depois, de acordo com a época, os trabalhadores tendem a apoiar as centrais sindicais que mais favores fazem", exemplifica. Para ele, os sindicatos que vivem exclusivamente da contribuição dos trabalhadores, apesar de estarem em situação econÃmica prejudicada, são mais independentes e buscam

"conquistar" os membros da categoria.

Em Portugal, por exemplo, antigamente, existia uma central sindical. Depois, os partidos de direita criaram uma segunda central, que, por ter assinado sozinha um acordo coletivo com os "patronais", causou uma luta sindical de vários anos. Durante o período, os representantes da primeira central sindical lutaram com os patrões para manter os benefícios da categoria. Conseguiram, depois de oito anos.

Em um país completamente diferente e distante do Brasil, a Finlândia, a crise econÃmica e o desemprego também já formaram a bandeira da luta sindical. De acordo com seus representantes, 50% dos trabalhadores na construção civil estavam desempregados no início da década de 90. De 94 para cá, a crise econÃmica e sindical começou a reagir e, atualmente, o desemprego atinge pouco mais de 10% desta categoria.

Para os representantes do país escandinavo, que tem cinco centrais sindicais, a assistência social que o governo dá para os desempregados auxilia bastante.

Já no Chile, a situação é diferente. O país que viveu durante anos a ditadura militar do general Pinochet ainda sente seu legado. Segundo seu representante, só

é permitido os sindicatos negociarem nacionalmente, através da única central sindical existente. Há anos, sua função tem sido a mesma: manter as garantias adquiridas, nada mais.

A força sindical chilena representa cerca de 10% da força de trabalho do país. Mesmo sendo ilegal, e a situação econÃmica e sindical prejudiquem qualquer mobilização, a greve é feita apenas em situação extremista, já que sempre envolve a participação da polícia.

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