Tietê deve ter balsas gratuitas amanhã
Tietê deve ter amanhã balsas gratuitas
Texto: Adriana Amorim / Fábio Grellet
Jaú - As balsas que devem começar a funcionar amanhã, transportando os usuários da rodovia Bauru-Jaú, interditada sobre a ponte do rio Tietê, na altura do km 199, não vão cobrar nada para fazer o transporte. Essa é a informação de que dispõe o Promotor de Justiça de Pederneiras, José Carlos Carneiro de Oliveira, 39 anos, que disse ter obtido a garantia do secretário-adjunto da Secretaria Estadual dos Transportes, Luiz Carlos David.
Segundo o promotor, as balsas estão sendo deslocadas de seu local de origem (que ele não soube informar qual é) até a ponte, onde vão atuar. Simultaneamente, as margens do rio Tietê estão sendo preparadas para servir como ancoradouro das embarcações. Ontem, trabalhava às margens do rio um grupo de aproximadamente 60 pessoas, equipadas com caminhões e dragas. (leia mais no boxe)
Conforme Vlademir Barradel, supervisor de área da Centrovias, a empresa - que explora, em regime de concessão, a rodovia Bauru-Jaú - é responsável pelo conserto da ponte, além de organizar, também, o serviço das balsas. Cabe ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER), apenas, o acompanhamento técnico dos serviços.
O Promotor de Justiça de Pederneiras disse que, provavelmente, o pedágio será cobrado normalmente, mesmo enquanto a travessia for realizada através de balsas. O pedágio, que funciona nos dois sentidos e custa R$ 2 em cada um, fica a aproximadamente 100 metros do local onde os carros devem embarcar
(se trafegarem no sentido Jaú-Bauru) ou desembarcar (caso o sentido seja inverso). O promotor, porém, não tinha certeza sobre a cobrança do pedágio.
O supervisor da Centrovias informou que o conserto da ponte deve ser finalizado em até 30 dias.
Está em estudo a hipótese de serem produzidas barras de proteção em aço, que seriam colocadas ao redor de cada pilastra de sustentação, para evitar que futuras colisões voltem a causar a interdição da ponte. Essas proteções poderiam começar a ser instaladas já no próximo final de semana, nas pilastras já em condições de recebê-las.
Mas as estruturas de proteção podem causar a redução do espaço entre as pilastras, que - segundo o diretor do DER, Raul Cardoso, é de 70 metros, atualmente. Um das causas alegadas para justificar os freqÃentes acidentes que ocorrem sob a ponte é a largura entre as pilastras. Como a ponte seria antiga, no perÃodo em que foi construÃda não era prevista a passagem de embarcações com o porte das que navegam atualmente, sob sua estrutura. Por isso, os espaços entre os pilares seriam menores que os recomendados.
Pederneiras se mobiliza por apuração
Pederneiras - Em Pederneiras, além da subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), também o vereador Reginaldo Monteiro apresentou protestos contra a situação imposta pela interdição da ponte.
A OAB havia apresentado na própria sexta-feira, dia em que ocorreu o acidente, uma representação ao promotor de justiça, pedindo a apuração das responsabilidades pelo acidente e a punição dos culpados.
Reginaldo Monteiro, por sua vez, também encaminhou, ontem, ao promotor de justiça de Pederneiras, uma representação semelhante à apresentada pela OAB. Em seu conteúdo, o documento requer sejam tomadas as providências judiciais cabÃveis para se apurar e punir os responsáveis pelos danos.
O vereador menciona os problemas causados aos usuários
- que, enquanto não tiverem a balsa disponÃvel, têm apenas duas alternativas para ir de Bauru a Jaú ou vice-versa: a primeira é usar a estrada que interliga Jaú, Barra Bonita, Macatuba, Pederneiras e, afinal, Bauru ou, então, a estrada que passa por Jaú, Bariri, Boracéia, Pederneiras e, afinal, Bauru. Nos dois casos, o percurso é aumentado em 40 quilÃmetros, aproximadamente, em relação ao trajeto habitual através da ponte.
Reginaldo destacou que, além da perda de tempo, os usuários sofrem com o gasto adicional de combustÃvel e a precariedade das estradas utilizadas como desvio. Na madrugada do último sábado, cerca de 24 horas depois que começou a ser utilizado o novo trajeto, através das estradas da região, um acidente envolvendo dois caminhões e um carro causou a morte do motorista de um dos caminhões, EdnÃlson Ferreira, 21 anos, residente em Bauru. Ele trafegava pela rodovia que liga Jaú a Bariri, e o acidente aconteceu próximo ao km 310 daquela estrada.
Promotor
O Promotor de Justiça de Pederneiras, José Carlos Carneiro de Oliveira, a quem foram enviadas as representações, afirmou que só seriam cabÃveis medidas de sua parte caso ele detectasse uma demora injustificada, por parte do governo, em oferecer uma solução ao problema. Mas como o secretário-adjunto da Secretaria Estadual dos Transportes, Luiz Carlos David, lhe garantiu que a balsa deve começar a operar até amanhã, sem custos aos usuários, Oliveira não pretende tomar qualquer medida judicial. Caso essa promessa não seja cumprida, ele deve avaliar a necessidade de qualquer ação judicial.
A ponte, segundo o promotor, determina o limite entre os municÃpios de Pederneiras e Jaú. Como a pilastra atingida está além do meio da ponte (considerado o sentido Pederneiras-Jaú), ele considera que o órgão competente para tomar qualquer providência jurÃdica seria um promotor de Jaú. Mas como essa competência não é exclusiva, e considerando que os moradores de Pederneiras são alguns dos principais atingidos, também ele pode agir no caso, em defesa do interesse dos pederneirenses.
Oliveira afirmou que as pessoas obrigadas a usar os desvios para trafegar entre Bauru e Jaú, desde sexta-feira, não tem, a princÃpio, direito a requerer do Estado qualquer tipo de ressarcimento, em razão do aumento dos custos da viagem ou do maior tempo gasto.
Margem é preparada para balsas
Durante todo o dia de ontem, uma equipe trabalhou no lado direito do rio Tietê (pertencente a Jaú), para realizar o desassoreamento daquela margem. Ao final da tarde, o supervisor da Centrovias afirmou que o serviço havia sido concluÃdo, naquela margem, e hoje seriam iniciados os trabalhos na margem pertencente a Pederneiras.
As balsas começam a funcionar, segundo Barradel, até a manhã de quarta-feira. "Se tudo der certo, essa previsão deve ser cumprida", explica. "As balsas começam a circular se não chover e se a Marinha não detectar nenhum problema".
Segundo Barradel, por questão de segurança, a balsa só pode navegar onde o rio tenha uma profundidade de, pelo menos, dois metros e meio.
O supervisor também disse que ainda não foi definido o órgão que será responsável pelo pagamento das obras de recuperação das pilastras.
"Isso é o de menos, perto dos transtornos que o problema está provocando na região", afirma. Ele frisa ainda que o trabalho de recuperação da ponte depende das condições climáticas, da locação de equipamentos e de outros fatores que podem reduzir ou ampliar o prazo previsto para a conclusão do trabalho.
A interdição da ponte ocorreu na última sexta-feira, quando uma barcaça bateu contra um dos pilares de sustenção da ponte e comprometeu a sua estrutura. O acidente provocou a quarta interdição da ponte, em pouco mais de dois anos, comprometendo o tráfego dos cerca de 6,4 mil veÃculos que circulam diariamente por ela, nos dois sentidos.