Aqüífero de Bauru perde potencial de produção
AqÃÃfero de Bauru perde potencial de produção
Texto: Adriana Rota
O aqÃÃfero de Bauru está perdendo seu potencial. Vários poços profundos, como o do Parque Roosevelt, da Vila Nova Esperança, do Jardim Vânia Maria e do Parque Jaraguá, já estão produzindo menos
água. Em média, os poços perderam 50% da capacidade em relação à época em que foram perfurados, aumentando o risco de falta de água na cidade. Se nada for feito para recuperar o aqÃÃfero, num prazo de 10 a 15 anos vários poços poderão secar, segundo especialistas. Hoje, 60% da água consumida em Bauru é originária desses poços e os outros 40%, do Rio Batalha.
O que está causando a redução no potencial dos poços, segundo apurou o Departamento de Ãgua e Esgoto (DAE), é a falta de manutenção e caracterÃsticas geológicas da época dos dinossauros. Cinco especialistas dentre engenheiros de saneamento, técnicos e um geólogo estão analisando os 24 poços em funcionamento na cidade e a redução do potencial de produção.
O objetivo do estudo é saber com exatidão a situação de cada um dos poços, procurando evitar a desativação deles. Desde 1978, 11 poços já foram desativados em Bauru por falta de manutenção. Na verdade, diversas análises chegaram a ser feitas ao longo desses anos, mas o material obtido acabou ficando disperso. "A idéia
é coletar as informações que estão armazenadas e dispersas organizando, em seguida, um banco de dados. Buscando informação, é possÃvel gerenciar a extração de água evitando problemas futuros", avaliou Flávio de Paula e Silva, geólogo contratado pelo DAE.
Os problemas mencionados dizem respeito à exploração indiscriminada e predatória, passÃvel de provocar problemas no abastecimento se não for barrada a tempo. Por isso, paralelamente a esse estudo dos poços profundos, o DAE também firmou um acordo de cooperação técnica com o Departamento de Ãgua e Energia Elétrica
(Daee) de São Paulo, que está fazendo o cadastramento de poços superficiais. Esses não podem, por exemplo, ser perfurados próximos aos poços profundos, sob pena de prejudicar a distribuição de água para a população.
O geólogo explicou que os poços profundos perdem
água pelo rebaixamento de nÃvel (relacionado à s caracterÃsticas geológicas) e pela ausência de manutenção (que provoca entupimento de filtro ou oxidação, por exemplo).
Apesar da redução do potencial de produção de água, o DAE deve continuar utilizando os poços profundos porque a capacidade de extração de água do Rio Batalha (explorado desde 1942) já está no limite, segundo informou a assessoria de imprensa da autarquia.
A possibilidade de retirar água de outro rio, como o Tietê, por exemplo, está descartada porque seria um processo caro demais, além de exigir análises profundas do ponto exato para captação. O tratamento da água dos rios também é mais oneroso que dos poços profundos. A melhor alternativa, para o DAE, é fazer a manutenção e continuar explorando os poços profundos já existentes e, se preciso, perfurar outros, mas de maneira racional, poupando a natureza.
Avaliação
A situação dos poços é analisada basicamente por um aparelho chamado perfilagem elétrica, que faz uma espécie de raio-X do solo. Ele é introduzido ao lado do poço e o resultado é um gráfico apresentado numa escala, com curvas que indicam permeabilidade, o tipo de formação, dentre outras informações pertinentes para os especialistas.
O que é aqÃÃfero?
O aqÃÃfero é uma camada de areia que acumula em seus poros uma grande quantidade de água. Originalmente, essa é uma água de chuva que levou alguns milhares de anos para adentrar o solo. "A água dessa região deve ter por volta de 5 mil anos, é uma água fóssil. Nosso aqÃÃfero possui algo em torno de 250 metros de espessura que vai até Presidente Prudente", disse o geólogo.
Ele explicou, ainda, que em Bauru existem basicamente dois aqÃÃferos: o superficial (lençol freático), que é chamado de Grupo Bauru e um mais profundo, o Botucatu, que abastece várias cidades do interior de São Paulo, como Bauru, Ribeirão Preto, Araraquara, São José do Rio Preto e Presidente Prudente.
O superficial é utilizado somente para abastecimento mais localizado ou em menor escala, para pequena produção de água, geralmente por particulares e pequenas empresas. São poços com cerca de 100 metros de profundidade.
"Mais que isso, constitui um aqÃÃfero confinado, sem muita ligação com a água da superfÃcie, utilizado para os poços profundos".
Por caracterÃsticas geológicas antigas, o potencial de armazenamento de água vem sendo comprometido. O geólogo afirmou que na região do Parque Real (sudeste), o aqÃÃfero possui cerca de 60 metros de espessura e, na região região do Mary Dota (nordeste), 250 metros. "Uma variação grande em pouco mais de 10 quilÃmetros", avaliou.
Em sua opinião, 18 poços profundos bem construÃdos seriam suficientes para Bauru ser abastecido. Com um controle racional através do gerenciamento que vem sendo realizado, o aqÃÃfero também pode ser preservado.