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Critérios para pesquisa

Eva Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Escolas adotam critérios para pesquisa na Internet

Escolas adotam critérios para pesquisa na Internet

Texto: Eva Rodrigues

Estudantes usam a rede de forma abusiva e chegam a copiar literalmente conteúdos e entregar como trabalhos para professores

Imagine uma biblioteca com milhões de corredores, obras nos mais diversos idiomas, todas misturadas, sem catalogação, com autores desconhecidos e você ali, bem no meio desse labirinto - e sem a presença do bibliotecário para dar aquela força. Pois é mais ou menos essa a "cara" da Internet quando vista como meio de pesquisa para trabalhos escolares.

Diferente de um livro, cujo autor está devidamente identificado, biografado e avaliado, a rede mundial de computadores traz conteúdos que nem sempre deixam claro sua procedência, autor e principalmente seus objetivos.

O resultado desse tipo de consulta em geral é um emaranhado de informações - fundamentadas, equivocadas, parciais, superespecializadas - as quais o estudante terá que filtrar, interpretar, questionar... Bom, talvez seja mais simples copiar tudo, jogar no Word ou no Pagemaker, dar uma ajeitada no layout final e entregar para o professor.

Estabelecendo limites

Na Escola Estadual Ernesto Monte a Internet ainda não foi instalada, mas os alunos já sabem muito bem o que significa essa fonte de pesquisa - 90% deles fazem uso da rede mundial. Em virtude de problemas enfrentados com alunos que chegavam a imprimir integralmente textos da Internet como trabalhos, a escola como um todo começou a discutir os limites desse tipo de pesquisa. "Eles passavam a noite pesquisando na Internet, vinham para a aula com sono e ainda traziam um material sem ao menos ter lido. Chegou ao ponto de alunos que não tinham Internet pagarem para os que tinham fazer o trabalho", lembra a coordenadora pedagógica da Escola Estadual Ernesto Monte, Sueli da Costa Freitas.

Hoje a escola, com o envolvimento de todos os professores, vem trabalhando no sentido de incentivar a leitura de livros e jornais pelos alunos, além do uso da biblioteca. "Paralelo a isso, estamos permanentemente discutindo os limites da pesquisa pela Internet. Os alunos estão, por exemplo, pegando conteúdos que acham interessantes e trazendo para debates em sala de aula", informa Sueli.

De olho na navegação

O Colégio Interativo conta com terminais ligados à Internet para uso dos alunos. Inicialmente de acesso livre, a escola acabou achando adequado colocar monitores à disposição para orientação dos pesquisadores. "Com a monitoração, a rede mundial tem sido mais um campo de pesquisa para os alunos", afirma o diretor Jonas Kawasaki.

Mas a Internet como intrumento de pesquisa tem seu grande valor junto aos professores, acredita Kawasaki: "Com senso crítico mais apurado, eles têm mais critérios para o uso desse meio. Já para os alunos, mesmo com a euforia gerada com a facilidade da Internet, o mais interessante continua sendo o meio tradicional de pesquisa - os livros." Ao lado dos livros, os alunos da escola são incentivados a pesquisar em CD-ROM, "os quais conhecemos a qualidade e a procedência".

Com classes pequenas - cerca de 15 alunos por sala -, o Colégio Guedes de Azevedo não enfrenta problemas com os equívocos no uso da rede mundial de computadores. "Os computadores ficam na sala de aula e usamos a Internet como a parte prática e ilustrativa. Numa aula de Espanhol, por exemplo, a navegação por um site espanhol possibilita ao aluno o contato com a língua", explica a coordenadora pedagógica do Colégio, Ana Virgínia Borro Martins.

Para a coordenadora, é imperativo que a escola tenha contato com as novidades que surgem fora dela. "Assim, a Internet

é mais um meio de pesquisa, como a revista, o jornal, o vídeo, pesquisa de campo... Mas sem nunca deixar de lado o livro e a literatura."

A postura adotada pela escola com relação aos trabalhos escolares é que a pesquisa na Internet seja uma aliada da pesquisa em livros, ou seja, sirva apenas para ilustrar a teoria encontrada na velha biblioteca.

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