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Luis Melodia

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

O Negro gato na Cervejaria dos Monges

O Negro gato na Cervejaria dos Monges

Texto: Fabiano Alcantara

Venerado há décadas pela crítica especializada, músicos e fãs fiéis de todo Brasil, Luiz Melodia tem um talento comparável aos grandes mestres da MPB, como Caetano, Gil e Chico. No entanto, sua resistência em fazer as concessões que o show business exige para vender discos o mantém afastado do grande público e o concedeu o rótulo de "maldito". Agora com um show acústico, onde se apresenta ao lado dos violões de Renato Piau e Perinho Santana, Melodia diz que continua seu trabalho sem se importar com rótulos e vendagens. "Eu canto as coisas que eu gosto". Leia a seguir a entrevista que o cantor e compositor concedeu ao JC Cultura de sua casa no Rio de Janeiro.

Como é o seu show acústico?

Luiz Melodia - É um show com as participações de Perinho Santana e Renato Piau, com violões de aço e nylon. Um show que, na verdade, começou sem nenhuma pretensão, com a descontração de um show familiar e que foi acontecendo, foi dando resultado, até pelo fato de ter dois músicos de importância. Então, fomos colocando as coisas no lugar e foi um sucesso.

Vocês estão viajando muito com o show?

Melodia - Eu agora recém-cheguei de Belém, onde eu fiz uma temporada lá, passei por São Paulo, vou fazer Macapá, que é uma cidade que eu não conheço. Temos também um show em Manaus. O Brasil todo. É um show que o pessoal tem gostado para caramba.

Você tem planos de gravar um CD acústico?

Melodia - Nós comentamos isso, quer dizer, os músicos estavam comentando que seria legal se isso acontecesse. Nós temos vontade, mas por enquanto não tem nada concreto.

Porque você acha que tem tanta gente gravando CD acústico? Virou moda?

Melodia - Eu tenho uma opinião sobre o meu acústico. Por exemplo, eu cheguei a fazer um semi-acústico, que foi o "Relíquia". Um trabalho muito gratificante, que eu escolhi tudo. Era uma coisa que eu queria fazer, músicas que eu queria cantar. Eu participei de idéias, fizemos arranjos coletivos e foi uma acontecimento muito legal. Foi um disco que vendeu bem, teve uma crítica muito boa e como experiência foi bem interessante. Mas esse disco não foi gravado ao vivo, foi gravado em estúdio. Eu tenho essa vontade de gravar um acústico ao vivo. Pensei em fazer há algum tempo com banda, mas como esse show que eu tenho feito está sendo legal, quem sabe aconteça agora.

Como você vê essa história de ser considerado maldito, de não ser um artista de grande vendagem apesar do seu talento?

Melodia - Você não pode apelar. Eu acredito que você tem que fazer o seu trabalho, como eu faço. Um trabalho honesto, eu não tenho mais nada a afirmar, até porque eu tenho muito tempo de carreira. E eu continuo o meu trabalho, eu não posso parar, independente de vender discos, da mídia, de rótulos, ou qualquer coisa assim. Eu tenho certeza que eu faço o que eu tenho que fazer.

Algum recado para o pessoal de Bauru que está pensando em ir ao seu show?

Melodia - O meu recado é para que a turma vá, principalmente que a rapaziada apareça para ver qual é, para avaliar, porque acho que vai tirar onda (risos).

Serviço

"Luiz Melodia - Voz e Violão", com a participação de Renato Piau (violão de nylon) e Perinho Santana (violão de aço). No repertório estão músicas como "Pérola Negra", "Codinome Beija-Flor",

"Memórias Modestas", "Magrelinha", entre outras. Nesta terça-feira, a partir das 21h30, a casa abre às 19 horas. Mesas: de R$ 40,00 a R$ 80,00 (incluindo quatro ingressos). Camarotes: R$ 150,00 a R$ 200,00 (incluindo dez ingressos). Apoio: Quality Suites Garden Plaza, 96 FM e Jornal da Cidade. A Cervejaria dos Monges fica na avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: (014) 234-7773.

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