História de neto
Histórias de neto
Texto: Roberta MathiasUma pessoa muito legal resolveu escrever um livro sobre as aventuras, causos e poesias de seus avós. Arthur Nestrovski tem 39 anos, duas filhas (LÃvia, 11 anos, e Sofia, 7 anos) e uma infância gostosa passada ao lado de seus avós maternos e paternos. Apesar de estar habituado a escrever para gente grande, pois é articulista da Folha de São Paulo, onde escreve sobre literatura e música clássica desde 1992, ele resolveu contar essas histórias para as crianças, com um texto gostoso de ler, como se fosse história contada.Um grande estÃmulo para iniciar o livro foi a relação com suas filhas. Ele percebeu que a vida das crianças com seus avós está bem diferente da que ele viveu. Pensando em contar para a turma como pode ser importante os momentos que passamos ao lado dos avós, ele escreveu seu livro. "Foi um livro fácil de escrever, pois as histórias já estavam dentro de mim." O livro "Histórias de avà e avó", com ilustrações de Maria Eugênia, foi editado pela Companhia das Letrinhas, em 1998, está em sua segunda edição. Neste ano, foi incluÃdo na lista dos "Altamente Recomendáveis", pela Fundação do Livro Infantil e Infanto-juvenil, do Rio de Janeiro. E com razão.Arthur fala sobre o seus avós maternos, và MaurÃcio e vó LuÃsa; a Bisa Olga, que nasceu na Bessarábia (onde é isso? na Rússia!), e bisavà Isaac; e os avós paternos và Felipe e vó Póli. Com cada um de seus avós, Arthur viveu momentos especiais e mágicos. Como ele mesmo diz:
"Uma relação muito rica e encantada". E atualmente as relações entre netos e avós não são mais assim. Em muitos casos, porque os avós moram em outra cidade; em outros os encontros são só aos domingos e dias de festa.O Arthur também procurou valorizar suas origens. Para isso, ele escreveu sobre elementos da cultura dos paÃses de seus avós. Como eram os doces, a lÃngua, as orações, hábitos e costumes, enfim, uma série de detalhes que enriquecem a história e faz a gente aprender um pouquinho mais. Afinal, a população brasileira é composta, basicamente, por imigrantes e seus descendentes. Pergunte para os seus avós, pais e tios: você também deve ser um descendente de imigrante. Comece a perceber como seria esse lugar distante, de onde seus avós, bisavós ou tataravós vieram. Mas melhor que isso, comece a perceber a importância da convivência com seus avós, suas histórias curiosas. Como os avós do Arthur, que tiveram muita coisa para ensinar a ele.A relação entre pais, filhos e netos acontece naturalmente, mas se você perceber que não está curtindo tanto quanto poderia os seus avós, aproveite para buscar novas aventuras ao lado deles. Eles moram longe? Então escreva! Telefone! Com certeza, quando você for gente grande vai ter histórias para contar. Arthur Nestrovski é escritor, professor titular de literatura na pós, USP, é da equipe de articulistas da Folha de São Paulo; mora em São Paulo, adora andar a pé, cozinhar e tocar violão com os amigos, gosta de muito de jazz e sempre que pode sai de São Paulo. Talvez ele visite Bauru, em agosto, para conhecer a meninada. Vamos aguardar! Com avó se brinca!
A garotada da 2.ª série, do Núcleo de Ensino Renovado, realizou uma pesquisa muito interessante que terminou em festa. A turma, orientada pela coordenadora pedagógica Rute Cristina de Mattos, esteve pesquisando como estava a relação netos e avós. Os alunos perceberam que muitos encontravam com os avós somente nos finais de semana e, às vezes, nem nesses dias. A meninada percebeu que não conhecia muita coisa de seus avós e resolveu organizar um Dia dos Avós, na escola, para, juntos, passarem uma tarde de descontração. A turma percebeu que para receber os avós seria preciso ter um cafezinho, bolo, bolachinhas e outros docinhos. E seria preciso música. Mas qual? Eles descobriram que a maioria gosta de valsa, seresta, forró... eles querem dançar. E foi o que aconteceu. Montaram um baile na escola e foi uma boa festa. No final, a turma aprendeu a valorizar e a estimular os encontros mais frequentes com seus avós. "As crianças sentem muito a falta dos avós, por isso o encontro foi tão importante para todos", disse a coordenadora.