Atrofia cerebral atinge 20% ds idosos
Atrofia cerebral atinge 20% dos idosos
Texto: Sabrina Magalhães
A Medicina não sabe o que causa o Mal de Alzheimer. Por isso, a doença não pode ser prevenida, nem tratada. Não tem cura e só evolui
A doença de Alzheimer, uma atrofia cerebral progressiva, atinge cerca de 20% das pessoas com mais de 65 anos, segundo estimativas mundiais. Calculam-se quatro milhões de pacientes nos Estados Unidos. Mais de 700 mil casos já foram registrados no Brasil. Considerando-se a população de Bauru, que soma 300 mil habitantes, pode-se calcular que haja 10% de idosos, aproximadamente 30 mil. Se a incidência da doença é de 20%, seriam 6.000 pessoas potencialmente portadoras da doença. Muito confundida com a esclerose, com "caduquice", é uma patologia grave, que não pode ser prevenida, é de causa desconhecida, não tem tratamento, não pode ser paralisada, nem tem cura.
Em 1907, ao fazer a autópsia de uma senhora de 55 anos, que apresentara um quadro de confusão mental e perda de memória, o médico alemão Alois Alzheimer descobriu no cérebro dela anomalias nunca antes relatadas. Seus neurônios (células nervosas) estavam atrofiados e dentro deles havia placas estranhas formadas por material celular e fibras retorcidas, trançadas umas nas outras. Estes sinais foram o ponto de partida para a pesquisa da doença.
Em 1910, ao se referir à pesquisa do amigo num estudo sobre demência senil, outro médico, Kraeplin, descreveu a patologia como "a doença de Alzheimer", nome que leva até hoje. A degeneração cerebral era praticamente desconhecida da população. Até que foi divulgada, há cerca de três anos, a notícia de que o problema havia se manifestado no ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan. Foi a partir daí que o nome Alzheimer passou a ser estampado em jornais e revistas de todo o mundo e a ser ouvido fora dos meios acadêmicos.
A doença
"O Mal de Alzheimer é uma patologia degenerativa que vai atrofiando o cérebro, particularmente uma área muito importante do cérebro, que é o córtex, parte que coordena a concentração, memória, raciocínio e inteligência do ser humano. Então, a doença vai causando um comprometimento de todas essas funções chamadas cognitivas", explicou o geriatra Guilherme Pupo Ferreira Alves. "Conforme a evolução da doença, o paciente vai perdendo sua autonomia. Começa com um quadro de esquecimentos, vai piorando, até que a pessoa já não consegue deglutir (engolir), andar, falar, comprometendo lentamente todas as suas funções."
Sintomas
O primeiro sintoma da degeneração cerebral é o esquecimento. A pessoa começa a demonstrar pequenas falhas na memória em coisas do dia-a-dia, como estar habituada a guardar uma coisa sempre num mesmo lugar e de repente não se lembrar mais aonde. Ou esquecer o nome de pessoas de convívio diário, não se lembrar do que comeu no almoço duas horas depois, ter dificuldade em gravar informações simples, enfim, apresentar apagões repetitivos e sistemáticos. De acordo com o geriatra, este quadro, tecnicamente, recebe o nome de demência.
"Não se pode confundir isso com casos esporádicos.
É normal uma pessoa sobrecarregada, com muitas atividades, esquecer pequenas coisas, como o lugar onde colocou a chave, ou o ponto exato onde deixou o carro num grande estacionamento, porque estava distraída. A gente tende a direcionar atenção
às coisas mais importantes, isso também acontece e não é patológico. Mas se os esquecimentos forem freqüentes, é aconselhável buscar uma investigação médica."
Esclerose X Alzheimer
Quando a denominação "Alzheimer" tornou-se conhecida da população em geral, houve uma grande confusão com outra doença, a arteriosclerose (esclerose). Segundo Guilherme Pupo, no entanto, são problemas bastante diferentes. A esclerose é causada por uma anomalia circulatória, que dificulta a chegada do sangue ao cérebro. Sendo o sangue o veículo que transporta nutrientes e oxigênio, se ele não chega à cabeça adequadamente, o cérebro vai apresentar falhas.
O médico lembra que um exemplo claro da arteriosclerose são as alterações provocadas pelo aumento de colesterol, que forma placas nas paredes de artérias e vasos, diminuindo o fluxo sangüíneo. "Além de poder ser prevenida, fugindo-se dos fatores de risco, a esclerose pode ser controlada com medicamentos e até curada. Basta melhorar as condições circulatórias do paciente. O Mal de Alzheimer é bem diferente. É uma degeneração do cérebro, os neurônios morrem. E contra isso ainda não há tratamento. Só podemos controlar alguns sintomas e, em alguns casos, desacelerar sua evolução."
Há várias doenças que atingem os idosos e adultos caracterizadas pelo quadro de demência. Estima-se que do total, 65% dos casos são pela doença de Alzheimer. Cerca de 20% são por arteriosclerose e o restante por distúrbios depressivos, estresse, entre outros.