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Serviço social

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 3 min

Mais de mil famílias solicitam cesta básica

Mais de mil famílias solicitam cesta básica

Texto: Adriana Amorim

Um aumento progressivo no número de solicitações de cesta básica no Plantão Social da Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes) está dificultando o atendimento e provocando reclamações dos moradores carentes da cidade. A Secretaria deixa de atender cerca de 850 solicitações por mês, um número que cresceu aproximadamente 40% nos últimos meses.

O Plantão disponibiliza cerca de 250 cestas mensalmente, mas chega a atender quantidades maiores, como no mês passado, quando 380 famílias receberam a cesta básica. O atendimento é feito mediante triagem dos interessados. Recebem os produtos quem comprova passar por dificuldades financeiras.

A intenção do Plantão, no entanto, não

é de fornecer mensalmente a assistência, mas promover o atendimento em caráter de urgência. "As pessoas não entendem que estão recebendo em caráter de urgência e que não é um projeto contínuo", explica a secretária Sandra Scriptore.

Sem entender o caráter do atendimento e vítimas do agravamento das dificuldades sociais, moradores passaram a recorrer com mais constância à Sebes para receber as cestas. De acordo com dados do Plantão Social, houve um aumento gradativo na procura, acentuada no final do ano passado. As características de quem procura ajuda também sofreu alteração: ao lado das pessoas que intencionalmente viviam à base da ajuda institucional agora estão as famílias desempregadas. Segundo a Sebes, isso explica a grande quantidade de pessoas nas filas e a impossibilidade de atendimento de todos os interessados.

"Nós sabemos que tem muita gente passando fome e que a entrega das cestas básicas é um termÃmetro social, mas não temos como atender todo mundo", afirma Sandra. "Até mesmo porque esse caráter assistencialista ajuda momentaneamente e não resolve o problema das pessoas, o que também deve ser mudado".

Para desvincular o caráter assistencialista, a Secretaria pretende reorganizar e reformular o Plantão Social. A idéia ainda está em estudo, mas as análises levam em consideração o que Sandra Scriptore denomina "enfrentamento da pobreza".

"O que nós queremos é encontrar outra finalidade para o Plantão a não ser apenas a do assistencialismo", explica.

A intenção é colaborar para que as famílias carentes recebam a cesta básica como parte de um projeto mais amplo que inclui a inserção em cursos profissionalizantes e outros tipos de programas que consigam reinserir a família

à sociedade. "Seriam programas sócioeducativos que podem romper o ciclo da pobreza, dar instrumentos para que as pessoas possam lutar".

Uma das possibilidades estudadas é a descentralização do atendimento do Plantão Social. A idéia é levá-lo a bairros determinados conforme a carência sócioeconÃmica.

Reclamação

Enquanto as modificações não são implantadas, a distribuição das cestas básicas continuará sendo realizada normalmente e causando reclamações, como a da desempregada Fátima da Silva, 21. Ela este ontem no Plantão Social, não recebeu a cesta e acionou a Polília Militar para ajudar na situação.

Desempregada, mãe de quatro filhos e com um marido que não tem renda fixa, ela diz que busca ajuda no local desde o ano passado. Fabiana afirma que foi ao local no início do segundo semestre de 98, quando não recebeu a cesta e foi informada para retornar em abril deste ano. No mês passado, ela diz que não conseguiu a cesta e voltou ontem. "Eles entregaram para quem não precisava e por isso até ameaçamos de invadir. Não temos comida em casa", argumenta.

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